Drones de pulverização ganham espaço no agronegócio e desafiam métodos tradicionais
Equipamentos aéreos usados para aplicações agrícolas, conhecidos como drones de pulverização, estão substituindo cada vez mais os pulverizadores convencionais no campo. Esses aparelhos, muito menores e mais acessíveis financeiramente, vêm conquistando produtores por sua versatilidade e eficiência.
Um exemplo marcante é um drone do porte de uma mesa de jantar, equipado com oito hélices de 1,3 metro e um tanque de 40 litros, que distribui pesticidas cobrindo uma largura semelhante à de uma via pública. Em termos econômicos, os drones populares no Brasil custam menos de R$ 200 mil, ao passo que os pulverizadores terrestres ultrapassam R$ 1,2 milhão, apresentando desempenho comparável, conforme aponta Ricardo Campanelli, superintendente agrícola de uma produtora atuante no interior paulista.
Além do preço, a flexibilidade é um diferencial: é possível usar o mesmo drone durante o dia para diferentes fazendas e com produtos distintos, algo que não é viável com os pulverizadores tradicionais devido à logística e ao tempo necessário para limpeza e transporte do equipamento pesado.
Eficiência no uso de insumos e recursos
A adoção dos drones se intensificou especialmente porque eles demandam significativamente menos água para pulverização – entre 5 e 10 litros por hectare, contra 100 litros usados pelo método terrestre. Isso se deve ao desenho do equipamento, que utiliza o fluxo gerado pelas hélices para empurrar gotículas menores em direção às plantas, permitindo o uso de soluções mais concentradas e gerando uma economia de até 95% no consumo de água. Consequentemente, também há redução no uso de diesel, uma vez que a calda para aplicação é mais leve e exige transporte menor.
A empresa Campanelli iniciou o uso dos drones em 2023, primeiramente para situações em que os tratores não podiam acessar o terreno devido à chuva, mas rapidamente os equipamentos passaram a assumir papel principal na pulverização das áreas agrícolas do grupo.
Modelos avançados e aumento de produtividade
Atualmente, essa produtora utiliza drones do modelo T50, de fabricação chinesa com grande representatividade na frota brasileira, e está investindo no modelo T100, que oferece tanque com capacidade de 100 litros e velocidade máxima de até 49 km/h. Com isso, a área pulverizada por dia pode saltar de 80 hectares para cerca de 150, superando a eficiência dos pulverizadores tradicionais.
Esse avanço aproxima os drones dos aviões agrícolas, embora essa última tecnologia ainda domine grandes áreas, como as do Mato Grosso. Segundo Cláudio Junior Oliveira, diretor do sindicato das empresas de aviação agrícola, os drones T100 têm capacidade de cobertura anual entre 4 mil e 5 mil hectares, inferior aos 50 mil hectares aplicados pelos aviões, indicando que não há substituição direta, mas sim utilização conjunta conforme o contexto.
Drones apresentam vantagens em terrenos complexos e menores
Segundo Ricardo Campanelli, em regiões com relevo irregular e maior quantidade de árvores – como no interior de São Paulo –, os drones são mais vantajosos, pois aviões precisam ajustar voo constantemente para evitar obstáculos, o que prejudica a qualidade da aplicação. Dois drones T100 conseguem aplicar defensivos em 300 hectares na mesma manhã, com maior precisão e custo muito inferior ao de aviões, cujo valor pode ser quase dez vezes maior, alcançando R$ 4 milhões por aeronave contra cerca de R$ 500 mil por par de drones.
Além disso, drones podem operar durante a noite, um benefício importante considerando que a pulverização deve evitar sol forte para que as gotas não evaporem antes do efeito. Aviões agrícolas não podem voar no escuro, limitando suas operações ao período do dia.
Crescimento acelerado e perspectivas futuras
O uso dos drones agrícolas está crescendo rapidamente no Brasil, embora nem todos os equipamentos estejam registrados formalmente na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), devido ao fato de ainda serem tecnologias emergentes no campo. Dados recentes indicam que o número de drones registrados na Anac quase triplicou entre 2023 e o final de 2025, chegando a mais de 10 mil unidades, o que representa aproximadamente 12% da frota de pulverizadores terrestres.
Com avanços tecnológicos rápidos, como o lançamento do modelo T200 em 2026, que dobra a capacidade dos drones anteriores, a expansão dessa tecnologia promete continuar, modificando a maneira como a pulverização é executada nas fazendas brasileiras.
Atualmente, muitos drones estão assumindo papéis que antes eram exclusividade dos tratores, operando no céu e transformando o panorama da agricultura moderna.



