Brasil Pode Aumentar Produtividade Com IA Em Até 1,4%

Brasil Pode Aumentar Produtividade Com IA Em Até 1,4%

Brasil pode aumentar produtividade em até 1,4% ao ano com inteligência artificial, aponta Moody’s

De acordo com um relatório da agência Moody’s, o Brasil encontra-se entre os mercados emergentes capazes de impulsionar sua produtividade anual em uma faixa de 0,4% a 1,4% pela adoção da inteligência artificial. Essa projeção considera principalmente o impacto da inteligência artificial generativa (GenAI), com destaque para ganhos obtidos por meio da automação, ampliação das capacidades produtivas e reintegração dos trabalhadores deslocados.

A avaliação, fundamentada em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), indica que as economias desenvolvidas devem alcançar avanços produtivos mais expressivos, entre 1,2% e 2,9% ao ano. O desempenho inferior dos países emergentes se explica pelas diferenças estruturais em relação ao mercado de trabalho, sobretudo na composição ocupacional.

Um exemplo citado é Luxemburgo, que pode atingir até 3% de crescimento anual na produtividade. O Brasil, conforme o estudo, integra a média dos mercados emergentes, situada em 1,4% ao ano, inferior aos 2,1% calculados para as nações desenvolvidas.

Além disso, o país faz parte do Índice de Prontidão para a IA, um indicador que avalia a capacidade institucional e tecnológica para absorver os benefícios trazidos pela inteligência artificial. No ranking, o Brasil posiciona-se atrás de países como Chile, Uruguai, Costa Rica e Polônia, mas está à frente de Panamá, Filipinas e África do Sul.

Impacto da estrutura econômica e adoção da IA

A Moody’s destaca que a limitada exposição de mercados emergentes a ocupações altamente suscetíveis à automação via IA explica a moderação nos ganhos de produtividade projetados. O avanço esperado na maior parte das economias decorre da automação, ainda que o impacto real dependerá da capacidade de reinserção profissional dos trabalhadores envolvidos e do surgimento de novas funções.

Adicionalmente, a velocidade com que cada país incorpora a tecnologia, junto com a eficácia de suas políticas públicas, população e níveis de desemprego, influenciarão os resultados concretos. A agência alerta que governos podem optar por desacelerar a implementação da IA para reduzir os custos sociais e fiscais que acompanham o deslocamento de funcionários, o que pode limitar os ganhos da automação em regiões com pouco desemprego estrutural.

No cenário brasileiro, a faixa prevista para os mercados emergentes permanece, mas a efetiva concretização dos benefícios dependerá da rapidez na adoção tecnológica e das condições regulatórias e políticas públicas vigentes.

Projeções de crescimento e nuances globais

Segundo a Moody’s, há variações importantes dentro de cada grupo econômico. Países emergentes com maior preparo tecnológico podem alcançar avanços mais rápidos. Um estudo simulado sugere que a redução do tempo de incorporação dos ganhos de produtividade, de 10 para 6 anos, pode elevar em 0,2 pontos percentuais a expansão anual.

Por fim, o relatório evidencia que, apesar de ganhos superiores em economias avançadas, as diferenças estruturais no mercado ocupacional e as estratégias de políticas econômicas têm papel fundamental para o ritmo e a magnitude dos benefícios decorrentes da inteligência artificial.

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