Coleção Rara de Relógios Antigos da Cartier Vai a Leilão e Pode Render Mais de R$ 75 Milhões
Um conjunto excepcional de mais de 300 relógios antigos da Cartier, reunido por um único colecionador ao longo de 25 anos, será colocado à venda em leilões realizados em Hong Kong, Genebra e Nova York. Espera-se que essa coleção alcance vendas superiores a US$ 15 milhões (aproximadamente R$ 75 milhões) durante os eventos organizados pela Sotheby’s até o final do ano.
Batizada de “The Shapes of Cartier: The Finest Vintage Grouping Ever Assembled”, a seleção apresenta peças raras que cobrem quase cem anos dos designs mais emblemáticos da maison francesa, abrangendo os famosos ateliês da Cartier localizados em Paris, Londres e Nova York.
Peça Estrela do Leilão: Cartier London Crash de 1987
Dentre as joias da coleção, destaca-se um raro modelo Cartier London Crash em ouro amarelo datado de 1987, considerado uma das três unidades produzidas naquele ano. Estima-se que esse relógio alcance valores entre US$ 400 mil e US$ 800 mil (equivalente a cerca de R$ 2 milhões a R$ 4 milhões). Conhecido pelo formato assimétrico e aparentemente “derretido”, o Crash é um dos designs mais peculiares da relojoaria, criado originalmente em 1967 na loja Cartier da Bond Street. Sua forma única foi desenvolvida pela visão do próprio Jean-Jacques Cartier em colaboração com o designer-chefe Rupert Emmerson, e acredita-se que menos de doze exemplares originais tenham sido fabricados entre 1967 e 1970.
Além do Crash, o acervo inclui relógios que marcaram época, como o Santos — primeiro relógio de pulso da marca — e outros ícones como o Tank, Baignoire, Cintrée e Octagonal.
Importância e Raridade da Coleção
Sam Hines, presidente global da divisão de relógios da Sotheby’s, ressaltou a singularidade da coleção, que se distingue tanto pela variedade quanto pela profundidade, especialmente por sua impressionante seleção de peças Cartier London. Muitas dessas peças são consideradas sem precedentes e dificilmente vistas anteriormente no mercado de leilões.
Renascimento e Popularidade da Cartier
A Cartier, que integra o portfólio da Cie Financière Richemont SA sob a liderança de Johann Rupert, tem experimentado um ressurgimento cultural importante. No último ano fiscal, a Richemont alcançou receita recorde superior a 20 bilhões de francos suíços (aproximadamente US$ 25 bilhões), com a divisão Jewellery Maisons, liderada pela Cartier, como principal responsável pelo crescimento.
Segundo a análise de Jean-Philippe Bertschy, analista da Vontobel, a Cartier responde por cerca de 53% das vendas totais do grupo Richemont.
Este desempenho financeiro é impulsionado por uma mudança geracional no consumidor de luxo. A Cartier que antes era símbolo de colecionadores tradicionais, tornou-se referência entre Millennials e a geração Z. Famosos como Lana Del Rey e Dua Lipa são novos adeptos da marca, enquanto homens influentes como Timothée Chalamet e Dwyane Wade também ajudaram a elevar o status da Cartier no público masculino.
Foco no Vintage e Produção Cartier London
Especialmente valorizados no momento são os relógios vintage da Cartier, que despertam verdadeiro fascínio entre colecionadores por exigir conhecimento detalhado das referências, características pouco conhecidas, tipos de punção e origens dos ateliês. Diferente do mercado de relógios esportivos, cujo valor muitas vezes é movimentado pela especulação, as peças antigas da Cartier recompensam um entendimento profundo do produto.
A produção da Cartier London, realizada em um período criativo e experimental entre 1967 e 1974 sob a tutela de Jean-Jacques Cartier, é especialmente reverenciada. Modelos inovadores como a Decagonal, Octagonal e Asymétrique foram feitos em quantidades limitadas, tornando-se extremamente raros e quase nunca vistos em leilões.
Agenda dos Leilões
O primeiro leilão da coleção será realizado em Hong Kong, a partir do dia 24 de abril. Em seguida, os eventos continuarão com os leilões Important Watches, programados para 10 de maio em Genebra e 15 de junho em Nova York.





