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Corte da Selic deve ser interrompido em agosto, prevê Silvia Matos, da FGV

O ciclo de redução da taxa Selic promovido pelo Banco Central pode ter se encerrado após apenas três encontros do Comitê de Política Monetária (Copom). Se a autoridade monetária considerou que chegou ao limite das diminuições na reunião de quarta-feira (17), esse será o menor processo de queda da taxa básica desde junho de 2002, data em que a Selic teve somente um recuo, seguido de uma pausa e depois de alta nos juros.

Entre os analistas do mercado, cresce o consenso de que o momento para cortes adicionais está fechado, refletindo também o impacto para os investimentos causado pelo acordo que encerrou o conflito entre EUA e Irã.

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Silvia Matos, coordenadora do boletim Macro do FGV/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), acredita que o Banco Central tinha duas alternativas: interromper o ciclo de queda imediatamente ou realizar mais um corte e encerrar as reduções em seguida, opção que acabou sendo adotada. Essa decisão ocorre em meio a um cenário econômico que se agravou, marcado por pressões inflacionárias crescentes, uma desancoragem significativa das expectativas inflacionárias futuras – com grande parte do mercado já apostando que a inflação vai ultrapassar a meta –, choques de oferta e uma demanda interna aquecida, especialmente por conta de injeções de recursos em um ano eleitoral.

O próprio Banco Central reconheceu este contexto no comunicado divulgado junto à decisão de corte dos juros, em que reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual para 14,25% ao ano. O documento apontou que “o cenário permanece com expectativas desancoradas, projeções elevadas para a inflação e tensões no mercado de trabalho”.

Desafios para a continuidade dos cortes na Selic

Silvia Matos destacou que, mesmo considerando as perspectivas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o ano, a conjuntura não favorece a política monetária. Esse crescimento econômico tem sido sustentado principalmente pelo consumo das famílias e pelo gasto público, com maior influência do setor de serviços, o que contraria o objetivo de controlar os preços.

Segundo a economista, o Banco Central não dispõe mais de margem para reduzir os juros básicos porque a política monetária enfrenta pressão da política fiscal. Ela prevê que o Copom vai interromper a trajetória de queda da Selic já a partir de agosto.

Matos ressalta que ainda estão por vir diversos choques de oferta, que o patamar atual dos juros, apesar de elevado, não precifica completamente. “Sabemos que ainda existirá mais choque de oferta, não apenas decorrente da guerra, mas também por fatores climáticos que afetam alimentos e energia. E como a economia segue crescendo, isso cria espaço para que a inflação desses choques seja repassada”, explicou.

Outro limite ao espaço para possíveis reduções futuros é a proximidade das eleições. A especialista da FGV/Ibre comentou que o mercado ainda está apenas começando a incorporar os impactos do pleito de outubro, que promete ser bastante disputado. Historicamente, gastos públicos tendem a se acelerar no período eleitoral.

Com o aumento das despesas do governo, Matos afirma que o quadro fiscal continuará sendo um fator relevante durante o ano, o que manterá pressão sobre as curvas de juros futuras, mesmo se houver melhora no cenário externo.

Opinião de outros economistas

O economista Leonardo Costa, do ASA, também considera que a decisão do Banco Central na última quarta-feira pode ter representado uma pausa no ciclo de cortes. Porém, ele vê abertura para que o BC retome a diminuição da Selic caso as condições econômicas melhorem até a próxima reunião, em agosto.

Segundo Costa, “a nossa projeção é que o ciclo se encerre nesta reunião, com a Selic em 14,25%. No entanto, há uma grande possibilidade de o Banco Central continuar calibrando os juros, cortando novamente em agosto, dependendo de como o cenário evoluir até lá”.

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