Ele optou por conectar indústria e varejo via lives e agora deve movimentar R$ 1 bilhão
Netshow.me, inicialmente criada para shows online, encontrou uma oportunidade de crescimento ao converter lives em um canal de comercialização entre indústrias, distribuidores e pontos de venda
Fundada por Rafael Belmonte, a Netshow.me adaptou seu modelo de negócio ao longo dos anos e, há menos de dois anos, lançou a estratégia de lives voltada para o mercado B2B, que já se tornou o principal motor da empresa.
Atualmente, essa nova vertente representa cerca de metade da receita da companhia e projeta movimentar acima de R$ 1 bilhão em transações durante 2026. Até o momento, a plataforma já gerou vendas que ultrapassam R$ 230 milhões neste formato.
Transformação do mercado e novos segmentos
A empresa concentra esforços para acelerar sua expansão em setores como farmacêutico, cosméticos, alimentos e bebidas, além do segmento de autopeças. A previsão é superar o faturamento atual em mais do que o dobro neste ano, apoiado pela crescente adesão da nova frente comercial.
De um Trabalho de Conclusão de Curso ao empreendedorismo
Belmonte se graduou em Administração pela Fundação Getulio Vargas com o desejo claro de se tornar empreendedor. Antes de fundar a Netshow.me, acumulou experiências em outros negócios, incluindo negociações bem-sucedidas e fracassos que serviram de aprendizado.
O embrião da empresa surgiu a partir do plano de negócios desenvolvido durante seu trabalho de conclusão de curso, que logo deu origem à companhia que comanda atualmente.
Após três anos atuando em fundo de investimentos, experiência que contribuiu para sua visão sobre gestão e confiança financeira, em 2013, ao lado de Daniel Arcoverde, lançou a Netshow.me, uma plataforma focada em shows online e interação com fãs, antecipando tendências que só se popularizaram na pandemia.
Embora tenham realizado mais de cinco mil transmissões, o desafio foi a insuficiente demanda para o modelo na época.
Adaptação ao mercado em evolução
Com o mercado inicial ainda pouco maduro, a empresa manteve sua tecnologia de streaming, porém focou em atender demandas corporativas. O primeiro passo foi oferecer plataformas de vídeo para treinamentos, comunicação interna e engajamento em grandes organizações, criando o que Belmonte compara a um “Netflix corporativo”.
Essa adaptação permitiu atender mais de 300 clientes, mas a busca por inovações os levou a explorar o live commerce, que já despontava na China como um método eficiente de vendas através de transmissões ao vivo em redes sociais.
Live commerce para farmácias, franquias e redes de varejo
Em 2023, a aquisição da LiveCo, uma empresa especializada nessa tecnologia, deu à Netshow.me a capacidade tecnológica necessária para escalar sua atuação no live commerce para o mercado corporativo.
Eles passaram a criar e gerir lives em redes sociais ou em plataformas próprias, focadas em vendas ao consumidor final. Contudo, uma demanda inesperada surgiu dos clientes: a necessidade de fortalecer o relacionamento entre indústria e lojistas, que antes acontecia via visitas presenciais e contatos pouco estruturados.
Assim, a Netshow.me iniciou transmissões entre indústrias e suas redes de franquias, distribuidores e pontos de venda, possibilitando que pedidos fossem feitos diretamente durante a live.
Um exemplo desse modelo é o segmento farmacêutico, em que fabricantes podem reunir centenas de farmácias simultaneamente em uma transmissão, apresentando lançamentos, estratégias comerciais e recebendo pedidos em tempo real.
EMPRESAS como a EMS adotam essa estratégia, reunindo em algumas transmissões até 900 gestores e proprietários de farmácias.
Além do aspecto comercial, as lives também funcionam como meio de treinamento para os pontos de venda, driblando a dificuldade gerada pela vasta rede de farmácias e possibilitando maior contato, maior volume de pedidos e melhor capacitação dos vendedores.
Ainda que o crescimento seja acelerado, um dos maiores desafios permanece sendo convencer empresas tradicionais a abraçar um novo canal de vendas. Para isso, mostram casos de sucesso de setores como cosméticos e bens de consumo, que ajudam a diminuir a resistência.
Entre os clientes da Netshow.me estão nomes como EMS, Grupo SC, L’Oréal, Fini e O Boticário.
Meta ambiciosa para 2026
O live commerce B2B é hoje o carro-chefe da Netshow.me, representando metade da receita da companhia, enquanto a plataforma de streaming corporativo responde por 40%. A expectativa é concentrar investimentos para ampliar ainda mais o live commerce B2B e atingir a marca de mais de R$ 1 bilhão em vendas pela plataforma.
A empresa mira fortalecer sua atuação especialmente nos setores que já demonstraram maior aceitação, como o farmacêutico, cosmético, de alimentos e bebidas e autopeças.




