Asado ou barbecue? Copa do Mundo reaviva a rivalidade entre argentinos e texanos pelo melhor churrasco
O Texas é reconhecido como o maior produtor de carne bovina dos Estados Unidos, enquanto a Argentina transformou seu churrasco em um símbolo nacional. Especialistas e consumidores debatem sobre qual das duas regiões oferece a carne de melhor qualidade.
A Copa do Mundo realizada nos Estados Unidos reacendeu uma antiga rivalidade entre argentinos e texanos, centrada não na seleção de futebol ou nos jogadores, mas sim na qualidade da carne bovina e na forma ideal de prepará-la.
De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA, o país é o segundo maior produtor mundial de carne bovina, ficando atrás apenas do Brasil, e o Texas é o principal estado fornecedor dentro do país. Já a Argentina ocupa a sexta posição no ranking global.
A superioridade da carne argentina
Carlos Eduardo Barahona, chef argentino de 64 anos que reside no Texas desde 1998, defende que a carne argentina é incomparável em textura e cortes. Segundo ele, inclusive os cortes mais acessíveis da Argentina superam a qualidade da carne texana.
Ele explica que, embora nos Estados Unidos se usem cortes nobres como o filé-mignon, a qualidade pode variar, ficando dura ou macia dependendo da origem, enquanto a carne argentina apresenta um perfil de sabor singular e intenso.
Isso se deve ao fato de que a maior parte dos bovinos na Argentina são criados a pasto em grandes campos abertos, o que faz com que levem mais tempo para atingir a idade adequada para o abate. Como resultado, a carne é mais magra, com um sabor profundo e terroso.
A qualidade da carne texana
Por outro lado, no Texas e em grande parte dos Estados Unidos, o gado recebe alimentação à base de grãos, garantindo maior marmoreio – que são as finas camadas de gordura distribuídas no músculo. Este marmoreio contribui para que a carne seja mais suculenta, macia e com um sabor levemente adocicado.
Sid Miller, comissário de Agricultura do Texas, defende que a carne americana, principalmente a texana, é a melhor do mundo. No entanto, ele reconhece a qualidade da carne argentina e destaca que o Estado tem colaborado com pecuaristas sul-americanos, inclusive argentinos, ajudando a aprimorar suas técnicas de produção.
A opinião dos consumidores
Gonzalo Herrera, argentino que estava no Walmart de Arlington, Texas, após assistir a uma vitória de sua seleção na Copa, acredita que a diferença na qualidade da carne não é tão acentuada quanto a disputa sugere. Para ele, o segredo está em conhecer os cortes certos e buscar equivalentes aos consumidos na Argentina, apesar de notar que os preços nos EUA são mais elevados.
Além da qualidade da carne, a discussão envolve também o estilo de preparo e temperos utilizados. No restaurante argentino Corrientes 348, em Dallas, o gerente assistente Emmanuel Tobon explica que a carne é preparada apenas com sal e carvão de madeira mesquite, contrastando com o estilo texano, que costuma incluir pimenta, manteiga e molho barbecue.
Durante a Copa, muitos torcedores argentinos têm buscado no restaurante um gostinho de casa, aproveitando a cultura texana ao mesmo tempo em que comemoram suas tradições.
Tobon destaca o orgulho dos argentinos pelo churrasco, declarado quase como uma cerimônia familiar, onde o trabalho do churrasqueiro é tratado com respeito e reverência.
Fernando Garcia Morillo, natural de Buenos Aires e atualmente morador próximo a Miami, também elogia a qualidade das carnes dos dois países. Contudo, sente falta das tradições argentinas ao pedir um bife nos EUA, preferindo um preparo simples, apenas com sal, sem pimenta nem molhos em excesso.
Ele rejeita rivalidades entre EUA e Argentina quando o tema é carne, sugerindo que a verdadeira disputa esteja entre Argentina e Brasil.



