Frigoríficos brasileiros lucram com a comercialização de pênis bovino, usado como petisco para animais e como prato afrodisíaco na Ásia
O pênis bovino é um produto amplamente distribuído por frigoríficos em todo o Brasil. Na medicina tradicional chinesa, ele é valorizado pelo suposto efeito de prolongar a ereção e aumentar o desejo sexual, além de ser considerado um afrodisíaco. No Brasil, conhecido também como vergalho, esse órgão é explorado principalmente no mercado de produtos para pets, sendo vendido como petisco para cães.
Consumo e valorização do pênis bovino na Ásia
Embora possa soar inusitado para muitos brasileiros, o consumo de pênis bovino é bastante comum em países asiáticos, especialmente na China. Segundo Jiang Pu, consultora gastronômica do Instituto Sociocultural Brasil China (Ibrachina), na tradição chinesa, acredita-se que ingerir órgãos específicos ajuda a tratar essas mesmas áreas no corpo, uma lógica da medicina tradicional local.
Dessa forma, pratos feitos com pênis de animais – incluindo bovinos, cabritos e porcos – são consumidos com a intenção de melhorar a potência sexual. O pênis bovino é apreciado especialmente por sua capacidade de absorver temperos e caldos, podendo ser preparado de diferentes formas, como cru, cozido, em ensopados, desidratado ou em pó, sendo o formato desidratado o mais popular.
Uso do pênis bovino no Brasil direcionado ao mercado pet
No Brasil, o vergalho tem aplicação distinta, sendo destinado sobretudo para o consumo animal. É comercializado como petisco para cães e, segundo fabricantes, ajuda a aliviar o tédio dos pets ao estimular o ato de mastigar, além de contribuir para a higiene dentária.
Produção e comercialização em frigoríficos brasileiros
De acordo com Marcos de Paula, especialista em exportação da Sul Beef, a retirada do pênis bovino é um procedimento simples, pois, diferente dos humanos, este órgão nos bois é interno e pode atingir até um metro de comprimento. Após ser retirado, o vergalho passa por higienização e é processado para remoção de membranas antes de ser embalado individualmente.
Para a comercialização, é comum que o produto seja desidratado, reduzindo seu peso de cerca de 500 gramas para 200 gramas por unidade. Marcos destaca que quase todas as partes do boi são aproveitadas comercialmente, citando usos alternativos para outros componentes, como crina das orelhas para pincéis, chifres para berrantes ou cuias, sangue e glândulas para a indústria farmacêutica, e diversos miúdos usados na culinária.
Segundo ele, todos os frigoríficos brasileiros comercializam o pênis bovino, e a produção acompanha o número de bois abatidos. Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), confirma que a quantidade de vergalhos é diretamente proporcional ao número de bovinos machos abatidos. No terceiro trimestre de 2025, o Brasil abateu mais de 5 milhões de bois machos, o que corresponde a uma produção similar em termos de vergalhos.
Destinação e valor do vergalho no mercado
Atualmente, o volume de exportação do pênis bovino não é especificado em dados oficiais, pois ele é classificado junto a outras miudezas comestíveis de bovinos dentro das categorias de “miudezas frescas ou refrigeradas” ou “preparações alimentícias”, conforme Bruno Andrade.
Em 2025, o Brasil faturou aproximadamente US$ 231.752 com exportação desses miúdos, segundo dados da plataforma Agrostat do Ministério da Agricultura. Em Hong Kong, o preço da tonelada do pênis bovino pode alcançar US$ 6 mil, valor maior que o de outros órgãos bovinos como omaso (estimado em US$ 5,5 mil a tonelada) e bucho (por volta de US$ 4 mil).
Na Sul Beef, mais de 90% das vendas de vergalho são destinadas ao mercado asiático, com o restante direcionado ao setor pet, abrangendo Brasil, Paraguai e Estados Unidos.
Entretanto, o consumo do pênis bovino na China tem diminuído entre os jovens, que adotaram hábitos alimentares mais ocidentais, ficando o mercado tradicional focado principalmente na população idosa.
Mercado interno e preço do produto para pets
De acordo com Bruno Andrade, uma grande parte da produção nacional de vergalho é utilizada na fabricação de petiscos para cães, alimento natural rico em nutrientes que tem ganhado popularidade com o aumento dos cuidados dedicados a animais de estimação.
O preço médio do quilo do produto no mercado brasileiro é de cerca de R$ 21, mas a variação no preço final do petisco pode variar conforme o peso, com valores que podem chegar de R$ 12 a R$ 80, conforme levantamento realizado recentemente na internet.



