‘In Trump We Trust’: a razão pela qual Taiwan reforça a aliança com os EUA e resiste à China
A relação entre Taiwan e Estados Unidos permanece firme, fundamentada na ameaça crescente da China e no apoio militar americano. Enquanto muitos parceiros tradicionais dos EUA enfrentam incertezas e procuram diversificar alianças, Taiwan insiste em manter o vínculo estreito com Washington como forma de garantir sua segurança e prosperidade.
Na terça-feira (3), o presidente de Taiwan destacou a importância de fortalecer os laços econômicos e de segurança com os Estados Unidos, enfatizando áreas como inteligência artificial, drones, minerais estratégicos e cadeias produtivas que excluam a China. Essas declarações vieram após discussões econômicas em Washington, consideradas cruciais para solidificar a parceria bilateral, apontada como capaz de gerar crescimento mútuo.
A despeito das tensões comerciais enfrentadas durante a gestão Trump, incluindo tarifas elevadas que impactaram Taiwan e outros parceiros, houve uma recente redução nas tarifas mediante acordo que propicia investimentos para ampliar a produção americana de semicondutores, renovando a confiança da ilha em sua cooperação com os Estados Unidos.
Essa postura de Taiwan contrasta com a movimentação de outras nações ocidentais, que, diante de ameaças comerciais e políticas de Washington, buscam alternativas inclusive se aproximando de Pequim. No espectro asiático, países aliados dos EUA adotam estratégias próprias para equilibrar interesses. O Japão, por exemplo, tenta reduzir sua dependência da China em componentes e matérias-primas, além de ampliar investimentos em setores estratégicos como semicondutores, ao mesmo tempo em que estreita relações econômicas com União Europeia, Austrália e outros, mantendo o compromisso com o comércio livre e o multilateralismo, em contraponto à abordagem dos EUA sob Trump.
Da mesma forma, a Coreia do Sul, apesar de ter uma relação de segurança fundamental com Washington, enfrentou momentos de tensão, como a operação de imigração em uma fábrica da Hyundai que causou detenções em setembro. O presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, entretanto, elogia Trump e tem solicitado apoio americano para retomar negociações com a Coreia do Norte, enquanto também amplia a cooperação econômica com a China, seu maior parceiro comercial.
Em Taiwan, a percepção predominante — entre estrategistas militares e a população em geral — é que, diante do enorme poderio militar chinês, a ilha teria dificuldades para resistir a uma invasão sem o suporte dos Estados Unidos. Pequim reivindica Taiwan como parte de seu território e não hesita em ameaçar o uso da força para anexá-la.
Durante a administração Trump, apesar da aproximação pública do ex-presidente com Xi Jinping, incluindo cúpulas e uma estratégia de segurança nacional de dezembro que não nomeava a China como maior desafio, houve importantes decisões que reforçaram a confiança de Taiwan, como a aprovação de US$ 11,1 bilhões em vendas de armamentos para a ilha e o acordo tarifário de janeiro que favoreceu as trocas comerciais.
A atual direção em Taipé, alinhada à mensagem de Trump de que os parceiros tradicionais dos EUA devem reforçar seus compromissos, tem pressionado para ampliar significativamente as compras de equipamentos militares americanos.
No discurso proferido pelo presidente Lai Ching-te, após o primeiro encontro presencial do Diálogo de Parceria Econômica e de Prosperidade EUA-Taiwan, ficou clara a delicadeza política para melhorar as relações com os Estados Unidos. Recentemente, legisladores da oposição em Taiwan bloquearam a votação do orçamento de defesa apresentado pelo governo que contempla as últimas aquisições militares aprovadas pelos EUA.
Enquanto isso, uma delegação do principal partido oposicionista de Taiwan, o Kuomintang, manteve encontros com representantes do Partido Comunista Chinês em Pequim. O vice-presidente da legenda, Hsiao Hsu-tsen, defendeu o fortalecimento das relações econômicas com a China como forma de proteção econômica, sem citar os Estados Unidos, afirmando que o objetivo é “cooperar através do estreito para ganhar dinheiro do mundo”, evitando que outros países estrangeiros se aproveitem da situação e “esvaziem os recursos de Taiwan”.
Em contraposição, Lai apelou para que o legislativo aprove o acordo tarifário com os EUA, argumentando que participar do mercado global ao lado de parceiros americanos e de mentalidade semelhante traz mais benefícios ao desenvolvimento econômico taiwanês do que aceitar a influência chinesa.



