Bitcoin pode retornar aos US$ 100 mil impulsionado por ETFs, afirmam analistas
Especialistas consultados pela Bloomberg Línea destacam que o caminho do bitcoin dependerá principalmente de três elementos: as decisões sobre as taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed), o progresso das regulamentações nos Estados Unidos e os investimentos realizados por meio dos fundos negociados em bolsa (ETFs). Atualmente, esses ETFs são vistos como o principal termômetro do interesse institucional no mercado cripto.
Após uma queda acentuada no primeiro trimestre de 2026, que levou o preço do bitcoin a aproximadamente US$ 60 mil, a criptomoeda mais conhecida atingiu a marca dos US$ 80 mil no começo de maio, um nível não visto nos últimos três meses.
Matias Bari, CEO e cofundador da plataforma de câmbio Satoshi Tango, comentou que o atual movimento de recuperação do bitcoin é diferente dos ciclos anteriores, pois agora grandes instituições financeiras estão entrando no mercado por meio de ETFs regulamentados, ao invés do impulso vir principalmente dos investidores de varejo. Segundo ele, esse tipo de capital tende a ser mais paciente e estruturado, oferecendo maior estabilidade para a valorização.
Para ilustrar a força dessa demanda institucional, Bari ressaltou que nos Estados Unidos os ETFs de bitcoin compram semanalmente uma quantidade da moeda que supera significativamente a produção minerada, criando uma pressão de compra inédita que funciona como um suporte no mercado mesmo durante períodos turbulentos.
Além disso, grandes bancos de Wall Street projetam que o bitcoin pode alcançar valores entre US$ 120 mil e US$ 150 mil até o final de 2026, embora haja variações nas estimativas, o consenso é claramente otimista em relação aos patamares atuais do ativo.
Matias Bari apontou ainda que a política monetária do Federal Reserve terá um papel-chave, pois taxas de juros menores favorecem ativos de maior risco, como é o caso do bitcoin. Ele também destacou que a aprovação das regulações para o setor de criptomoedas pelo Congresso americano poderia impulsionar ainda mais o aporte de capital institucional, e que os fluxos de entrada nos ETFs são hoje o principal indicador do apetite de mercado.
Segundo o executivo da Satoshi Tango, o bitcoin está evoluindo de um ativo de nicho e especulativo para uma classe aceita por bancos custodiais importantes, gestoras tradicionais e fundos soberanos, que o incorporam em carteiras diversificadas. Essa mudança não elimina a volatilidade, mas pode modificar o perfil do ativo e aumentar seu piso de preço a longo prazo.
Conforme relatório semanal da plataforma de câmbio Bitfinex, o bitcoin teve em abril seu melhor desempenho mensal em um ano, com alta próxima a 12%, o que contribuiu para elevar a capitalização total do mercado de criptomoedas para US$ 198 bilhões.
O documento destaca um marco importante no início de maio, quando o bitcoin superou os US$ 80 mil de forma convincente, rompendo a forte resistência entre US$ 78 mil e US$ 79 mil e chegando perto dos US$ 83 mil. Essa mudança reflete uma melhora estrutural no mercado, especialmente porque o preço voltou a superar o custo médio agregado real, situado em torno de US$ 79,8 mil.
Fabián Delgado, gerente de desenvolvimento de negócios da Bitfinex para a Colômbia e América Latina, avalia que o próximo alvo técnico relevante é um fechamento diário acima dos US$ 84.766, considerado limite superior da zona anterior de consolidação e indicativo de uma melhora estrutural para o restante do ano.
Os “compradores convictos” atualmente mantêm quase 4 milhões de bitcoin, o maior volume desde a crise da covid-19 em 2020, o que historicamente antecede recuperações expressivas ao diminuir a oferta disponível no mercado.
Renato Campos, CEO da Greyhound Trading, manifestou otimismo estrutural de longo prazo com o bitcoin, destacando que o ativo parece estar em uma fase de maior maturação institucional e integração progressiva nas carteiras globais. Apesar disso, ele alerta que a trajetória será provavelmente marcada por correções significativas, especialmente se o mercado de ações americano passar por uma contração mais intensa.
Campos acredita que o foco do mercado atualmente não está apenas na inflação ou nas taxas de juros, mas também na fragilidade de segmentos privados da dívida e do crédito corporativo, que podem ser o principal fator de volatilidade no segundo semestre.
Nesse contexto de tensão financeira, o bitcoin provavelmente continuará a se comportar, no curto prazo, como um ativo de risco correlacionado à liquidez global e aos movimentos do mercado acionário norte-americano. Por isso, mesmo com uma tendência geral de alta, correções importantes não podem ser descartadas antes de um novo ciclo expansivo.



