‘O Brasil não é para amadores’, afirma embaixador da Noruega
Kjetil Elsebutangen, representante da Noruega no Brasil, destaca que apesar dos obstáculos, o mercado brasileiro continua atraindo investimentos de empresas norueguesas. Atualmente, cerca de 300 companhias do país nórdico operam no Brasil, com investimentos que somam US$ 14 bilhões. Além disso, ele acredita que o acordo comercial entre Mercosul e EFTA pode impulsionar ainda mais essa relação, especialmente ao ampliar a participação das pequenas e médias empresas norueguesas no mercado brasileiro.
O diplomata, que ocupa o cargo desde dezembro, enfatiza que atuar no Brasil demanda paciência, conhecimento do mercado local, parcerias estratégicas e, principalmente, um ambiente previsível. Mesmo diante de um ano eleitoral e de incertezas globais, ele assegura que as empresas norueguesas têm uma visão de longo prazo para o país, que é o principal parceiro da Noruega fora da Europa e dos Estados Unidos.
Histórico da parceria entre Brasil e Noruega
A cooperação econômica entre os dois países remonta a 1842, quando o primeiro navio norueguês atracou no Brasil carregando bacalhau e retornou com café. Essa troca comercial deu início a quase dois séculos de cooperação que hoje envolve cerca de 300 empresas norueguesas no Brasil, investimentos totais próximos de US$ 14 bilhões e uma nova agenda de crescimento focada em energia, tecnologia, fertilizantes e iniciativas para a redução das emissões de carbono.
Segundo Elsebutangen, as companhias norueguesas encaram o mercado brasileiro como um compromisso de longo prazo, diferente de operações passageiras. A atuação delas gera aproximadamente 120 mil empregos diretos e indiretos. Além disso, o fundo soberano norueguês tem cerca de US$ 7 bilhões aplicados no Brasil.
Expectativa para o acordo Mercosul-EFTA
Um fator que pode fomentar ainda mais essa aliança é o tratado de livre comércio em negociação entre o Mercosul e o bloco EFTA, formado por Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein. O acordo já recebeu aprovação do Congresso brasileiro e do Parlamento norueguês, aguardando apenas os trâmites finais para sua promulgação.
O embaixador acredita que o acordo poderá entrar em vigor ainda este ano, o que prospecta a redução de tarifas para diversos produtos e a abertura para investimentos em setores como máquinas, equipamentos, pescados, tecnologia e indústria marítima.
Para a Noruega, o Brasil é cada vez mais estratégico, especialmente nas áreas de petróleo e gás offshore, energias renováveis, fertilizantes, transporte marítimo e descarbonização. Companhias como Equinor, Statkraft, Yara e Hydro destacam-se nesse contexto.
Elsebutangen ressalta a relevância do setor energético, que abrange tanto o offshore quanto as fontes renováveis, como eólica, solar e baterias. A cooperação também envolve esforços para a descarbonização do transporte marítimo, contando com memorando de entendimento entre os dois países que envolve empresas, portos e instituições de pesquisa.
O tratado comercial deverá ainda facilitar o acesso ao mercado brasileiro para pequenas e médias empresas norueguesas, já que as grandes companhias estão consolidadas. A diminuição de tarifas e maior segurança regulatória criam um ambiente mais convidativo para negócios de menor porte.
Desafios para investimentos no Brasil
Apesar do otimismo, Elsebutangen reconhece que empreender no Brasil exige resiliência. Desafios como taxas de juros elevadas, volatilidade de preços, tarifas e complexidade regulatória são fatores que demandam adaptação e paciência por parte das empresas estrangeiras.
Para ele, a previsibilidade nas regras e na fiscalização é essencial para que os investimentos possam se manter ou crescer. Mesmo com incertezas globais, incluindo conflitos internacionais que afetam o preço do petróleo, o embaixador ressalta que há um consenso entre diferentes forças políticas brasileiras em continuar promovendo a cooperação econômica e atrair investidores estrangeiros.
Embora Brasil e Noruega possam disputar campos esportivos, como na Copa do Mundo, no âmbito dos negócios prevalece uma parceria sólida, que deve seguir avançando com foco em comércio, energia, tecnologia e sustentabilidade.



