Petrobras prevê necessidade de importar diesel em julho, informa Magda Chambriard
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou nesta quinta-feira, 25 de junho de 2026, que a empresa terá que importar diesel em julho, encerrando um período de três meses sem recorrer a combustíveis estrangeiros. A declaração foi dada durante o evento de retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III) em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul.
Magda ressaltou que, apesar da recente autossuficiência, a dependência de importações de diesel será retomada temporariamente a partir do próximo mês, com a companhia buscando estratégias para alcançar a autossuficiência no médio prazo.
“Não foi necessário importar diesel em abril, maio e junho, mas em julho teremos que importar, porém isso será temporário, pois estamos estudando, ao longo deste quinquênio, como nos tornarmos autossuficientes nesse combustível”, explicou a executiva durante o evento.
Contexto operacional e produção
Esse cenário ocorre em meio a ajustes operacionais da Petrobras, que adiou paradas de manutenção em refinarias para garantir a oferta doméstica de derivados. Atualmente, cerca de 30% da demanda nacional por diesel é suprida por importações, enquanto a produção interna corresponde a cerca de 70%.
Nos três primeiros meses de 2026, a estatal viu um crescimento de 6,7% na produção de derivados, sendo diesel e querosene de aviação (QAV) responsáveis por 68% do volume total refinado. O fator de utilização do parque de refino alcançou 95% no trimestre e chegou a 97,4% em março, o maior patamar desde dezembro de 2014.
O diesel, especialmente o tipo S10, destacou-se ao atingir a produção recorde de 512 mil barris por dia. Considerando todas as categorias, foram produzidos 715 mil barris por dia no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 7,7% frente ao mesmo período do ano anterior, quando o volume era de 664 mil barris. As vendas do combustível chegaram a 739 mil barris por dia entre janeiro e março, crescimento de 0,7%.
Retomada da UFN-III e investimentos em fertilizantes
O evento em Três Lagoas contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que anunciou investimento de R$ 5 bilhões para a conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), cuja obra está 81% concluída desde a interrupção em 2015. O projeto integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).
Magda Chambriard afirmou que a Petrobras está avaliando ampliar a capacidade de produção nacional de fertilizantes, com o objetivo de elevar sua participação no atendimento da demanda interna de 35% para até 70%, conforme os estudos em andamento.
O presidente Lula criticou a paralisação prolongada das unidades de fertilizantes, destacando o impacto nos custos agrícolas e afirmando que o Brasil tem arcado com preços elevadíssimos de fertilizantes que poderiam ser produzidos internamente. Ele também mencionou a falta de preocupação de parte do setor do agronegócio com a produção nacional desses insumos.
A expectativa é que a UFN-III seja concluída até 2029, com capacidade para produzir 3,6 mil toneladas diárias de ureia granulada e 2,2 mil toneladas diárias de amônia, representando aproximadamente 15% da demanda nacional por ureia.



