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Crise Em Tesourarias De Bitcoin E O Colapso Das SPACs

Crise Em Tesourarias De Bitcoin E O Colapso Das SPACs

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Modelos de negócios para tesourarias em criptomoedas enfrentam crise após colapsos e cancelamentos

O conceito de listar empresas em bolsas para acumular criptomoedas, inspirado na estratégia da MicroStrategy, está se desmoronando. Companhias que planejam seguir esse caminho, especialmente por meio de SPACs (empresas de propósito específico para aquisição), encontram dificuldades em meio a um ambiente de mercado desfavorável e crescente pressão dos investidores.

Um exemplo emblemático é o caso da ReserveOne, gestora de ativos digitais com sócios relevantes, como o ex-secretário de Comércio dos EUA Wilbur Ross. A empresa firmou um acordo para fusão com a SPAC M3-Brigade Acquisition V Corp., estimado em US$ 1 bilhão, mas o negócio foi cancelado após dois grandes investidores da ReserveOne pedirem o encerramento da operação. Isso ocorreu principalmente devido à forte desvalorização do Bitcoin e outros tokens desde o anúncio da fusão, além das taxas elevadas relacionadas à transação, que tornaram a operação inviável financeiramente. Oficialmente, a desistência foi comunicada em 12 de junho.

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Porta-vozes das empresas envolvidas não comentaram o episódio, mas o fracasso desta negociação reflete um problema mais amplo que as empresas de tesouraria em ativos digitais enfrentam. Muitas tentativas de abertura de capital por meio de SPACs resultaram em frustrações ou quedas expressivas no valor das ações.

A Avalanche Treasury, que concluiu sua fusão com a SPAC Mountain Lake Acquisition em 11 de junho, é um exemplo, com suas ações caindo quase 90% desde a aprovação da combinação, cotadas em torno de US$ 0,85 recentemente. A empresa preferiu não fornecer comentários além de um comunicado oficial.

Especialistas apontam que o modelo de captar capital por meio de ações para comprar criptomoedas perdeu atratividade, especialmente com a redução do valor dos tokens, tornando o processo diluidor para os acionistas. Algumas dessas companhias tentaram se mostrar como plataformas de pagamento ou atuantes em outros ramos para justificar sua existência além da mera acumulação de criptoativos.

Jan-Philip Grabs, sócio da consultoria Areta, avalia que o mercado atual, em baixa, atuará como um filtro: algumas empresas usarão esse momento para estruturar operações sólidas e buscar aquisições rentáveis, enquanto outros negócios somente capitalizados para especulação terão dificuldades para se manter enquanto os preços das criptomoedas estiverem deprimidos.

Influência e queda da estratégia iniciada por Michael Saylor

Michael Saylor criou, em 2020, um modelo ao transformar a MicroStrategy em uma investidora maciça de Bitcoin, cenário que inspirou outras empresas como Metaplanet, BitMine, Twenty One Capital e SharpLink a adotar a mesma abordagem pouco depois. As ações da MicroStrategy (agora Strategy) chegaram a valer mais de US$ 500 em 2024, mas atualmente estão cotadas em US$ 112,53. Paralelamente, o Bitcoin perdeu aproximadamente metade do seu valor desde o pico em outubro do ano passado, impactando negativamente empresas que tentavam replicar essa estratégia.

Outro exemplo presente na fila para listagem é a BSTR Holdings, que fechou acordo com uma SPAC ligada à Cantor Fitzgerald para uma transação de até US$ 1,5 bilhão. Contudo, a permanência desse negócio é incerta, com uma votação marcada para 26 de junho para decidir sua continuidade. A liderança da BSTR inclui Adam Back, cofundador e CEO da Blockstream, conhecido criptógrafo recentemente especulado como possível criador do Bitcoin, hipótese que ele nega.

A gestora Meteora Capital, que participou de investimentos em BSTR e ReserveOne por meio de investimentos privados (PIPE), conseguiu negociar termos com os patrocinadores dessas SPACs, mas pressionou para que os negócios fossem cancelados devido à deterioração dos fundamentos de mercado.

Meteora e Cantor Fitzgerald não comentaram a situação, enquanto a BSTR não respondeu aos pedidos de entrevista. Várias outras tesourarias em cripto que buscavam concluir fusões por meio de SPACs ainda enfrentam incertezas, já que a reversão dos fundamentos financeiros prejudica as operações.

Dados indicam que as tesourarias de criptomoedas listadas em bolsa perderam cerca de US$ 62 bilhões em valor de mercado entre outubro e início de junho, acompanhando o retraimento do Bitcoin. Alexander Blume, CEO da gestora Two Prime, destaca que apenas as empresas com operações reais em ativos digitais conseguirão sobreviver no longo prazo, enquanto aplicações apenas reproduzindo o modelo de Saylor terão dificuldades.

O custo da aposta em criptomoedas pela bolsa

Até recentemente, acumular grandes quantidades de criptomoedas parecia uma estratégia vencedora. Diversos segmentos, de hotelaria a apostas esportivas, adotaram o modelo de tesouraria em cripto, e inúmeras empresas privadas aceitaram ser adquiridas por SPACs, originando centenas de empresas desse tipo em bolsa.

Esse movimento gerou ganhos significativos para fundadores, investidores e patrocinadores, muitas vezes em detrimento dos investidores de varejo, que acumulam perdas bilionárias com essas operações.

A desistência de acordos também pode ter altos custos. Em abril, por exemplo, The Ether Machine e Dynamix cancelaram um acordo de US$ 1,5 bilhão para formar uma empresa voltada à acumulação de Ethereum. Como consequência, a Dynamix recebeu US$ 50 milhões conforme cláusula contratual de rescisão, segundo documentos regulatórios.

Andrew Keys, cofundador da The Ether Machine, comunicou aos investidores que o atual cenário de mercado inviabilizou a conclusão do negócio. Nem Keys nem Andrea Bernatova, CEO da Dynamix, deram mais detalhes.

©2026 Bloomberg L.P.

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