Crescimento Acelerado Dos ETFs No Brasil

Crescimento Acelerado Dos ETFs No Brasil

ETFs no Brasil: 25 anos em 5

Quando o assunto são ETFs, surge uma raridade no mercado financeiro brasileiro: um consenso claro. Profissionais como gestores, consultores, assessores e distribuidores concordam que o mercado de ETFs no Brasil está em uma trajetória irreversível de crescimento acelerado.

Essa transformação é perceptível. A diversidade de produtos disponíveis está aumentando rapidamente, impulsionada por uma demanda cada vez mais evidente dos investidores, consultores regulamentados pela CVM e assessores, sejam eles vinculados a modelos de taxa fixa ou de comissão. A mensagem dos clientes é unânime: buscam novas soluções, mais eficiência e alternativas melhores de investimento.

No entanto, apesar dessa concordância sobre o rumo do mercado, as dúvidas persistem sobre a forma como esse crescimento ocorrerá. Quais os produtos que irão liderar? Quem predomin será na distribuição? Qual modelo de aconselhamento predominará?

Para responder a essas perguntas, é útil observar o mercado americano, que já percorreu esse caminho na íntegra.

As fases do mercado americano de ETFs

Desde os anos 1990, o mercado de ETFs nos Estados Unidos passou por quatro fases distintas. Durante esse período, o volume de ativos sob gestão aumentou a uma taxa superior a 20% ao ano, ocasionando uma multiplicação aproximada de 600 vezes.

A primeira fase foi marcada por uma vantagem fiscal significativa, especialmente no segmento mais importante para os investidores americanos, que são as ações. Por cerca de 15 anos, os ETFs conquistaram espaço como a forma mais eficiente de se investir na bolsa.

Na sequência, após a crise financeira de 2008, o mercado entrou na segunda fase. A crise do Subprime impulsionou uma migração rápida do modelo tradicional de distribuição para um modelo de assessoria baseado em taxas fixas. Os investidores passaram a buscar instrumentos mais baratos, transparentes e eficientes para montar carteiras diversificadas em diversas classes de ativos.

Como resultado, os ETFs deixaram de ser apenas uma alternativa para se tornar o padrão de investimentos. Atualmente, nos EUA, é praticamente impensável encontrar uma carteira — seja de investidores individuais, fundos mútuos ou fundos soberanos — que não utilize ETFs.

A situação atual no Brasil

No Brasil, o cenário atual é fascinante por vivenciarmos as duas primeiras fases do mercado americano simultaneamente.

Na primeira delas, os ETFs de renda fixa emergem como o veículo mais eficiente, tanto em termos tributários quanto operacionais, especialmente para a principal categoria de investimento do brasileiro: a renda fixa local.

Embora ainda existam ativos isentos, eles são poucos, difíceis de acessar, concentrados, apresentam risco relevante de crédito e normalmente possuem prazos curtos. Para quem pensa numa alocação estrutural de longo prazo, a conclusão é clara: o ETF de renda fixa é a opção mais eficiente e, em última análise, inevitável.

Já na segunda fase, o modelo de assessoria baseado em taxas fixas no Brasil está se transformando rapidamente. Por muito tempo, acreditava-se que essa modalidade demoraria para ganhar escala, estimando, por exemplo, uma participação em torno de 10% em três anos.

No entanto, os dados de fechamento de 2025 mostraram uma participação próxima de 20%. Ainda mais relevante que o percentual é a mudança comportamental: o capital está migrando para estruturas e tecnologias que permitem ao alocador realizar seu trabalho principal — construir carteiras eficientes, diversificadas e com controle rigoroso dos custos. Hoje, o investidor escolhe a custódia, o alocador consegue consolidar informações com facilidade e atuar tecnicamente.

Nesse ambiente, passarão a ganhar espaço ETFs de crédito privado, ações brasileiras, investimentos internacionais, híbridos e outras estratégias que ofereçam alfa por meios ainda pouco eficientes no mercado nacional.

Perspectivas futuras

Minha convicção é clara: o que demandou mais de duas décadas para ocorrer nos Estados Unidos, em fases longas e sequenciais, está acontecendo simultaneamente no Brasil — e em ritmo acelerado.

Esse movimento começou há cerca de dois anos, mas 2026 representa um marco: o mercado deixou de ser uma promessa para se tornar uma realidade tangível. Em vez de poucos emissores oferecendo ETFs de renda fixa a baixas taxas isoladamente, estamos vendo uma adesão coletiva ao instrumento.

Quanto às próximas etapas, embora ainda dependam de ajustes regulatórios e operacionais, a terceira fase será caracterizada pela ascensão dos ETFs ativos. Já a quarta fase terá um escopo ainda mais amplo, com ETFs funcionando como veículos (wrappers) para praticamente qualquer ativo que disponha de alguma liquidez, ou que possa ser associado a algo líquido, ampliando o acesso a ativos que hoje são restritos a grandes volumes.

Com essas mudanças, a principal pergunta aqui não será mais “devo investir em ETFs?”, mas sim a que os investidores americanos costumam fazer ao montar qualquer tipo de alocação: “existe um ETF para isso?”

Bruno Stein é diretor executivo e responsável pelos ETFs da Galapagos Capital. Contato: bruno.stein@galapagoscapital.com

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