Churrasco mais caro: preço da picanha aumenta mais de 10% em 2026; confira a variação dos cortes
A prévia da inflação de junho indica que todos os cortes de carne bovina apresentaram aumento no primeiro semestre deste ano. A alta mais significativa foi observada na picanha, que subiu 10,66%, seguida pelo filé-mignon, com avanço de 10,2%.
A forte demanda dos frigoríficos brasileiros por exportar para a China resultou na redução da oferta de carne no mercado interno, elevando os preços ao consumidor. O país asiático impôs uma tarifa de 55% para as exportações que ultrapassarem a cota anual estabelecida.
Para os próximos meses, é esperado que os valores continuem crescendo, impulsionados pelo fenômeno do El Niño e pelo aumento da procura nos Estados Unidos e na retomada das compras pela China.
A decisão da União Europeia de suspender as importações de carne bovina brasileira a partir de 3 de setembro deve ter pouco impacto financeiro, afetando mais a reputação do Brasil no mercado internacional.
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No primeiro semestre de 2026, os cortes de carne bovina mostraram elevação generalizada em seus preços. A picanha, que é muito apreciada nos churrascos brasileiros, teve um aumento acumulado de 10,66%, enquanto a alcatra subiu 9,48%.
O filé-mignon também teve expressivo crescimento, com 10,2% de alta, conforme apontado pela prévia da inflação divulgada em junho pelo IBGE.
Outros cortes como peito bovino e acém apresentaram elevações consideráveis de 10,9% e 9,33%, respectivamente. Os cortes com menores reajustes foram o patinho (6,61%) e o cupim (5,75%).
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Motivos para a alta nos preços da carne
O aumento nos preços da carne está relacionado à pressa dos frigoríficos em exportar para a China antes que a cota anual seja excedida. Isso causou uma redução na oferta de carne no mercado interno, pressionando os preços para cima.
Fernando Iglesias, da consultoria Safras & Mercado, explica que a medida de salvaguarda chinesa mudou o funcionamento habitual do mercado, pois o Brasil normalmente exporta mais carne no segundo semestre, mas este ano o maior volume está previsto para o primeiro semestre.
Desde janeiro, a China aplica uma tarifa de 55% para as exportações de carne bovina brasileiras que ultrapassarem o limite de 1,1 milhão de toneladas por ano. Para volumes dentro da cota, a alíquota permanece em 12%.
Apesar da China ter diminuído temporariamente suas compras, o cenário para o consumidor nacional ainda pode ser pressionado por futuras altas de preços, relacionadas a fatores como o El Niño e a demanda crescente nos Estados Unidos e na China, que deve voltar a comprar intensamente.
Oferta reduzida tem mais peso que o consumo interno
Fernando Iglesias observa que a alta nos preços da carne em 2026 não é tanto consequência de uma demanda interna muito aquecida, mas sim da oferta menor disponível no Brasil.
Um dos desafios do mercado brasileiro é o baixo poder de compra do consumidor e o elevado endividamento da população, agravados ainda pelo aumento dos gastos com apostas, que retiram recursos da economia, inclusive de itens essenciais como alimentos.
Um relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA reforça que as exportações aceleradas são a grande pressão para os preços. O envio de carne para a China cresceu 24% entre janeiro e maio de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, representando 51% das exportações totais.
As projeções mostram que o Brasil deve atingir 98% da cota anual para exportação à China ainda em junho, restando pouca margem para remessas isentas de tarifas adicionais em julho.
Iglesias destaca que a redução das compras chinesas pode aliviar temporariamente os preços da arroba no mercado interno, aumentando a disponibilidade de carne para o consumidor brasileiro no curto prazo.
Por outro lado, no último trimestre do ano, a expectativa é de pressão elevada, devido à forte demanda interna, americana e chinesa, além do impacto do fenômeno climático El Niño, que tende a reduzir a oferta de gado pronto para abate.
Em geral, o mercado deve enfrentar restrição de oferta combinada com alta demanda, fatores que indicam uma tendência de aumento expressivo nos preços da carne.
O que esperar da suspensão das compras pela União Europeia?
A suspensão das compras da carne bovina brasileira pela União Europeia a partir de setembro não deve provocar impactos significativos no preço da carne no Brasil, segundo analistas.
Fernando Iglesias ressalta que a UE representa apenas 3,5% das exportações brasileiras de carne bovina e que o bloco europeu já não tem a mesma participação expressiva nas aquisições do que teve anteriormente.
Apesar disso, a União Europeia mantém importância simbólica como “mercado vitrine”, influenciando a opinião internacional e estabelecendo padrões que outros países tendem a seguir.
Assim, a medida pode afetar mais a imagem do Brasil no cenário global do que o volume exportado em si.
A decisão da UE se baseia no fato de o Brasil não demonstrar adequadamente o cumprimento das exigências relativas ao controle do uso de antibióticos na pecuária, entrando em vigor no dia 3 de setembro de 2026.




