A operação que levou o 5G da TIM ao limite da Antártica
Transformando a coleta, processamento e compartilhamento de dados científicos no ambiente mais inóspito do planeta
Composta por quatro missões e cerca de 500 quilos de equipamentos, a implementação do 5G da TIM na Antártica foi concluída recentemente, conectando a Estação Antártica Comandante Ferraz a uma rede capaz de transmitir dados em tempo real. Essa iniciativa, iniciada em 2022 a partir da absorção de ativos herdados da Oi no continente, ultrapassa a simples oferta de velocidade de internet: ela revoluciona a forma como a ciência brasileira coleta, processa e dissemina informações em uma das regiões mais extremas do mundo.
A rede possui alcance de até 10 quilômetros e já movimentou mais de 50 terabytes de dados desde 2023. Com isso, a base deixou de depender do transporte físico de discos, passando a operar com transmissão contínua de informações. Assim, dados que antes demoravam meses para chegar ao Brasil agora são enviados instantaneamente, possibilitando o suporte a modelos de inteligência artificial que analisam grandes volumes para detectar padrões e gerar previsões.
Alberto Griselli, CEO da TIM Brasil, destaca: “Quando você combina tecnologia com desenvolvimento sustentável, a Antártica se torna um exemplo claro dessa estratégia”.
Etapas fundamentais para a ativação do 5G
A ativação da nova rede envolveu diversas fases: a estabilização das redes 3G e 4G, a ampliação da cobertura pela faixa de 700 MHz — frequência que permite alcançar distâncias maiores — e, como etapa final, a implantação de uma arquitetura satelital redundante, essencial para garantir alta capacidade e confiabilidade do sistema.
Marco Di Costanzo, CTO da TIM Brasil, explica que a operação demandou uma infraestrutura de missão crítica adaptada a condições extremas, incluindo temperaturas muito baixas e ventos que podem superar 160 km/h. Para manter a estabilidade da rede, as antenas contam com sistemas de aquecimento e mecanismos de proteção contra vibração.
Além disso, o planejamento é rigoroso e começa aproximadamente 12 meses antes de cada missão anual, que revisa equipamentos, expande a capacidade e resolve eventuais falhas. “Não se pode esquecer nada, pois a falta de um componente pode pôr a missão inteira em risco”, afirma o executivo.
Conectividade para ciência, segurança e qualidade de vida
A rede 5G instalou-se como um elo fundamental para três funções principais na estação: apoiar pesquisas científicas, garantir segurança operacional e melhorar o bem-estar dos habitantes.
Em 2025, cerca de 180 pesquisadores desenvolveram 27 projetos voltados para as mudanças climáticas na base. O uso de sensores, câmeras e outros equipamentos conectados permite o envio dos dados coletados em tempo real, facilitando a integração com centros acadêmicos no Brasil e no exterior.
Esse avanço reduz significativamente o intervalo entre coleta e análise dos dados, crucial em estudos climáticos onde as variáveis ambientais se alteram rapidamente. Di Costanzo ressalta: “A conectividade possibilita a coleta e o compartilhamento imediato dos dados científicos, ligando diferentes polos de pesquisa”.
Além do apoio à ciência, a rede serve como uma camada de segurança extra. Um exemplo citado envolve o resgate de uma pesquisadora em situação de hipotermia provocada por uma mudança abrupta no clima, quando a comunicação via rádio estava indisponível. “Foi graças à rede que o resgate foi viabilizado”, conta Guilherme Laubert, engenheiro responsável pela implantação do 5G na Antártica.
O laboratório tecnológico nas condições extremas da Antártica
Além do suporte às pesquisas, a estação funciona também como um laboratório para desenvolver soluções comerciais em ambientes hostis.
“A capacidade de oferecer conectividade em um local extremo como este demonstra que é possível viabilizar operações críticas em outras situações”, explica Di Costanzo. A experiência adquirida pode ser aplicada nos setores de mineração, energia e logística, áreas que operam em regiões remotas e demandam comunicação em tempo real.
Internamente, a TIM já planeja o próximo passo: implementar o edge computing na estação antártica — ou seja, o processamento de dados próximo ao ponto de coleta. Essa tecnologia permite análises mais rápidas e independência da infraestrutura externa.
A implantação do 5G na Antártica é, portanto, um marco que vai muito além da melhoria da rede, alterando a maneira como o conhecimento é produzido e gerando inovação tecnológica aplicável em diversos setores.



