Como a Shell tem lucrado com a volatilidade do petróleo provocada pela guerra no Irã
A guerra no Irã e o consequente fechamento quase total do Estreito de Hormuz geraram uma elevação expressiva nos preços de petróleo e gás natural. A Shell tem capitalizado esse cenário favorável para impulsionar seus resultados financeiros.
Resultados impulsionados pelo trading durante o conflito
Os operadores da área de trading da Shell aproveitaram as intensas flutuações nos preços do petróleo decorrentes da guerra para registrar o melhor trimestre da companhia em dois anos. No primeiro trimestre, o lucro ajustado do setor de químicos e produtos da Shell, que engloba suas atividades de negociação de petróleo, disparou para US$ 1,93 bilhão, um crescimento significativo em relação aos US$ 449 milhões do mesmo período do ano anterior.
De acordo com o CEO Wael Sawan, a volatilidade observada especialmente em março criou oportunidades para que os traders aumentassem posições compradas em petróleo bruto, derivados e gás natural, redirecionando esses recursos para mercados mais rentáveis.
Impactos da guerra e interrupções na produção
O conflito e o bloqueio virtual do Estreito de Hormuz, pela qual diariamente passa cerca de 20% do fornecimento global de petróleo e gás, levaram a fortes aumentos nos preços e a variações frequentes de curto prazo nos mercados energéticos. Enquanto isso, algumas operações da Shell no Oriente Médio sofreram interrupções. Ataques iranianos no Catar danificaram uma das unidades da planta Pearl GTL, exigindo cerca de um ano para reparos. Além disso, embarques da planta de gás natural liquefeito (GNL), na qual a Shell detém 30% em parceria com a Qatar Energy, foram suspensos devido ao congestionamento no estreito.
Sawan afirmou que os reparos já começaram e que as instalações não afetadas estão preparadas para retomar as operações assim que o estreito for liberado.
Desempenho financeiro geral e ajustes estratégicos
O lucro ajustado total da Shell subiu para US$ 6,92 bilhões no primeiro trimestre, superando os US$ 5,58 bilhões do mesmo período do ano anterior, consolidando assim o melhor desempenho trimestral desde o início de 2024. Em razão desse cenário, a companhia diminuiu sua recompra de ações de US$ 3,5 bilhões para US$ 3 bilhões, estratégia apontada por Sawan para preservar caixa e possibilitar recompras futuras a preços potencialmente mais atrativos.
Produção afetada e perspectivas para os próximos meses
A Shell estima uma queda em sua produção em consequência dos danos e paralisações ocasionadas pela guerra. Aproximadamente 10% do total produzido na região do Catar foi impactado, enquanto a produção em Omã permaneceu estável até o momento. Para o segundo trimestre, a divisão integrada de gás deve registrar uma produção entre 580 mil e 640 mil barris de óleo equivalente por dia, contra 909 mil no trimestre anterior. Já a produção no segmento upstream pode variar entre 1,62 milhão e 1,82 milhão de barris por dia, comparado aos 1,84 milhão do primeiro trimestre, com esse recuo atribuído principalmente a manutenções agendadas, não relacionadas diretamente ao conflito.
Enquanto o conflito impulsiona a volatilidade e, consequentemente, os ganhos obtidos nas operações de trading, ele também impõe desafios operacionais significativos para a Shell e outras petroleiras com ativos no Oriente Médio.



