Dólar em Alta Com Conflito no Irã e Valor do Petróleo

Dólar em Alta Com Conflito no Irã e Valor do Petróleo

Dólar se valoriza devido a conflito no Irã, que aumenta interesse por ativos seguros e eleva preços do petróleo

Na manhã desta segunda-feira (2), o dólar dos Estados Unidos apresentou alta em relação ao euro, iene e franco suíço. O movimento foi impulsionado pela elevação dos preços da energia e pela busca dos investidores por ativos considerados mais seguros, em meio a preocupações crescentes com o conflito no Oriente Médio, desencadeado pelos ataques coordenados dos EUA e Israel ao Irã.

Os investidores estão atentos às consequências para o estratégico Estreito de Ormuz, fundamental para o trânsito de petróleo, que vem sofrendo impactos devido a retaliações iranianas.

Especialistas comentam que uma alta persistente e significativa do petróleo poderia afetar negativamente economias como a do Japão e da zona do euro, que dependem consideravelmente da importação de petróleo bruto. Por outro lado, os EUA estariam menos vulneráveis, já que há quase dez anos são exportadores líquidos de petróleo bruto.

Thu Lan Nguyen, responsável pela pesquisa em câmbio e commodities do Commerzbank, destacou que o principal impacto é sentido no mercado petrolífero. Apesar dos anúncios de que alguns países do grupo Opep+ aumentarão a produção em maior escala no próximo mês, o efeito econômico decorrente da alta do petróleo continua forte, devido às limitações logísticas para exportações por rotas alternativas.

Analistas do Barclays acreditam que o dólar pode se valorizar entre 0,5% e 1% para cada aumento de 10% no preço do petróleo. A escalada do conflito no Irã acrescenta fatores de suporte à moeda americana, combinando preços de energia mais elevados e aversão ao risco.

O índice do dólar, que avalia o valor da moeda americana frente aos seus principais parceiros comerciais, avançou 0,74%, atingindo 98,37, chegando a alcançar o patamar de 98,566, o maior desde 23 de janeiro.

Pressão sobre euro e enfraquecimento do franco suíço

O franco suíço atingiu a maior cotação frente ao euro em 11 anos, negociado a 0,9028. Em relação ao dólar, caiu 0,43%, chegando a 0,7727, porém ainda próxima da máxima de uma década registrada em janeiro, a 0,7604.

O Banco Nacional Suíço comunicou nesta segunda-feira que está mais disposto a intervir no mercado cambial diante do agravamento do conflito no Oriente Médio.

O euro caiu 0,80% para US$ 1,1721, tendo atingido a mínima desde 22 de janeiro em US$ 1,1698. Holger Schmieding, economista-chefe do Berenberg, explicou que uma elevação persistente de US$ 15 por barril do petróleo poderá aumentar o índice de preços ao consumidor na zona do euro em quase 0,5%, reduzindo proporcionalmente o ganho real na renda disponível dos consumidores.

Desvalorização do iene e divergência de política monetária no Japão

Após uma valorização inicial, o iene voltou a enfraquecer, caindo 0,61%, sendo negociado a 157,005 por dólar, atingindo o menor nível desde 9 de fevereiro, quando chegou a 157,25.

O estrategista-chefe de mercados do BNY, Savage, ressaltou que um choque na oferta de energia representa sérios desafios para o Banco do Japão, podendo ainda comprometer os planos de gastos da primeira-ministra Sanae Takaichi, que já demandavam amplos estímulos fiscais.

O iene havia se valorizado após a eleição de Takaichi, quando havia expectativa de aperto monetário para conter os estímulos, mas essa valorização foi revertida diante de dúvidas quanto a uma possível flexibilização do Banco do Japão.

Ryozo Himino, vice-governador do Bank of Japan, afirmou que a crescente volatilidade dos mercados não vai impedir o banco central de subir os juros, deixando claro que as decisões de política monetária não devem ser automaticamente vinculadas aos movimentos do mercado.

Comportamento de outras moedas globais diante das incertezas

O dólar australiano, que é sensível ao apetite por risco, chegou a recuar 1,2%, mas depois reduziu sua queda para 0,60%, sendo negociado por último a US$ 0,7025.

O yuan offshore da China também recuou 0,25%, cotado a 6,8819 por dólar, após o Banco Popular da China enfraquecer sua taxa de referência diária no mercado doméstico para conter a valorização da moeda frente ao dólar. Vale lembrar que a China é uma grande importadora de energia e principal compradora do petróleo proveniente do Irã.

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