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Empresas Nos EUA Adotam Restrição De Celulares Para Evitar Distrações

Empresas Nos EUA Adotam Restrição De Celulares Para Evitar Distrações

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Empresas nos EUA adotam lacres em celulares dos funcionários para evitar distrações

Nos Estados Unidos, algumas companhias têm implementado uma estratégia pouco comum para reduzir distrações e proteger dados sensíveis: os trabalhadores são obrigados a guardar seus celulares em bolsas lacradas durante o horário de trabalho.

Essa prática, presente em diversos setores, visa restringir o uso de dispositivos móveis no ambiente profissional e fortalecer a segurança das informações. Conforme reportagem do Financial Times, a empresa de verificação de identidade digital ID.me utiliza esse método há cerca de três anos com cerca de 290 funcionários.

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Os aparelhos ficam em pequenas bolsas mantidas pelos próprios trabalhadores, mas só podem ser abertas em estações especiais magnéticas. Diferente dos armários convencionais, essas bolsas permitem que o funcionário perceba chamadas ou notificações urgentes, e o uso do celular é permitido durante os intervalos.

Aluno usando celular após destravar bolsa lacrada na escola Bayside Academy, Califórnia, EUA

Objetivos da restrição e setores que adotam o método

As organizações que aplicam essa medida indicam dois objetivos principais: evitar vazamentos intencionais ou acidentais de dados confidenciais e aumentar o foco dos empregados ao diminuir distrações. A empresa fabricante das bolsas, Yondr, informa que seus clientes incluem tribunais, órgãos governamentais, creches e companhias que lidam com propriedade intelectual sensível.

O fundador e CEO da Yondr, Graham Dugoni, explica que muitas dessas instituições recorrem a esse sistema depois de tentativas infrutíferas de confiar apenas nas políticas internas sobre o uso do celular.

“As organizações que nos procuram geralmente já tentaram o sistema da confiança. O que essas situações têm em comum é o reconhecimento de que uma política proibindo o uso de celular não garante um ambiente livre de telefones”, comenta Dugoni.

A repercussão e os relatos de funcionários

Entre executivos, a questão também tem gerado debates. Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, já criticou o uso frequente de celulares durante reuniões, destacando que isso é desrespeitoso e prejudica a produtividade.

“As pessoas ficam em reuniões recebendo notificações, mensagens pessoais e e-mails a todo momento. Isso precisa parar. É desrespeitoso e uma perda de tempo”, afirmou Dimon.

Apesar do receio inicial, alguns colaboradores relatam que a iniciativa trouxe benefícios. Kamilah Muiruri, funcionária da ID.me, comenta que a política a ajudou a melhorar a relação com o celular e a se relacionar mais com colegas.

“Não preciso fazer tantas pausas para olhar o celular. Além disso, agora nos conectamos melhor uns com os outros. Eu não conhecia as pessoas do escritório porque estava sempre focada nos amigos de fora do trabalho, mas agora somos unidos e gostamos de sair juntos”, destaca.

No entanto, a implementação da medida enfrentou dificuldades no começo. A ID.me registrou que, nos primeiros meses, houve reclamações e frequentes descumprimentos da regra, com parte dos funcionários interpretando a ação como demonstração de desconfiança da empresa.

Kyle Scofield, vice-presidente sênior de suporte ao membro na ID.me, comentou: “A resistência durou mais do que esperávamos. Nos primeiros seis meses, as violações eram muito comuns, mas hoje nem consigo lembrar quando foi a última vez que ocorreu algo assim.”

Uso em escolas e expansão nos ambientes corporativos

Esse método que começou a ser usado em escolas, onde autoridades buscam limitar o uso de smartphones para combater a dependência digital e melhorar a concentração dos alunos, está agora ganhando espaço nas empresas, que procuram maneiras práticas de reforçar o foco e reduzir interrupções durante o trabalho.

Impactos na produtividade ainda são tema de debate

Especialistas apontam que não há consenso sobre os efeitos de restringir celulares no ambiente profissional. Pesquisas sugerem que a proibição pode aumentar a eficiência em tarefas simples e repetitivas, porém nem sempre ajuda em atividades que requerem criatividade e autonomia.

Adrian Chadi, professor associado de economia na Universidade de Southampton, afirma que é complexo para os estudiosos identificarem os impactos claros da proibição em comparação a ambientes sem restrição, especialmente dentro do mesmo contexto organizacional.

Conforme Chadi, os resultados dependem do tipo de função exercida. Tarefas operacionais tendem a se beneficiar da redução dos estímulos, enquanto trabalhos criativos podem ser prejudicados.

Além disso, ele alerta que os funcionários podem perceber a restrição negativamente quando o uso do celular traz vantagens para sua rotina laboral. Evidências indicam também que permitir o uso aberto dos aparelhos pode ajudar os colaboradores a gerir questões pessoais ao longo do expediente, beneficiando seu rendimento geral.

Eoin Whelan, professor da Universidade de Galway, realizou uma pesquisa em que uma empresa revogou a restrição aos celulares. O estudo mostrou que liberar os aparelhos não impactou negativamente a produtividade e auxiliou os trabalhadores a equilibrar as demandas pessoais.

“Depende do perfil do funcionário, mas atualmente a maioria espera uma separação entre trabalho e vida pessoal, especialmente aqueles que cuidam da família fora do emprego”, explica Whelan.

Como essas medidas funcionam no Brasil?

No Brasil, os empregadores podem restringir o uso de celulares pessoais durante o expediente, mas existem limitações. Embora a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não disponha especificamente sobre o assunto, a empresa possui o chamado poder diretivo, que permite organizar, controlar e supervisionar as atividades dos seus funcionários.

Assim, a restrição pode constar em contratos de trabalho ou regulamentos internos, sobretudo em funções que envolvam riscos à segurança física, proteção de dados ou sigilo profissional.

O juiz do trabalho Luiz Antonio Colussi, da 9ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, pontua que o uso do celular pode ser limitado desde que a privacidade, a intimidade e a dignidade do trabalhador sejam respeitadas.

“A fiscalização deve ser racional e baseada no bom senso. Restringir o uso durante a operação de máquinas ou veículos, por exemplo, é legítimo e colabora para evitar acidentes e conflitos no trabalho”, explica o magistrado.

O descumprimento das regras previstas pode acarretar advertências, suspensões e, em casos graves, como em situações de risco, até demissão por justa causa. Especialistas recomendam que as empresas deixem as normas claras e prevejam exceções, como uso em emergências ou nos momentos de pausa.

Brasil registra recorde de acidentes e mortes no trabalho em 2025Fonte

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