Bolsa em máximas históricas, Selic estável e variação no preço da gasolina: principais pontos da semana
A primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em 2026 confirmou a taxa Selic em 15% ao ano, conforme amplamente antecipado pelo mercado. A comunicação após a decisão indicou que o ciclo de redução dos juros deve começar em março, com cortes graduais esperados durante o ano.
O cenário base adotado prevê cinco diminuições seguidas de 0,50 ponto percentual cada, o que levaria a taxa básica para 12,50%. Mesmo com esses cortes, a taxa real de juros permaneceria próxima a 8%, acima do nível neutro estimado, refletindo as preocupações fiscais previstas para o próximo mandato presidencial e apoiando uma visão positiva para investimentos em renda fixa, especialmente em títulos indexados à inflação.
Ibovespa atinge novas máximas impulsionado por investimentos estrangeiros
O mercado acionário brasileiro continua atingindo recordes históricos, sustentado principalmente pela entrada constante de capital estrangeiro. No início deste ano, o aporte líquido estrangeiro já acumulou R$ 20,2 bilhões, o que representa cerca de 80% do volume total registrado durante todo o ano de 2025.
Esse fluxo reforça o papel do investidor internacional como principal sustentáculo do Ibovespa, em um cenário de busca por ativos providos de descontos e maior exposição a mercados emergentes, apesar dos riscos globais ainda vigentes.
Juros elevados globalmente mantêm sinais de alerta para mercados emergentes
No âmbito internacional, a deterioração das contas fiscais em economias desenvolvidas mantém os juros de longo prazo em níveis elevados. Ao mesmo tempo, as persistentes incertezas geopolíticas agravam os riscos para países latino-americanos.
Os conflitos prolongados e o surgimento de novas tensões regionais reforçam o cuidado dos investidores, principalmente devido aos possíveis impactos nas moedas emergentes, no fluxo de capital e nos preços de commodities estratégicas, como o petróleo.
IPCA-15 de janeiro apresenta resultados mistos para inflação
O IPCA-15 registrou aumento de 0,20% em janeiro, muito próximo às estimativas do mercado. Com isso, o índice acumulado em 12 meses subiu de 4,41% para 4,50%, mantendo-se acima do centro da meta estabelecida.
Os resultados indicaram movimentos pontuais em itens mais voláteis. Os alimentos para consumo doméstico surpreenderam com queda nos preços, influenciados especialmente pela redução acentuada no valor do leite, enquanto bens industrializados pressionaram a inflação, com aumentos expressivos em perfumes e aparelhos telefônicos.
Tensões geopolíticas continuam no radar dos investidores
O ambiente internacional permanece marcado por incertezas, com ações recentes dos Estados Unidos envolvendo a Venezuela e o aumento das tensões geopolíticas na Groenlândia. Além disso, o conflito entre Rússia e Ucrânia não apresenta avanços significativos, e novos protestos têm ocorrido no Irã.
Esses fatores ampliam o nível de risco global e exigem cautela dos investidores, sobretudo por seus potenciais efeitos sobre as moedas de países emergentes e na dinâmica dos preços do petróleo.
Resultados e destaques no desempenho de empresas brasileiras
Vale (VALE3) supera expectativas operacionais
A Vale divulgou um desempenho operacional forte no quarto trimestre de 2025, superando as estimativas anuais de todas as suas divisões. O destaque principal foi a área de metais básicos, que apresentou evolução constante durante o período.
Apesar do cenário positivo operacionalmente, a avaliação para a companhia permanece neutra devido à expectativa de estabilização dos preços do minério de ferro. Contudo, a valorização do cobre e o apetite global pelos mercados emergentes podem contribuir para o desempenho relativo das ações.
WEG (WEGE3) e Embraer (EMBJ3) mantêm ritmo positivo no setor de bens de capital
Durante a segunda Conferência XP de Bens de Capital, foi reforçada a confiança na capacidade da WEG para lidar com desafios como tarifas e custos globais, mantendo margens saudáveis e crescimento sustentável.
No caso da Embraer, o destaque ficou por conta dos múltiplos aspectos da tese de investimento, incluindo a expansão para a Índia e os avanços da subsidiária Eve. No setor de autopeças, a estratégia segue focada na redução da alavancagem.
Petrobras (PETR4) anuncia redução no preço da gasolina para distribuidoras
A Petrobras informou uma diminuição de R$ 0,14 por litro no preço da gasolina nas refinarias, o que representa uma queda de 5,2%. Apesar da redução, o valor ainda mantém um prêmio em relação à paridade internacional.
Essa medida deve provocar perdas pontuais para as distribuidoras no estoque durante o primeiro trimestre de 2026, compensando parcialmente o aumento do ICMS ocorrido no início do ano. O efeito, entretanto, é previsto como temporário.
Gestores multimercados mostram preferência pelo real
Uma pesquisa recente indica que 72% dos gestores multimercados estão posicionados com exposição comprada em real. Esse movimento reflete um momento mais favorável para essa categoria, que voltou a apresentar rendimento superior ao CDI.
O retorno das estratégias multimercados ressalta seu papel como ferramenta de diversificação nas carteiras, especialmente num cenário de maior volatilidade e alterações no ciclo da política monetária.
Embraer finaliza 2025 com entregas robustas
Embraer apresentou resultados operacionais sólidos no último trimestre de 2025, beneficiada por uma sazonalidade positiva nas entregas, totalizando 91 aeronaves no período.
No balanço anual, a companhia atingiu as metas previstas na aviação comercial e alcançou o topo da faixa estimada na divisão executiva, reforçando a visibilidade operacional para o ano de 2026.



