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Bitcoin Enfrenta Pior Semana Desde FTX Com Temor De Baixa

Bitcoin Enfrenta Pior Semana Desde FTX Com Temor De Baixa

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Bitcoin sofre pior semana desde o colapso da FTX, reacendendo preocupações sobre novo ciclo de baixa

A recente queda do Bitcoin, que atingiu níveis abaixo de US$ 60.000 na última sexta-feira, marcou sua pior semana desde o colapso da exchange FTX, ocorrido em 2022. Tal movimento alarmou especialistas do mercado, que apontam que o processo de correção das criptomoedas pode estar longe de chegar ao fim.

Atualmente, embora os fatores que atuam no mercado pareçam menos dramáticos do que em crises anteriores, os indicadores técnicos mostram sinais de fraqueza, enquanto investidores têm retirado recursos de fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin. Esses sinais fazem aumentar a apreensão de que a trajetória de baixa possa continuar.

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Griffin Ardern, cofundador do fundo Primal Fund, destacou que ainda há espaço para mais quedas e que o mercado está longe de estabelecer um fundo sólido.

Após registrar uma queda de 16% na última semana, equivalente ao maior declínio semanal desde o impacto causado pela falência da FTX, o Bitcoin tentou uma leve recuperação. Esse movimento se insere num cenário negativo para as criptomoedas que teve início com o colapso da stablecoin TerraUSD em 2022, que provocou a perda de US$ 40 bilhões e desencadeou uma série de falências no setor.

O preço do ativo digital caiu para seu ponto mais baixo desde outubro de 2024, ficando mais de 50% abaixo da máxima histórica, que ultrapassou US$ 126.000 no ano anterior. Na manhã de quarta-feira, o Bitcoin operava em torno de US$ 61.500, registrando uma pequena queda de 1%.

A pressão vendedora da semana foi reforçada pela Strategy Inc., empresa de aquisição de Bitcoin liderada por Michael Saylor. Apesar de ter vendido uma pequena parte dos seus ativos, posteriormente comprou uma quantidade maior do ativo, porém a confiança dos investidores ainda não foi totalmente restaurada.

Um dos sinais técnicos preocupantes foi o rompimento do Bitcoin abaixo da média móvel de 200 semanas, considerada uma linha de suporte importante por muitos traders. A quebra abaixo desse nível pode indicar que os investidores tendem a vender nas altas, o que compromete a continuidade de uma recuperação.

Segundo Ardern, em momentos de fundo, as opções de longo prazo costumam refletir otimismo, mas isso não é observado atualmente. Enquanto isso, investidores continuam retirando dinheiro dos ETFs de Bitcoin à vista, com saídas líquidas de aproximadamente US$ 5,5 bilhões nos últimos 13 dias.

Paul Howard, diretor da Wincent, empresa de trading de criptomoedas, classifica esse episódio como um “mercado em baixa silencioso”, caracterizado pela ausência de um choque tão significativo quanto o ocorrido na FTX. Ele ressalta que a queda abaixo da média móvel de 200 semanas é um indicativo forte de que o mercado pode estar entrando em uma fase negativa, e a alta volatilidade indica que a recuperação pode não ser duradoura.

Impacto das expectativas de taxas de juros

Outra razão para a pressão no Bitcoin está relacionada às mudanças nas perspectivas sobre as taxas de juros. A expectativa de aumento dos juros desencoraja o investimento em ativos especulativos, como as criptomoedas. As tensões geopolíticas entre os EUA e o Irã, somadas aos dados robustos de emprego nos Estados Unidos, fizeram com que o mercado deixasse de prever cortes nas taxas pelo Federal Reserve, passando a considerar possíveis elevações.

Rajiv Sawhney, gestor da Wave Digital Assets, aponta que o Bitcoin perdeu a correlação positiva que possuía com as ações americanas, pois os fundos migraram para setores de inteligência artificial e tecnologia. Além disso, ele acredita que mesmo uma reversão recente nas ações dificilmente reverteria o foco para as criptomoedas.

Apesar do cenário atual, a correção sofrida pelo Bitcoin é menos severa que as anteriores. O ativo registra queda de cerca de 50% em relação ao pico, enquanto quedas anteriores chegaram a 80%. Após o ápice de 2021, o Bitcoin demorou mais de um ano para atingir o fundo, e outros 15 meses para recuperar os níveis máximos.

Esse histórico faz com que muitos investidores ainda hesitem em afirmar que o mercado atingiu um ponto de sustentação.

Hayden Hughes, sócio da Tokenize Capital, alerta para riscos específicos que afetam o setor cripto, como empresas que detêm grandes tesourarias em ativos digitais, por exemplo a Strategy, que podem ser forçadas a vender seus ativos em situações de aperto financeiro, agravando a volatilidade.

Ele também enfatiza que existem riscos sistêmicos no horizonte, que podem impactar os mercados de ações e se refletir nas criptomoedas nos próximos meses.

Embora a retração atual do Bitcoin não tenha a mesma magnitude dos ciclos anteriores, especialistas consideram que tal possibilidade ainda permanece em aberto.

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