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Carros chineses conquistam o mundo, mas não os consumidores locais

Enquanto os veículos fabricados na China ganham popularidade internacional e registram crescimento significativo nas vendas em diversos mercados, a mesma receptividade não se vê dentro do próprio país.

Em maio, o mercado doméstico chinês de automóveis novos apresentou uma queda de 22% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, comercializando cerca de 1,5 milhão de carros, conforme dados da Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros. Esse resultado marca o oitavo mês seguido de declínio anual no maior mercado mundial de veículos e faz com que as vendas acumuladas no ano estejam quase 20% abaixo dos números de 2025, pressionando os resultados financeiros das principais montadoras locais.

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Diante desse cenário adverso, as fabricantes chinesas, incluindo as internacionais com fábricas no país, estão intensificando suas estratégias de expansão para o mercado externo. Em maio, as exportações do setor automotivo chinês alcançaram 784 mil unidades, um crescimento anual de 75%, segundo a mesma associação.

Esse contexto negativo no mercado interno foi causado por diversos fatores. Em janeiro, o governo reduziu em 50% a isenção fiscal para veículos plug-in e diminuiu os subsídios para trocar carros antigos por elétricos, impactando negativamente as vendas dos veículos elétricos. Em seguida, a alta dos preços da gasolina provocada pelo conflito iraniano em março afetou o desempenho dos carros convencionais.

Além disso, os consumidores locais estão mais cautelosos para fazer grandes investimentos neste momento, diante de uma economia marcada por deflação e alto desemprego entre jovens. Em abril, as vendas no varejo cresceram apenas 0,2%, o ritmo mais lento em mais de três anos.

Stella Li, vice-presidente executiva da BYD, maior montadora chinesa, ressaltou a necessidade de “fazer algo para reconstruir a confiança dos consumidores”.

Desafios financeiros para as montadoras

Recentemente, muitas empresas automotivas na China atravessaram um período difícil, registrando alguns dos piores resultados financeiros em anos. No primeiro trimestre, a BYD teve seu lucro líquido quase reduzido à metade, totalizando o equivalente a US$ 590 milhões, o menor valor desde meados de 2022. Outras fabricantes menores, como a XPeng, acumulam prejuízos num mercado com saturação crescente, que já conta com dezenas de competidores e centenas de modelos.

Estratégia de inovação da BYD

Para reagir, a BYD lançou anúncios estratégicos focados em avanços tecnológicos, como carregamento ultrarrápido que dura cinco minutos, garantias estendidas para baterias e a promessa de cobrir custos de acidentes causados por seu sistema de assistência ao motorista, chamado “God’s Eye”.

Essa mudança de foco demonstra o fim da política de reduções agressivas de preços que anteriormente alavancou seu crescimento. O governo chinês passou a coibir essa prática, temendo que uma guerra de preços prejudicasse os fornecedores e fomentasse um cenário deflacionário no setor de veículos elétricos.

Segundo Stella Li, a BYD visa colocar “dinheiro na mesa para oferecer segurança aos consumidores”, enfatizando a prioridade na qualidade dos produtos em vez da quantidade.

Expansão global frente às dificuldades domésticas

Do lado internacional, as montadoras chinesas aceleram sua presença global. Wang Chuanfu, fundador da BYD, declarou na última assembleia anual que pretende fazer da empresa a maior fabricante de carros do mundo nos próximos cinco anos.

No entanto, os Estados Unidos continuam sendo um mercado praticamente fechado para esses veículos, aplicando tarifas elevadas e outras restrições para conter sua entrada.

Recentemente, o Pentágono adicionou as empresas BYD e NIO a uma lista que as associa ao exército chinês, o que impede que façam negócios com o Departamento de Defesa americano. Ambas as companhias negam qualquer vínculo militar e afirmam terem sido incluídas erroneamente nessa lista.

O crescimento acelerado das exportações chinesas de veículos provocou alertas e várias medidas de restrição comercial em outros países. Como resposta, as montadoras do país têm investido na construção de fábricas e parcerias industriais, especialmente na Europa.

Brian Gu, vice-presidente da XPeng, destacou que a solução está em buscar parcerias e unir forças para viabilizar investimentos necessários ao crescimento sustentável do setor.

Artigo escrito por Raffaele Huang para The Wall Street Journal. Traduzido pela equipe da InvestNews.

Fonte

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