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Super-ricos mudam foco: obras de arte perdem espaço para jatos e iates de luxo

Embora o mercado de arte esteja passando por uma fase de estagnação nas vendas, outros setores voltados para os abastados, como a indústria de jatos particulares e embarcações de luxo, têm apresentado crescimento expressivo. Essa mudança sugere que os investidores mais ricos podem estar redirecionando seu capital para alternativas mais atrativas, visto que adquirir pinturas tem se mostrado um investimento pouco vantajoso recentemente.

Além disso, a retração nas operações pode indicar uma dependência excessiva do mercado em relação aos colecionadores da geração baby boomer, que já estão em declínio no que diz respeito ao volume de compras.

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Perspectivas para os leilões de arte em Nova York

Com a aproximação dos leilões de primavera na cidade de Nova York, o mercado de arte enfrentará um momento decisivo. Espera-se que colecionadores mais tradicionais permaneçam exigentes ao escolherem obras, estando dispostos a pagar preços elevados apenas por peças de excepcional qualidade. Essa situação pode gerar grandes disputas por itens considerados “troféus”, mas o cenário geral aponta para uma demanda instável.

Um aspecto relevante será observar quantos lotes serão ofertados com garantias de lances mínimos. Uma maior incidência dessa prática costuma indicar uma falta de confiança dos vendedores, que buscam assegurar a venda de suas obras. Por outro lado, os resultados das obras sem esse tipo de proteção podem revelar melhor o interesse real do mercado.

Dados recentes do mercado global de arte

Segundo o Art Basel e UBS Art Market Report, as vendas mundiais de arte cresceram 4% em 2025, porém ainda estão aquém dos níveis alcançados em 2022 e 7% inferiores aos registros de 2019. Este cenário é especialmente intrigante nos Estados Unidos, onde o índice S&P 500 está próximo de suas máximas históricas, o que normalmente estimularia famílias ricas a investir em arte valiosa.

Demanda aquecida em outros setores luxuosos

Enquanto o mercado de arte sofre com essa desaceleração, setores ligados ao público de alta renda apresentam desempenho robusto. A General Aviation Manufacturers Association divulgou que a entrega global de jatos particulares em 2025 alcançou o nível mais alto em 15 anos. Além disso, a venda de superiates de luxo atingiu recorde histórico, conforme dados da corretora Edmiston.

Dificuldades específicas do mercado de arte

O segmento mais caro do mercado de arte pode mostrar variações significativas, e em alguns casos as vendas baixas refletem uma oferta limitada. Como muitos colecionadores fortificados financeiramente não têm a necessidade de vender, preferem aguardar se acreditam que o preço obtido não será satisfatório.

Além disso, o mercado parece estar mais sensível às oscilações das taxas de juros, especialmente porque obras de arte têm sido cada vez mais tratadas como uma categoria de ativos financeiros.

Investidores de Wall Street, como gestores de fundos hedge e fundadores de private equity, adotaram uma abordagem financeira para o colecionismo. Utilizaram obras de artistas renomados como Pablo Picasso como garantias para empréstimos, reinvestindo o capital em atividades mais lucrativas, como ações e imóveis.

Essa estratégia só tinha sucesso enquanto os juros estavam baixos, em torno de 3%. No cenário atual, com aumentos expressivos nas taxas de financiamento, o custo de manter grandes quantias investidas em quadros se tornou menos atraente.

Arte: um investimento desafiador

Financeiramente, investir em arte tem apresentado resultados negativos, sobretudo no curto prazo. Colecionadores que adquiriram obras de artistas emergentes com a expectativa de obter lucro com a revenda têm sofrido perdas. Dados do Bank of America e da ArtTactic indicam que peças leiloadas nos Estados Unidos em 2025, adquiridas nos cinco anos anteriores, tiveram uma perda média anual de 5,7%.

Em geral, é necessário manter a obra por pelo menos uma década para alcançar o ponto de equilíbrio, sem contabilizar despesas adicionais, como seguro e comissões das casas de leilão, as quais podem tornar o retorno ainda pior. Ademais, nos Estados Unidos, a tributação sobre ganhos de capital provenientes da venda de arte é mais elevada do que a aplicada a ações.

Diferenças geracionais e mudança nos gostos artísticos

Outro fator que impacta o mercado é a mudança no perfil dos colecionadores. Os baby boomers alavancaram os preços de artistas do pós-guerra e da arte contemporânea, como Mark Rothko, Andy Warhol e Francis Bacon, elevando-os a valores exorbitantes. No entanto, as gerações mais jovens demonstram interesse maior por artistas historicamente negligenciados, como mulheres e negros.

Essa transformação do gosto pode dificultar a comercialização de certas obras por valores elevados. Por exemplo, o preço das obras de Andy Warhol vendidas em leilões em 2025 caiu 85% em relação a 2022, segundo a ArtTactic, o que pode indicar uma perda temporária de interesse ou um declínio permanente em sua popularidade entre os compradores mais jovens.

Enquanto os colecionadores mais dedicados não lamentam a saída dos especuladores que elevavam os preços por meio de negociações rápidas, esse êxodo evidencia as dificuldades do mercado para continuar crescendo.

Fonte

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