Trump declara insatisfação com a proposta recente do Irã para negociações
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (1º) que não está contente com a última oferta apresentada pelo Irã para as negociações relacionadas ao conflito em curso com o país. Essa declaração foi dada enquanto o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, comunicava que Teerã está aberto à diplomacia, caso os EUA alterem sua postura atual.
As falas de Trump surgem após reportagens da mídia estatal iraniana e uma autoridade do Paquistão indicarem que o Irã enviou sua mais recente proposta de diálogo, suscitando um pouco de esperança para superar o impasse que tenta encerrar a guerra.
“Eles desejam um acordo, mas eu não estou satisfeito com o que foi apresentado”, disse Trump ao deixar a Casa Branca rumo à Flórida, ressaltando que a liderança iraniana está “muito desorganizada” e dividida em alguns grupos internos.
O presidente elogiou as tentativas de mediação do Paquistão e comentou que as conversas por telefone continuam. “Fizeram avanços, mas não tenho certeza se irão concluir algo”, declarou. “Eles solicitam condições que eu não posso aceitar.”
Os valores globais do petróleo, que estavam acima de US$ 100 por barril, recuaram após a divulgação da proposta iraniana.
Por sua vez, Abbas Araghchi declarou que o país está disposto a optar pela diplomacia caso os EUA revisem sua “atitude excessiva, a retórica agressiva e as ações provocativas”. Contudo, acrescentou que as forças armadas iranianas seguem preparadas para defender a nação diante de qualquer ameaça.
O conflito, iniciado em 28 de fevereiro por ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, já resultou em milhares de mortos e causou o bloqueio do Estreito de Ormuz, ressaltando a interrupção de cerca de 20% do fornecimento global de petróleo e gás, o que gerou instabilidade no mercado energético mundial e tem aumentado receios sobre uma desaceleração econômica global.
Enquanto isso, a Marinha americana mantém um bloqueio das exportações de petróleo iraniano e o Departamento do Tesouro dos EUA alertou nesta sexta que transportadoras correm risco de sanções se pagarem ao Irã para atravessar o estreito.
Desde o dia 8 de abril, um cessar-fogo está em vigor, embora relatos indiquem que Trump está sendo informado sobre possíveis novos ataques militares que forçariam o Irã à mesa de negociações, fato que levou os preços do petróleo a atingirem, momentaneamente, os níveis mais altos dos últimos quatro anos na última quinta-feira.
Fontes iranianas confidenciais relataram à Reuters que o Irã reforçou suas defesas aéreas e está planejando uma resposta ampla a qualquer ataque, prevendo um possível ataque breve e intenso dos EUA, com ação subsequente de Israel.
Em retaliação aos ataques iniciais, o Irã atingiu bases americanas, instalações e empresas ligadas aos EUA na região do Golfo, enquanto o grupo Hezbollah, apoiado por Teerã, disparou mísseis contra Israel, que revidou com ataques no Líbano.
O governo Trump considera que o cessar-fogo marcou o fim das hostilidades, enquanto se aproxima o prazo legal para justificar ao Congresso a continuação da guerra.
Trump reiterou que não permitirá que o Irã obtenha armas nucleares e afirmou que o preço da gasolina, uma preocupação importante para seu partido antes das eleições de meio mandato, deve cair rapidamente após o término do conflito.
O Irã já exige, há tempo, que os EUA reconheçam seu direito ao enriquecimento de urânio para fins pacíficos, algo contestado por potências ocidentais que suspeitam de ligação com armas nucleares.
Indagado sobre as opções existentes, Trump disse: “Queremos bombardear e destruir tudo para acabar com isso de vez? Ou preferimos tentar um acordo?” Ao ser questionado se optaria por bombardear, respondeu: “Do ponto de vista humano, prefiro evitar.”
O embaixador chinês na ONU, Fu Cong, declarou que é urgente manter o cessar-fogo e que o Estreito de Ormuz deve ser reaberto o mais rapidamente possível. Segundo ele, esse tema estará em evidência na agenda das negociações durante a visita de Trump à China ainda neste mês.



