Ibovespa atinge novo recorde e fecha acima de 197 mil pontos; dólar recua para R$ 5,01
O Ibovespa, principal índice acionário brasileiro, fechou em um novo patamar máximo histórico nesta sexta-feira (10), alcançando 197.323,87 pontos, o que representa uma alta de 1,12% no dia. Na soma da semana, o índice avançou quase 5%, fechando com ganho de 4,93%. Esse movimento positivo acontece em meio a um cenário de melhora nas tensões internacionais, especialmente após o anúncio de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, e as expectativas de negociações previstas para ocorrer no Paquistão na próxima semana.
Durante o pregão, o Ibovespa variou entre 197.553,64 pontos, marca intradiária recorde, e uma mínima de 195.129,25 pontos. O volume financeiro negociado na B3 alcançou R$ 33,7 bilhões.
Contexto global e impacto no mercado
Com o alívio nas tensões geopolíticas, o preço do petróleo caiu para abaixo de US$ 100 o barril, refletindo a expectativa sobre o cessar-fogo. Apesar disso, ainda prevalece cautela entre os investidores ao redor do mundo, com bolsas americanas apresentando movimentos mais indefinidos. No entanto, a bolsa brasileira conseguiu se destacar positivamente, beneficiada por um fluxo elevado de capital estrangeiro e uma rotação global de investimentos.
Bruno Perri, economista-chefe e sócio da Forum Investimentos, ressaltou que o mercado brasileiro segue uma trajetória distinta das bolsas americanas, sustentado pelo interesse dos investidores internacionais.
Indicadores econômicos domésticos
Internamente, o foco dos investidores esteve na inflação de março, cujo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou aceleração para 0,88% no mês, ante 0,70% em fevereiro. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice subiu para 4,14%, acima dos 3,81% do período anterior. Esse avanço foi influenciado principalmente pelo aumento dos preços nos segmentos de Transportes e Alimentação e Bebidas, que juntos responderam por 76% da inflação mensal. O cenário internacional, marcado pelas incertezas do conflito no Oriente Médio e a elevação dos preços do petróleo, contribuiu para essa pressão inflacionária.
Desempenho das ações e do dólar
Principais altas
- HAPV3 valorizou 13,05%, cotada a R$ 13,25
- EGIE3 subiu 4,64%, negociada a R$ 36,06
- PRIO3 avançou 3,36%, fechando em R$ 67,65
- MBRF3 teve alta de 3,01%, cotada a R$ 19,83
- ENEV3 cresceu 2,73%, terminando o dia em R$ 26,71
Principais quedas
- AZZA3 recuou 10,88%, precificada a R$ 20,80
- USIM5 diminuiu 6,12%, fechando a R$ 7,21
- CSNA3 caiu 5,45%, valendo R$ 6,42
- CURY3 baixou 3,08%, cotada em R$ 35,87
- COGN3 teve queda de 3,03%, negociada a R$ 3,20
Queda do dólar
O dólar encerrou o dia cotado a R$ 5,01, apresentando retração de 1,03% frente ao real. Esse foi o terceiro dia consecutivo de recuo da moeda norte-americana, influenciado pela combinação do alívio geopolítico e da valorização da moeda brasileira. Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destacou que a retomada das negociações entre EUA e Irã, inclusive com reuniões previstas no fim de semana no Paquistão, reduziu o prêmio de risco global e diminuiu a demanda por moedas consideradas refúgios.
Comportamento das bolsas norte-americanas
Nas principais bolsas de Nova York, o clima segue de observação cautelosa sobre a efetividade do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, visto que o acordo não sinaliza o fim definitivo do conflito. Nesta sexta, o índice Dow Jones recuou 0,58%, o S&P 500 perdeu 0,12% e o Nasdaq conseguiu subir 0,35%. Apesar do fechamento misto, os três índices acumulam ganhos significativos na semana: 3,04% para o Dow Jones, 3,55% para o S&P 500 e 4,68% para o Nasdaq.



