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Farmacêutica Brasileira Revoluciona Saúde Feminina Com R$ 780 Milhões

Farmacêutica Brasileira Revoluciona Saúde Feminina Com R$ 780 Milhões

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Como esta farmacêutica brasileira fatura R$ 780 milhões com um mercado esquecido pela indústria

Entre as décadas de 1960 e 1980, a indústria farmacêutica realizou avanços significativos na saúde da mulher, principalmente com o surgimento dos contraceptivos. Contudo, após esse período, o setor ficou estagnado. Os investimentos dos grandes laboratórios migraram para áreas como oncologia e doenças raras, deixando a saúde feminina quase sem inovação por muitos anos, mesmo diante de necessidades médicas não totalmente atendidas.

Foi nesse contexto que a Libbs, uma farmacêutica 100% brasileira com 68 anos de história, consolidou uma das suas áreas mais lucrativas. Atualmente, a saúde feminina representa cerca de 780 milhões de reais ao ano, equivalendo a 18,5% da receita total da companhia. Em 2025, a Libbs atendeu aproximadamente 3,4 milhões de pacientes nessa área, que historicamente lidera os segmentos de contracepção e terapia hormonal para menopausa.

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Depois de um longo período com um portfólio estabilizado, a empresa voltou a investir em novidades. Em 2025, lançou no país o Nextela, um contraceptivo oral inovador que traz uma molécula inédita. Recentemente, também lançou o Zaila, um suplemento probiótico focado na saúde vaginal, desenvolvido em parceria com a dinamarquesa Novonesis. Essa ocorrência é rara, pois é a primeira vez em muitos anos que a área recebe dois produtos inéditos num espaço tão curto de tempo.

“Crescemos bastante com medicamentos similares, mas hoje esses produtos já estão regulamentados. A pergunta que fazemos é: qual a próxima grande necessidade?”, afirma Anna Guembes, diretora de Inovação e Desenvolvimento de Negócios da Libbs, explicando a decisão de investir em segmentos que as multinacionais têm deixado de lado.

De acordo com Anna, tanto a saúde feminina quanto a cardiologia são exemplos de setores que tiveram avanços importantes no passado, mas passaram por um período de estagnação enquanto a indústria direcionava seus investimentos prioritariamente para oncologia e doenças raras. Para os próximos anos, a Libbs pretende transformar seu portfólio maduro em um conjunto de soluções atualizadas.

A empresa anuncia a possibilidade de lançar um novo produto para menopausa ainda em 2026, sujeito à aprovação regulatória, e reafirma seu compromisso com a continuidade de lançamentos na área. Em 2025, a companhia investiu 208,5 milhões de reais em pesquisa, desenvolvimento e inovação, mantendo um pipeline robusto com mais de 60 projetos em andamento.

O mercado negligenciado pela indústria global

A Libbs atribui a lacuna de inovação na saúde feminina mais ao redirecionamento de foco do que à ausência de demanda. Muitos avanços ocorreram em contraceptivos no passado, levando o setor a ser considerado “resolvido”. Com isso, os investimentos migraram para outras áreas, deixando a saúde feminina com poucas inovações, mesmo que existam necessidades médicas ainda não atendidas.

Esse vácuo criativo abriu espaço para que empresas que atuam em nichos menos atraentes para as multinacionais ocupem o mercado. Conforme Anna, muitos dos setores que as grandes corporações globais não priorizam possuem mercados menores ou não oferecem o retorno desejado. É justamente nesse cenário que a Libbs atua, focando muitas vezes no desenvolvimento de soluções adaptadas ao mercado local.

Importância da saúde feminina para a Libbs

A ginecologia configura uma das áreas mais significativas para a farmacêutica. Além de representar 18,5% da receita bruta, conta com um portfólio composto por 19 marcas e 33 apresentações diferentes, ou seja, distintas formas de comercialização como comprimidos, cápsulas e outras dosagens.

A companhia mantém sua liderança histórica em contracepção e terapia hormonal para a menopausa, pilares que sustentam o negócio ao longo dos anos. O principal desafio atual é modernizar essa base consolidada. Considerando o crescimento ocorrido em um mercado que permaneceu quase parado, o portfólio de saúde feminina é mais antigo em relação a outras áreas da empresa. A estratégia recente, marcada pelos lançamentos de Nextela e Zaila, tem como objetivo renovar essa carteira e adequá-la às necessidades contemporâneas das pacientes.

A inovação com probióticos e o desafio de conquistar médicos

O lançamento do Zaila ocorre em um momento importante, pois a Anvisa passou a autorizar o registro de probióticos com indicações que vão além da saúde intestinal. Até pouco tempo, não era permitido no Brasil registrar probióticos voltados à microbiota vaginal, mesmo havendo comprovação clínica sobre seus benefícios.

Essa alteração regulatória abriu caminho para o desenvolvimento do produto, que associa duas cepas de lactobacilos – Lacticaseibacillus rhamnosus GR-1 e Limosilactobacillus reuteri RC-14 – reconhecidas mundialmente pelas pesquisas em saúde vaginal. A Libbs afirma que será a única empresa no mercado nacional a oferecer essa combinação, apoiada pela parceira Novonesis, que conta com mais de 40 estudos científicos relacionados às cepas.

Entretanto, o produto enfrenta um obstáculo tradicional: conquistar o convencimento dos médicos. Anna pontua que muitos ginecologistas já compreendem a importância da flora vaginal, mas faltava uma opção aprovada no Brasil. A empresa precisa demonstrar à classe médica que cada cepa possui uma indicação específica sustentada por evidências, para que o profissional possa fazer a melhor recomendação para suas pacientes.

A Libbs já vivenciou resistência semelhante no passado. Quando introduziu biossimilares, medicamentos biológicos genéricos, no Brasil por volta de 2012, havia receio dos médicos em utilizá-los em pacientes com câncer, o que dificultava até mesmo a realização de estudos clínicos. Foi necessário apresentar uma série de dados pré-clínicos e clínicos até que, no primeiro ano, os biossimilares alcançassem aproximadamente 30% de participação no mercado.

Os desafios do Brasil para criar medicamentos inovadores

A trajetória da Libbs também ilustra as limitações existentes no Brasil para a inovação farmacêutica. Embora o país seja o sétimo maior mercado do mundo nesse setor, ele representa apenas cerca de 1,5% do mercado global, ao passo que os Estados Unidos respondem por aproximadamente metade das vendas mundiais.

Desenvolver um produto destinado exclusivamente ao Brasil mostra-se financeiramente inviável, devido principalmente aos altos custos e à burocracia envolvida nos estudos clínicos, apesar dos recentes esforços da Anvisa para agilizar os processos. Anna destaca o paradoxo de o Brasil ser um dos melhores países para a realização de pesquisas clínicas, graças à sua população diversa e representativa, mas mesmo assim perder pesquisadores que preferem atuar no exterior em ambientes mais ágeis.

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