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Brasil Tem Eletrificação Abaixo Da Média Global, Aponta Schneider Electric

Brasil Tem Eletrificação Abaixo Da Média Global, Aponta Schneider Electric

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Brasil apresenta índice de eletrificação inferior à média global, afirma VP da Schneider Electric

Frederic Godemel destaca potencial para ampliar o uso de energia elétrica na indústria, especialmente nos setores alimentício e farmacêutico

De acordo com Frederic Godemel, vice-presidente executivo da Schneider Electric, multinacional francesa especializada em tecnologia de energia, o Brasil ainda utiliza a eletricidade como fonte primária de energia em uma proporção menor quando comparado ao desempenho mundial. Em entrevista concedida em São Paulo, ele ressaltou que a eletrificação do país corresponde atualmente a 18% do consumo energético, ficando abaixo da média internacional de 22% e distante dos principais países, onde esse índice pode chegar a 30%.

Godemel afirmou que existe uma ampla margem para expandir a eletrificação em diversos segmentos industriais de menor porte, citando os setores de alimentos e bebidas, farmacêutico, montagem de veículos e processos de pintura industrial como exemplos que podem se beneficiar desse avanço. Segundo ele, o retorno financeiro para tais investimentos costuma ser inferior a uma década, um cenário que pode se tornar ainda mais favorável diante da instabilidade dos preços dos combustíveis fósseis, acentuada por crises internacionais recentes, como a do Oriente Médio.

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Integração de aplicações renováveis e digitalização da rede elétrica

Questionado sobre os desafios do Brasil para incorporar fontes renováveis de energia, especialmente solar e eólica, à sua rede elétrica tradicional, Godemel explicou que a gestão das flutuações geradas pela energia solar demanda um elevado nível de digitalização tanto na infraestrutura de distribuição quanto no consumo. Ele destacou que em outros países, onde a geração solar ultrapassa 50%, a rede já opera de forma eficiente graças ao uso intensivo de dados que auxiliam no equilíbrio e flexibilidade do sistema.

No contexto brasileiro, o especialista ressaltou a vantagem da hidroeletricidade, uma fonte estável, ao passo que outros países optam por matrizes energéticas diversificadas. A digitalização, portanto, se mostra fundamental para aprimorar a operação destas redes híbridas.

Perspectivas para veículos elétricos e ampliação da infraestrutura

Sobre a adoção de veículos elétricos no Brasil, Godemel observou que o país está iniciando sua transição, processo que deve se estender por uma década ou duas para ocorrer plenamente. Ele considera que a infraestrutura de recarga está começando a ser implantada e já há interesses de empresas internacionais em investir neste segmento. Além disso, frisou que o Brasil possui uma produção abundante de energia elétrica, fator decisivo para impulsionar a eficiência dos carros elétricos, que são, em média, 50% mais econômicos que os veículos movidos a combustíveis fósseis.

Inovações apresentadas na feira Hannover Messe

A Schneider Electric trouxe à feira tecnologia avançada para automação de processos, incluindo soluções de virtualização para controle industrial. Outra inovação destacada foi a arquitetura híbrida para redes elétricas que combina tecnologias de corrente alternada e contínua, pensada para integrar energias renováveis de forma mais eficiente.

Godemel também apresentou melhorias em software baseadas em inteligência artificial, que auxiliam na gestão de energia e no gerenciamento de crises, como tempestades ou períodos de escassez. Segundo ele, no Brasil, 60% das distribuidoras já utilizam essas tecnologias digitais em redes elétricas, contando com clientes como CPFL, Equatorial, Energisa e Cemig, através do sistema AGMS que cobre uma parcela expressiva da população.

Capacidades da inteligência artificial no setor elétrico

O executivo explicou que com a digitalização dos sistemas elétricos é possível monitorar e gerenciar equipamentos variados, como sistemas de climatização, redes de distribuição, carregadores de veículos elétricos e baterias. A inteligência artificial, ao analisar padrões históricos desses dados, consegue realizar previsões sobre o consumo e ajudar a manter a operação eficiente dos edifícios ou instalações industriais.

Porém, ressaltou que a eficácia da IA depende do alinhamento com o conhecimento físico dos sistemas elétricos, uma especialidade da Schneider Electric, pois somente com dados confiáveis e válidos é possível ampliar o uso dessas tecnologias em larga escala.

Avanços na automação industrial e importância do software definido

Godemel trouxe ainda à tona a evolução iniciada há mais de um século, como o lançamento do primeiro Controlador Lógico Programável (CLP) em 1969, que revolucionou a indústria ao permitir maior eficiência. Hoje, ele destaca a transformação que ocorre com a automação definida por software, que desacopla o hardware do sistema operacional, facilitando atualizações, modernizações e reforço da segurança cibernética de maneira remota, uma mudança disruptiva nos sistemas industriais e de energia.

Influência da crise do Oriente Médio na transição energética

Segundo ele, crises envolvendo o petróleo, como a atual no Oriente Médio e a anterior na Ucrânia, aceleram a substituição por eletricidade devido ao aumento e instabilidade nos preços dos combustíveis fósseis. Para o Brasil, isso representa uma oportunidade para ampliar o uso de energia elétrica, embora a infraestrutura de suporte, especialmente estações de recarga, exija tempo e acordos entre governo e iniciativa privada para crescer.

Godemel enfatiza que a instalação de soluções elétricas, como painéis solares e carregadores de veículos, é significativamente mais rápida e prática que toda a cadeia necessária para combustíveis fósseis, além de promover maior resiliência ao sistema energético pela descentralização.

Competitividade entre Europa e China em tecnologias energéticas

O executivo apontou que atualmente a China lidera no desenvolvimento de semicondutores, eletrônica de potência e baterias, tecnologias essenciais para o futuro da energia. Já as inovações em gestão de energia digital tendem a vir de empresas europeias, que enfrentam o desafio de acelerar sua capacidade de inovação e formar especialistas nesse segmento.

Além disso, destacou a predominância chinesa nas redes digitais, setor em que a Schneider mantém uma equipe de Pesquisa e Desenvolvimento no país, mas que também busca estar próxima dos mercados locais, como o brasileiro, para adaptar suas soluções às necessidades específicas de cada sistema energético.

Fonte

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