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A Trajetória da JBJ Agropecuária Com Faturamento Bilionário

A Trajetória da JBJ Agropecuária Com Faturamento Bilionário

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A trajetória da empresa criada por um dos herdeiros da JBS que projeta faturar R$ 10 bilhões em 2027

Com diversificação na criação de gado e genética, a JBJ Agropecuária mira novos mercados internacionais

Fabrício Batista, CEO da JBJ Agropecuária, ressalta: “O Brasil certamente está no caminho para se tornar o maior fornecedor dessa proteína vermelha no mundo.” A empresa que ele lidera nasceu da expertise familiar e já planeja ampliar significativamente seu faturamento nos próximos anos.

Filho de José Batista Júnior, um dos sucessores da família por trás da JBS, Fabrício conduz hoje um amplo negócio que abrange desde a criação de animais até a indústria frigorífica, incluindo genética bovina, confinamento, exportação e até mesmo o segmento de cavalos da raça Quarto de Milha, com exemplares milionários.

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Em pouco mais de uma década, a companhia cresceu de um faturamento de aproximadamente R$ 100 milhões para uma receita consolidada de R$ 6 bilhões em 2025. O próximo objetivo estabelecido é alcançar perto de R$ 10 bilhões até 2027.

“Temos grande convicção no agronegócio brasileiro e na produção de proteína vermelha para os futuros anos”, afirma Fabrício durante entrevista no podcast “De Frente com CEO”, realizada na Fazenda Floresta, em Goiás, uma fazenda modelo do grupo.

A origem da JBJ Agropecuária e sua ligação com a JBS

A JBJ Agropecuária foi criada oficialmente em 2012, depois que José Batista Júnior deixou a JBS, empresa fundada pela família e por ele liderada por mais de 20 anos. Parte do acordo envolveu ativos rurais que deram origem à nova operação agropecuária da família, localizada em Goiás.

Conforme relata Rodrigo Terra, diretor financeiro do grupo, o nome JBJ representa as iniciais de José Batista Júnior. Na época do lançamento da empresa, o negócio contava com três fazendas e operava sob um modelo tradicional de pecuária.

Atualmente, a JBJ Agropecuária possui 14 fazendas distribuídas em Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, somando cerca de 150 mil hectares produtivos e mantendo mais de 250 mil cabeças de gado.

“Nossa atuação se concentra basicamente na região Centro-Oeste, em Goiás e Tocantins, locais que identificamos enorme potencial não só para criação de gado, como também para atividades integradas de lavoura e pecuária”, destaca Fabrício.

Atuação desde o confinamento até o frigorífico

A companhia abrange praticamente toda a cadeia produtiva da pecuária, que inclui criação, recria, confinamento, genética, indústria frigorífica e exportação.

Hoje, a JBJ trabalha com mais de 500 mil animais por ano em sistema de confinamento, considerado por Fabrício uma das maiores operações dessa modalidade na América Latina.

“Anualmente, concluímos o engorde de mais de meio milhão de animais. Essa é uma operação de confinamento de grande porte”, explica o CEO.

Além disso, a empresa controla a Prima Foods, seu braço industrial, que conta com três frigoríficos localizados em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul. Cada uma dessas unidades possui capacidade para abater cerca de 2 mil animais diariamente.

Grande parte da produção é destinada à exportação, com cerca de 70% da carne produzida sendo enviada para mercados externos, como China, Oriente Médio e Chile.

“Metade dos envios ao exterior vão para o mercado chinês, seguido pelo Oriente Médio, que também tem uma grande demanda por carne vermelha”, relata Fabrício. “Temos concentrado esforços nesses três mercados principais: Ásia, Oriente Médio e América do Sul.”

Brasil como protagonista na oferta global de proteína bovina

Para Batista, o país tende a assumir um papel estratégico no abastecimento mundial de carne bovina, impulsionado pelo crescimento populacional global aliado à limitação da expansão da produção em outros países, elevando a demanda pela proteína brasileira.

Ele aponta como diferencial o Brasil por suas condições naturais e capacidade produtiva do agronegócio.

“Observamos que a população mundial continua crescendo, mas a produção está longe de acompanhar essa velocidade”, comenta Fabrício.

Segundo ele, poucos países reúnem os fatores estruturais presentes no Brasil para ampliar significativamente a oferta de proteína animal.

“O Brasil é um país excepcional, quase abençoado. Temos clima favorável, terras férteis e abundância de água”, destaca. “Definitivamente, o Brasil está em rota para ser o maior fornecedor mundial dessa proteína.”

Investimento em genética para otimizar produção

Uma das áreas com maior potencial de expansão na JBJ é a genética bovina e equina, voltada para acelerar a produtividade, aprimorar a qualidade e aumentar a produção sem expandir a área física.

“Para ter maior produção na mesma área, a aplicação da genética é essencial”, afirma Rodrigo Terra.

Ele ressalta que o avanço genético possibilitou reduzir substancialmente o ciclo de crescimento do gado.

“Há alguns anos, o ciclo para abate no Brasil era de cerca de quatro anos e meio, mas hoje, no nosso confinamento, abatemos bois entre 24 e 30 meses”, revela Fabrício.

No segmento de cavalos, o grupo aposta em biotecnologia, fertilização in vitro e seleção genética para alta performance.

“Priorizamos a biotecnologia, focando na inovação e tecnologia aplicada à criação dos animais”, diz o CEO.

Na Fazenda Floresta, local onde foi realizado o podcast da EXAME, há um laboratório próprio de reprodução animal.

“Não usamos nenhum garanhão, todos os cavalos são gerados em laboratório”, detalha Fabrício.

Segmento de cavalos milionários

O ramo de criação de cavalos surgiu de uma paixão pessoal de Fabrício, que decidiu durante a pandemia profissionalizar e transformar esse hobby em um negócio estruturado.

“Introduzi técnicas de gestão na criação dos cavalos”, explica.

A JBJ Ranch realiza hoje um dos maiores leilões de cavalos de raça do mundo, considerado o segundo maior global neste segmento, e segue gerando resultados financeiros positivos.

Em 2025, o evento comercializou cerca de R$ 130 milhões, e neste ano, bateu recorde com R$ 257 milhões em negócios.

Alguns animais alcançam valores que ultrapassam dezenas de milhões de reais.

“O cavalo mais caro do leilão deste ano foi o garanhão americano Inferno Sixty Six, cuja metade foi vendida por R$ 44 milhões”, informa Fabrício.

Os setores de genética e cavalos já respondem por 10% a 15% do faturamento do grupo, com uma previsão de receita de cerca de R$ 600 milhões para este ano, conforme o diretor financeiro da JBJ.

Expansão internacional com operações no Texas e mercados globais

A empresa também planeja expandir sua presença além do Brasil. Em 2024, adquiriu um rancho em Pilot Point, Texas, um dos principais polos da raça Quarto de Milha nos Estados Unidos.

“O Texas é o berço dessa raça, onde estão os melhores animais e as maiores centrais genéticas”, destaca Rodrigo Terra.

O objetivo é transformar essa operação em uma plataforma global.

“Pretendemos criar cavalos no Brasil para abastecer a América do Sul e nos Estados Unidos para atender América do Norte e Europa”, detalha Fabrício.

O executivo também não descarta a possibilidade de internacionalização da produção de proteína animal, seguindo um caminho similar ao da JBS.

“Talvez o próximo passo natural seja levar nossa marca de proteína para o mercado global”, conclui Fabrício Batista.

Fonte

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