De Minas Supera Pão de Açúcar Com Crescimento De R$ 21 Bilhões

De Minas Supera Pão de Açúcar Com Crescimento De R$ 21 Bilhões

De Minas Gerais, empresa supera o Pão de Açúcar e alcança faturamento de R$ 21 bilhões

Iniciada por um ex-carregador de caixas, a companhia mineira expandiu-se ao adquirir o concorrente Bretas, estabelecendo-se à frente do Grupo Pão de Açúcar no ranking nacional.

Pedro Lourenço de Oliveira inaugurou sua primeira mercearia em 1996, localizada na periferia de Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Filho de agricultores e com apenas o ensino fundamental incompleto, ele começou a trabalhar como carregador em supermercados.

Quase três décadas depois, dirige o Supermercados BH, atualmente a maior rede do setor em Minas Gerais e a quarta maior do Brasil, superando até mesmo o tradicional Grupo Pão de Açúcar.

Em 2024, a rede registrou um faturamento de 21,2 bilhões de reais, operando 338 lojas e contando com mais de 39 mil colaboradores. De acordo com dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), essa foi a primeira vez que o Supermercados BH ficou à frente do GPA no ranking nacional.

A estratégia de crescimento da empresa, fundamentada em escala, comercialização de produtos populares e aquisições oportunas, consolidou sua forte presença no estado e reconhecimento no mercado.

Em fevereiro de 2025, a companhia firmou um acordo para adquirir as operações do Bretas em Minas Gerais, então pertencentes à chilena Cencosud. Este negócio, avaliado em 716 milhões de reais, contemplou a compra de 54 lojas, oito postos de combustíveis e um centro de distribuição.

Diferentemente de outras redes que investem em modelos digitais e omnichannel, o Supermercados BH mantém foco no formato tradicional.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Pedro Lourenço, conhecido como “Pedrinho”, afirmou que não aposta em vendas online, preferindo atrair consumidores para as lojas, especialmente as de porte médio, com áreas entre 1.000 e 2.000 metros quadrados.

Em declarações anteriores à EXAME, Lourenço destacou que sua tática de crescimento “pelas beiradas” foi essencial. “Meus amigos diziam que não daria certo vender na periferia, e minha esposa queria que eu desistisse. Mas não me importo com o que os outros pensam”, disse ele em 2017.

A estratégia de expansão pelas periferias

O Supermercados BH iniciou suas operações concentrando-se em regiões pouco concorridas, como bairros periféricos e cidades pequenas no interior de Minas Gerais.

A abordagem focava em oferecer produtos acessíveis, marcas populares e operar com custo reduzido.

Conforme crescia, a empresa adquiria mercados menores e aproveitava sua infraestrutura para avançar, sem depender de investimentos externos ou tecnologias avançadas.

Em 2004, Lourenço vendeu 40% da rede para dois sócios e usou os recursos para acelerar a expansão, mantendo a mesma lógica: atender áreas pouco exploradas pelas grandes redes e usar poder de escala para negociar melhores preços com fornecedores. Essa estratégia trouxe resultados sólidos com margens controladas.

Compra do Bretas e seus efeitos locais

A aquisição das operações do Bretas em Minas Gerais representa possivelmente o maior movimento estratégico do Supermercados BH desde sua criação.

Além de incorporar unidades estrategicamente localizadas e um novo centro de distribuição, a transação eliminou um concorrente direto do mercado. Só a operação mineira do Bretas faturou 1,5 bilhão de reais nos 12 meses encerrados no terceiro trimestre de 2024.

Com essa compra, o Supermercados BH fortalece sua participação em áreas importantes e amplia sua relevância nas negociações com fornecedores, além de expandir sua rede logística, o que pode proporcionar ganhos operacionais em um momento de forte disputa por preços e margens estreitas.

Negócio tradicional, ainda sem digitalização

Apesar da posição dominante, o Supermercados BH segue operando de forma bastante analógica.

A rede não possui comércio eletrônico próprio, não investe em delivery e mantém o modelo simples, baseado na loja física e rápido giro de produtos.

Esse modelo funcionou até aqui, porém enfrenta pressões diante da digitalização do varejo e das mudanças nos hábitos dos consumidores. A concorrência dos atacarejos, como Assaí e Mart Minas, que oferecem autosserviço com estruturas enxutas, cresce, atraindo o público que antes frequentava os supermercados de bairro — segmento que sustentou a trajetória do BH.

Perspectivas futuras

Embora não revele planos públicos para uma expansão nacional, o Supermercados BH continua em ritmo de crescimento, exemplificado pela incorporação das lojas do Bretas em Minas Gerais.

Além do varejo, Pedro Lourenço também ampliou seu foco a outras áreas. Em 2024, adquiriu a SAF do Cruzeiro, seu time do coração, em negócio que envolveu 600 milhões de reais. No futebol, a motivação é sentimental; no varejo, a conquista é feita loja a loja.

Assista ao programa Choque de Gestão, da EXAME, voltado para empreendedorismo:

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Matéria originalmente publicada em novembro de 2025.

Fonte

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