A imobiliária paranaense que surgiu na era da missão Apollo e mira faturar R$ 2 bilhões
Com uma rede de 90 franquias espalhadas pelo Sul do Brasil e Paraguai, a Apolar Imóveis está focada em dobrar suas unidades e experimenta um método inovador para avançar além de sua região tradicional.
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Fundada em Curitiba, Paraná, no ano de 1969 pelo empreendedor Joseph Galiano, a Apolar Imóveis tem seu nome inspirado no projeto Apollo da NASA, que na mesma época levou o homem à Lua. O atual CEO, Gutemberg Raicherth, que está na empresa há 28 anos e na liderança executiva há três, destaca essa conexão histórica e seu significado para a companhia.
Ao longo de 57 anos, a Apolar se transformou em um empreendimento expressivo, projetando um volume geral de vendas (VGV) superior a R$ 2 bilhões para o ano de 2026. O plano estratégico inclui dobrar o número de franquias nos próximos dois a três anos.
Hoje, a companhia opera 90 unidades no Sul do país e no Paraguai, e recentemente inaugurou sua primeira franquia em Minas Gerais, testando assim um modelo diferente de expansão além de sua área de atuação original.
De acordo com Raicherth, a meta para 2026 está fundamentada na combinação da abertura de novas franquias e ganhos em eficiência operacional, sustentando um crescimento sólido e balanceado a longo prazo.
Origem e trajetória da Apolar
Inicialmente, a Apolar atuava como uma imobiliária tradicional focada em compra e venda de imóveis em Curitiba. Nos anos 1970, incorporou o serviço de locação a pedido do mercado. Posteriormente, expandiu seus negócios para incluir loteamentos e lançamentos imobiliários.
O marco decisivo ocorreu em 1996, quando a empresa converteu cerca de 10 a 12 lojas locais em franquias, tornando-se assim pioneira no sistema de franquias imobiliárias no Brasil.
Atualmente, a gestão está sob responsabilidade dos dois filhos mais velhos de Galiano, que adquiriram a empresa ainda em vida do fundador, evitando disputas familiares. Esse processo promoveu a criação de um conselho de família e um conselho administrativo, com Raicherth convidado para conduzir a liderança executiva.
Desafios enfrentados no setor imobiliário
A digitalização do mercado imobiliário ganhou impulso com plataformas como o QuintoAndar, fundada em 2012, que revolucionou o sistema de aluguel tradicional. Conforme aponta Raicherth, empresas que não acompanham essa inovação correm risco de desaparecer.
A Apolar respondeu a essa realidade desenvolvendo sua própria operação digital chamada Ops, possibilitando a gestão eficiente de cerca de 15 mil imóveis locados e um universo aproximado de 30 mil clientes entre proprietários, inquilinos e fiadores, tornando impossível administrar esse volume sem suporte tecnológico.
A pandemia acelerou a adaptação do mercado e consumidores ao ambiente digital. Para atender a essa demanda, a empresa lançou uma universidade corporativa interna, a UniAp, focada na capacitação dos colaboradores e franqueados em novas competências digitais.
Estratégia e plano de crescimento
A expansão da Apolar segue uma estratégia geográfica sólida, avançando a partir de regiões onde já possui reconhecimento e presença, utilizando esse conhecimento para definir as localidades ideais para novas unidades.
Por exemplo, a entrada no litoral catarinense foi motivada pela demanda dos clientes de Curitiba; ao ingressar no interior do Paraná, estendeu-se ao litoral paranaense para atender os interesses dessa nova base.
No Rio Grande do Sul, a Apolar está presente em Passo Fundo e pretende aumentar sua atuação no norte do estado. Em Santa Catarina, o foco permanece nas regiões litorâneas de Itapema, Porto Belo e cidades próximas, áreas que apresentam mercado imobiliário aquecido.
No Paraguai, já são cinco unidades abertas em Assunção, com mais cinco em processo de implantação. A expansão por lá é gradual, com atenção em estabilizar cada operação antes da abertura de novas lojas, dada a diferença do mercado local.
Barbacena, em Minas Gerais, representa a primeira incursão da Apolar fora do eixo Sul, adotando um modelo diferente de franquia que envolve a cessão de nome e tecnologia sem o repasse integral do know-how operativo, o que reduz a necessidade de presença física da franqueadora. Essa é uma estratégia que será testada para expansão em São Paulo e regiões vizinhas.
Contexto de mercado e concorrência
O cenário econômico atual impõe desafios, como juros elevados que oneram o crédito imobiliário e dificultam o acesso à compra. Paralelamente, o setor de locação enfrenta turbulências com o avanço do aluguel por temporada, conhecido como short stay, que disputa espaço com o aluguel convencional e ainda está em processo de regulamentação.
Raicherth observa que o mercado de short stay ainda está em fase de entendimento e ajustes regulatórios por parte das imobiliárias.
Apesar dessas adversidades, a visão para compra e venda de imóveis é otimista. Em Curitiba, a falta de lançamentos por anos gerou um estoque de imóveis que desemboca simultaneamente no mercado, criando oportunidades para compradores e investidores. Além disso, programas governamentais como o Minha Casa Minha Vida continuam a impulsionar a demanda, assim como a ampliação das faixas de financiamento pela Caixa Econômica Federal reforça a acessibilidade ao crédito.
A Apolar sustenta a confiança na força do seu modelo, evidenciada pelo baixo índice de fechamento de unidades — menos de três lojas encerradas desde 1996 — e emprega essa estabilidade como argumento para atrair novos franqueados.
Para alcançar a meta de dobrar a quantidade de franquias em até três anos, a empresa busca franqueados qualificados em um mercado de franchising em expansão, embora jovem no Brasil. A Apolar disponibiliza cinco formatos distintos de franquia para diversificar o perfil de investidores e ampliar sua captação.
O principal risco reside na velocidade dessa expansão, especialmente em localidades onde a marca ainda é pouco conhecida e o novo modelo está sendo testado, afastando-se da expansão orgânica e consolidada que caracterizou os quase 30 anos de franchising da empresa. Ainda assim, essa é uma trajetória necessária para manter o crescimento da companhia.



