Timothée Chalamet assume papel de entusiasta do futebol em campanha da Adidas para a Copa do Mundo
A marca alemã Adidas aposta na realização da Copa do Mundo na América do Norte para diminuir seu distanciamento em relação à Nike no mercado.
O comercial principal da ampla campanha da Adidas para a Copa da FIFA reúne os tradicionais jogadores, antigos e atuais, mas tem como destaque o ator Timothée Chalamet, que interpreta um técnico apaixonado e amador em jogos de futebol de três contra três.
Com duração de cinco minutos, o anúncio mostra atletas e celebridades disputando uma partida entre times de bairro em uma quadra de basquete. Estão presentes, entre outros, Bad Bunny e Lionel Messi como espectadores, enquanto jogadores como Trinity Rodman e Jude Bellingham enfrentam uma equipe local que já venceu lendas dos anos 1990, como David Beckham e Zinedine Zidane – com a derrota destes exibida em flashbacks falsos.
Este comercial integra a avançada campanha “You Got This”, da Adidas, representando o principal eixo do esforço de marketing global da marca para a Copa do Mundo, visando alavancar especialmente as vendas no mercado americano.
A Adidas, junto a outros patrocinadores como Budweiser e Marriott Bonvoy, vem se preparando há anos para a edição do campeonato que ocorrerá em junho e julho deste ano nos Estados Unidos, Canadá e México. Apesar de setores como hotelaria, Airbnb e transporte público estarem receosos com os benefícios econômicos do evento, os especialistas em marketing esperam que o interesse nos jogos ao vivo na América do Norte estimule os gastos no verão, mesmo diante de um cenário de consumo ainda frágil.
Copa do Mundo com melhor cenário comercial
As empresas aguardavam uma Copa mais favorável em comparação com a edição de 2022, no Catar, que enfrentou obstáculos como a proibição da venda de cerveja nos estádios e o deslocamento do torneio do verão para o inverno, devido ao calor extremo.
Além disso, as partidas ocorrerão em fusos horários da América do Norte e Central, o que torna a compra de espaço publicitário mais atraente para anunciantes que desejam alcançar o público americano, que em edições anteriores assistia os jogos durante o sono, por causa da diferença de horário.
A consultoria WARC Media projeta que a Copa do Mundo de 2026 impulsionará os gastos globais com publicidade em US$ 10,5 bilhões no segundo trimestre do ano, representando um crescimento de 1,1% em relação a períodos sem torneio. Na última edição, caiu 4,6%, impactada por desafios macroeconômicos e pela concorrência com campanhas tradicionais de fim de ano.
Nos Estados Unidos, país tradicionalmente com baixo interesse em futebol internacional, a Copa só aumentou gastos publicitários em cinco das últimas dez edições, e o crescimento máximo foi de 1,5%. Mesmo sediando a competição e a final no MetLife Stadium, em Nova Jersey, não se espera que o evento eleve o investimento publicitário local este ano.
A Adidas, porém, busca aproveitar a Copa para conquistar mais fãs americanos e diminuir a diferença para sua principal competidora, Nike.
“Para nós, os Estados Unidos representam a maior oportunidade a longo prazo porque estamos bastante atrás do nosso adversário”, afirmou Bjørn Gulden, CEO da empresa, em teleconferência para divulgação dos resultados.
Chris Murphy, vice-presidente sênior de marketing de marca da Adidas América do Norte, declarou que a campanha para a Copa nos EUA tem uma escala, recursos financeiros e energia muito maiores do que as anteriores. Além dos tradicionais anúncios, a marca realizará eventos presenciais em cidades como Atlanta, Los Angeles, Houston, Toronto e Nova York. O orçamento total da ação não foi divulgado.
A atual campanha continua a linha “You Got This”, lançada há dois anos, estratégia que busca manter uma mensagem uniforme ao invés de promover constantes mudanças, explicou Murphy.
A Adidas informou ter vendido cerca de 250 milhões de euros (aproximadamente US$ 292 milhões) em produtos vinculados à Copa do Mundo 2026. A empresa fabrica a bola oficial utilizada nas partidas e estima que um terço dos jogadores do torneio calce seus tênis nos jogos.
Reportagem de Katie Deighton, traduzida e adaptada.



