Anúncio
Anúncio
Baby Boomers Aos 80 Anos Transformam O Conceito De Velhice

Baby Boomers Aos 80 Anos Transformam O Conceito De Velhice

Anúncio
Anúncio

Os baby boomers completam 80 anos e buscam transformar a velhice

Este ano, os primeiros integrantes da geração baby boomer atingem a marca dos 80 anos, trazendo consigo ideias inovadoras sobre consumo, saúde e moradia na terceira idade. Essa geração, que influenciou significativamente o passado, agora também molda a maneira como envelheceremos no futuro, reivindicando melhorias na assistência médica, habitação adequada, avanços contra a demência e a autonomia sobre o momento de morrer. A expectativa é que surjam novas profissões e produtos direcionados a esse público, cujo poder de compra continuará a impactar a economia e incentivar inovações.

Joseph Coughlin, diretor do AgeLab do MIT, destaca que esse grupo está reinventando o conceito de envelhecer. Diferentemente da “Geração Silenciosa” anterior, os baby boomers sempre tiveram ambições elevadas e usaram sua influência numérica, financeira e política para alcançar seus objetivos, o que tem efeitos positivos. “Sem expectativas de melhoria, acabamos aceitando as coisas como são”, afirma Coughlin.

Anúncio
Anúncio

Um exemplo vivo é Gaston Pereira, que atingirá 80 anos em 2026 e continua ativo trabalhando em uma fintech que abriu com seu filho. Ele reconhece a importância de manter-se mental e fisicamente ativo, um hábito mais comum entre os boomers do que entre seus predecessores, resultado da experiência vivida depois da Grande Depressão e da Segunda Guerra Mundial. “Fomos espíritos livres, acreditando que o céu era o limite, o que nos motivou a pensar diferente”, comenta.

No passado, alcançar os 80 anos era algo raro, pois a expectativa de vida geralmente não ultrapassava os 60 e poucos anos. Hoje, apenas nos Estados Unidos, quase 15 milhões de pessoas têm 80 anos ou mais, número que deve dobrar nas próximas duas décadas, conforme aponta o demógrafo William Frey, do Brookings Institution. Além disso, a expectativa média de vida para quem chega a essa idade é de 93 anos, segundo o Pew Research Center.

Transformações no padrão de consumo

Os baby boomers idosos tendem a ser mais educados e financeiramente estáveis do que as gerações anteriores, embora existam desigualdades econômicas dentro do grupo. Eles também são eleitores mais ativos, influenciando políticas públicas de saúde como o Medicare, e mantêm capacidade significativa de consumo.

Porém, essas mudanças ocorrerão de maneira diferente do passado. Michael Hurd, economista da Rand Corp, explica que os gastos pessoais diminuem após os 80 anos, independentemente da renda, com redução em despesas de lazer e aumento dos custos com saúde. Por exemplo, casais octogenários destinam cerca de 15,4% do orçamento à saúde, enquanto entre os de 65 a 69 anos esse gasto é de aproximadamente 11%.

O turismo, que representa menos de 5% dos gastos dos casais mais ricos com mais de 80 anos, está em transformação e deverá oferecer experiências mais lentas, culturais e educativas para atrair essa faixa etária.

Prioridade para melhor qualidade de vida

Com o aumento dos custos e da necessidade de cuidados, os boomers valorizam sistemas de saúde que entreguem resultados melhores e mais simplicidade. Espera-se a expansão de atendimentos domiciliares, telemedicina, tecnologias vestíveis, suporte a cuidadores e avanços em tratamentos contra a demência.

Atualmente, apenas 10% das faculdades de medicina exigem ensino voltado à geriatria, mas essa porcentagem deve crescer. O uso de robôs humanoides na assistência aos idosos também deve se popularizar.

Para essa geração, o foco principal é alcançar uma vida saudável, não apenas prolongar sua duração. Ken Dychtwald, CEO da Age Wave, destaca que, apesar dos Estados Unidos gastarem muito em saúde, o país está em 72º lugar no ranking de expectativa de vida com boa saúde.

Além disso, temas delicados como a eutanásia começam a ser discutidos mais abertamente, pois os boomers, acostumados a ter controle sobre suas vidas, não desejam enfrentar anos com condições degenerativas graves, como ELA ou demência avançada.

Richard Eggerman, com 80 anos, e sua esposa Linda, de 78, exemplificam essa postura. Mesmo saudáveis e ativos, eles encaram com seriedade a possibilidade de doenças terminais, defendendo que, após certa idade, os recursos médicos deveriam priorizar cuidados paliativos em vez de tratamentos dispendiosos, argumentando que o investimento deveria focar em recém-nascidos e pessoas em fase produtiva da vida.

Preferências sobre moradia na terceira idade

Ao atingir os 80 anos, muitos começam a reavaliar sua residência, e os baby boomers mais uma vez ditam tendências. Meredith Oppenheim, fundadora da Vitality Society, explica que esse grupo prioriza o bem-estar geral e deseja habitações que promovam longevidade. Quando optam por residências assistidas, a escolha gira em torno de alimentação saudável, atividades físicas e espaços estimulantes.

Esses idosos também querem ter voz ativa na administração dos recursos dedicados a serviços e segurança em seu ambiente de moradia.

O fator financeiro é decisivo, já que taxas para ingressar em comunidades planejadas variam de US$ 100 mil a US$ 400 mil, podendo atingir até US$ 7 milhões, enquanto as mensalidades ficam em torno de US$ 5 mil — valores elevados para muitos. Por isso, surgem alternativas mais acessíveis, como planos com menos serviços incluídos e médico presente sob demanda, não constante.

Muitos idosos preferem permanecer em suas casas, mas adaptando-as para maior acessibilidade, o que impulsionará o mercado de reformas residenciais. Como essa opção pode ser cara, há tendência de crescimento em moradias multigeracionais ou comunitárias.

Para Gaston Pereira, sua própria longevidade inspira seus filhos a refletirem sobre a vida aos 80 anos. No entanto, ele se indaga se eles também estarão dispostos a continuar trabalhando nessa fase da vida.

Fonte

Anúncio
Anúncio
Anúncio
Anúncio
Rolar para cima