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Fintech De Crédito Odontológico Que Fatura R$ 100 Milhões

Fintech De Crédito Odontológico Que Fatura R$ 100 Milhões

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Como esta fintech alcançou R$ 100 milhões oferecendo crédito para tratamentos odontológicos

Fundada em 2021, a Capim tem focado em crédito no ponto de venda, maquininhas e uso de inteligência artificial para expandir sua atuação no segmento odontológico.

Marcelo Lutz e Roberto Biselli, cofundadores da Capim: Brasil é referência em odontologia, mas milhões de brasileiros não têm acesso a tratamento (Divulgação)

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O acesso a tratamentos odontológicos no Brasil é frequentemente limitado pelo custo, o que leva a agendas vazias nas clínicas e pacientes adiando procedimentos por falta de opções financeiras.

Com essa realidade em mente, Marcelo Lutz e Roberto Biselli criaram a Capim, uma fintech que conecta clínicas com pacientes através de soluções de crédito. A clínica recebe o valor total à vista, enquanto o paciente pode parcelar o tratamento em até 36 vezes diretamente com a Capim.

Nos últimos 12 meses, a receita da empresa atingiu R$ 100 milhões, contabilizando mais de 12 mil clínicas atendidas pelo Brasil. A previsão para 2026 é alcançar R$ 150 milhões em faturamento.

No curto prazo, a Capim aposta no crescimento a partir da combinação entre crédito no ponto de venda e soluções de pagamento. No médio prazo, planeja ampliar sua base de clínicas e considera expandir internacionalmente, sobretudo para países da América Latina.

Como surgiu a Capim

A Capim nasceu da parceria entre Lutz e Biselli após um MBA na França. Eles identificaram que a odontologia brasileira, apesar de ser referência mundial com mais de 450 mil dentistas, carrega uma grande demanda por tratamentos que não são cobertos pelos planos de saúde, gerando uma necessidade financeira para muitos pacientes.

Diferentemente da medicina tradicional, a odontologia possui procedimentos geralmente custosos e previsíveis, como implantes, alinhadores e estética dentária, aumentando a relevância de opções de financiamento direto às pessoas.

“O Brasil é um país referência em odontologia, tem mais de 450 mil dentistas. Apesar disso, milhões de pessoas não têm acesso à odontologia, em muitos casos por falta de condições de pagamento”, afirma Marcelo Lutz, cofundador da Capim.

O modelo da empresa se baseia em duas frentes principais: o crédito concedido no ponto de venda aplicado no momento da consulta e os meios de pagamento digitais, com maquininhas que facilitam o fluxo financeiro das clínicas. A clínica recebe o valor integral do procedimento à vista, e o paciente realiza o parcelamento com a fintech.

Inicialmente, a Capim financiava suas operações via debêntures, títulos de dívida emitidos para captar recursos. Com o avanço da carteira de crédito, o financiamento migrou para um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), permitindo que investidores adquiram os direitos de recebíveis dos empréstimos concedidos.

“Contamos com investidores de peso, como Itaú e XP, e nossa carteira foi avaliada pela Moody’s com rating AA-, o mais elevado para esse tipo de operação de crédito no Brasil”, comenta Lutz.

Além do crédito, a empresa investiu em soluções de pagamento específicas para o setor odontológico, incluindo mais de 3.500 maquininhas distribuídas pelo país, adaptadas para a rotina dos profissionais.

“Dentistas geralmente usam máquinas genéricas de outros setores, mas desenvolvemos algo pensado exclusivamente para as necessidades da odontologia”, destaca Roberto Biselli.

Escala, crescimento e tecnologia

A grande aceitação veio do produto em si. Por não existir uma oferta especializada de crédito para tratamentos odontológicos, a Capim despertou interesse imediato nas clínicas. O crescimento posterior foi impulsionado pelo boca a boca e pela participação da empresa em eventos do setor.

Até o momento, a fintech já financiou mais de 100 mil pacientes e está presente em aproximadamente 12 mil clínicas no Brasil.

Internamente, a Capim tem ampliado o uso de inteligência artificial para otimizar processos internos e a análise de crédito. “Nossa plataforma de crédito é 98% automatizada, e mais de 85% do processo de cobrança também utiliza IA”, explica Lutz.

Porém, o cenário de altos juros no Brasil impacta o custo de concessão de crédito e desafia a expansão das operações financeiras. Paralelamente, o aumento da regulação para fintechs eleva os custos de compliance, pressionando empresas menores. Ainda assim, os fundadores enxergam essa regulação como um filtro positivo para o mercado.

Próximos passos

A prioridade da Capim segue sendo o crescimento no Brasil, onde já atende cerca de 12 mil clínicas, com projeção para ultrapassar 50 mil nos próximos anos.

Biselli enfatiza que a fintech pretende ampliar sua carteira de produtos financeiros para clínicas, explorando uma demanda que permanece pouco contemplada pelos grandes bancos: “Há um mercado gigante no Brasil para outras soluções financeiras”.

A internacionalização representa uma meta para médio prazo, com a visão de aproveitar o conhecimento e a escala construída no Brasil para expandir para outros países da América Latina e, futuramente, Estados Unidos e Europa.

Esse plano ganhou impulso com a entrada do IFC, braço de investimentos do Banco Mundial, como investidor. A instituição demonstra interesse em apoiar o crescimento da empresa, tanto orgânico quanto através de expansão internacional.

“A presença do Banco Mundial como investidor garante uma base qualificada, possibilitando um crescimento consistente e um olhar atento às oportunidades fora do Brasil”, ressalta Lutz.

Thumbnail vídeo sobre fintech Capim
Fonte

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