CACR11 sofre queda de quase 60% em uma semana após suspensão de dividendos
O fundo imobiliário Cartesia Recebíveis Imobiliários (CACR11) registrou uma queda de quase 60% durante a última semana, no mês e também no acumulado dos últimos 12 meses, em reação à decisão da gestora Cartesia de interromper a distribuição de dividendos referentes a abril.
No mês de maio, as cotas do CACR11 recuaram de R$ 81,33 para R$ 32,70.
A gestora justificou a retenção dos dividendos como uma medida para preservar o caixa diante do persistente cenário negativo na economia e no crédito, que estaria impactando diretamente os projetos relacionados à incorporação imobiliária financiados pelo fundo.
De acordo com o comunicado oficial, essa decisão visa garantir a continuidade das obras em andamento e proteger o valor das garantias vinculadas às operações realizadas pelo fundo. Apesar de o resultado apurado pelo regime de caixa ser de R$ 1,24 por cota, os recursos foram preservados para aplicação nos projetos em curso.
A Cartesia também destacou que o ambiente de juros elevados, o aumento dos custos de materiais e mão de obra, além da queda nas vendas e atrasos nos repasses, pressionaram a necessidade de alocar mais recursos nos empreendimentos investidos.
O documento ainda menciona atrasos regulatórios e operacionais em projetos localizados na Bahia e em São Paulo, incluindo demora para aprovação de projetos modificativos e na emissão do habite-se na capital paulista, fatores que frustraram o planejamento de caixa do fundo e postergaram a entrada de recursos provenientes das vendas.
Apesar da suspensão dos dividendos, a gestora confirmou que as operações possuem garantias reais eficazes e formalizadas, e que os ativos da carteira permaneceram inalterados.
Desconfianças em relação às operações do fundo
Além da suspensão nos pagamentos, o fundo CACR11 já estava sob acompanhamento rigoroso após reportagem ter apontado questões relacionadas à composição da carteira, à administração do fundo e à sustentabilidade dos rendimentos.
Foi revelado que grande parte dos ativos está concentrada em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) ligados a projetos ainda não lançados, com baixos índices de venda e atrasos no cronograma. Esses ativos representam mais de 80% do patrimônio líquido do fundo.
Um ponto de destaque foi que alguns desses empreendimentos não geram fluxo de caixa operacional, mesmo que os CRIs ainda estejam remunerando o fundo e sustentando dividendos elevados nos anos anteriores.
Aumentou também a exposição do CACR11 a esses empreendimentos nos últimos dois anos, apesar dos atrasos e revisões nos cronogramas, levantando dúvidas sobre a efetividade das garantias vinculadas.
Outro aspecto discutido envolveu a movimentação de CRIs entre fundos geridos pela mesma administradora e questionamentos sobre a trajetória desses ativos em diferentes veículos de investimento.
Recentemente, o relatório dos auditores independentes referente às demonstrações financeiras do ano encerrado em dezembro de 2025 apresentou uma abstenção de opinião, devido à falta de evidências suficientes para validar certos saldos contábeis após a troca de administração do fundo.
O documento também mencionava operações compromissadas no valor de R$ 23 milhões no final de 2025, mecanismo utilizado para captação de recursos de curto prazo.
A gestora explicou que a abstenção ocorreu durante o processo de transferência da administração, que mudou do Banco Daycoval para a BRL Trust em dezembro de 2025. Segundo a gestora, a nova administradora não recebeu, no prazo regulamentar, as demonstrações financeiras auditadas do período anterior, dificultando a conclusão completa da auditoria.
Posteriormente, o Banco Daycoval divulgou as demonstrações financeiras referentes à transferência com parecer sem ressalvas, e no relatório final aprovado, o saldo das operações compromissadas foi ajustado para R$ 20,6 milhões.


/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_f035dd6fd91c438fa04ab718d608bbaa/internal_photos/bs/2020/R/E/obOyDaQwCBvadzWDqstg/gettyimages-1017275652.jpg)

