Ibovespa recua 0,46%, mas encerra a semana em alta após atingir marcas históricas; dólar atinge R$ 5,37
Na sexta-feira (16), o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, apresentou queda leve, recuando 0,46% e fechando em 164.799,98 pontos. No entanto, ao considerar a semana completa, o desempenho permaneceu positivo, com alta acumulada de 0,88%, refletindo a recente conquista do índice ao superar os 165 mil pontos pela primeira vez.
O movimento de realização de lucros após o recorde, unido a fatores macroeconômicos locais, como os resultados acima do esperado do IBC-Br — indicador que antecipa o Produto Interno Bruto (PIB) — influenciaram na queda do índice neste último pregão da semana. O indicador de atividade econômica nacional cresceu 0,7% em novembro, puxado pelo setor agropecuário, o que esfriou as expectativas de uma redução da taxa Selic em janeiro.
Nicole Malka, especialista em mercado de capitais e sócia da The Hill Capital, destacouse que a divulgação do IBC-Br reforçou a percepção de que os juros podem permanecer elevados por um período prolongado. Além disso, ela ressaltou que a realização de lucros devido às valorizações recentes e resultados operacionais negativos em empresas específicas, como a Cyrela, também impactaram o desempenho do índice.
Contexto Internacional e Impacto na Bolsa
Em nível global, a atenção dos investidores voltou-se para a disputa pela presidência do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos. Kevin Warsh surge como favorito à indicação, enquanto Kevin Hassett, que defende juros mais baixos, perdeu terreno na disputa. Essa perspectiva de aperto monetário por parte do Fed reduziu o apetite por riscos entre os investidores.
Oscilação do Ibovespa e Volume Negociado
Durante o pregão, o Ibovespa variou entre uma máxima de 165.871,66 pontos e uma mínima de 164.099,89 pontos. O volume financeiro negociado na B3 alcançou R$ 34,1 bilhões.
Ações em Destaque
Entre as maiores valorizações do dia, destacaram-se:
- SMTO3, com alta de 2,75%, cotada a R$ 16,44;
- CSMG3, subindo 2,51%, negociada a R$ 45,25;
- CSAN3, avançando 2,40%, precificada a R$ 5,13;
- ASAI3, com ganho de 2,19%, cotada a R$ 7,45;
- IRBR3, valorizada em 1,89%, a R$ 52,42.
Por outro lado, as maiores quedas foram registradas em:
- VAMO3, com queda expressiva de 9,09%, a R$ 3,60;
- BRKM5, recuando 5,84%, cotada a R$ 8,22;
- DIRR3, em baixa de 5,70%, negociada a R$ 12,73;
- BRAV3, com queda de 5,05%, cotada a R$ 17,10;
- RENT4, recuando 4,93%, a R$ 39,12.
Comportamento do Dólar
O dólar comercial encerrou a semana em ligeira alta, avançando 0,08% no fechamento da sexta-feira e sendo negociado a R$ 5,37. Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, explicou que a visão de um Fed potencialmente mais rígido, atuando de forma independente das pressões políticas, impulsionou os rendimentos dos títulos públicos e sustentou a valorização da moeda americana globalmente, refletida no fortalecimento do índice DXY nesta semana. No entanto, este avanço do dólar foi parcialmente contrabalançado pelo alívio nas tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã.
Desempenho das Bolsas em Nova York
Nos Estados Unidos, os principais índices de ações fecharam com perdas, influenciados pela expectativa de uma postura mais dura do Fed e pela incerteza sobre a composição da direção do banco central. Ao final do pregão, o Dow Jones recuou 0,17%, o S&P 500 registrou leve baixa de 0,06% e o índice Nasdaq também caiu 0,06%. Na semana, esses índices acumularam desvalorização de 0,29%, 0,39% e 0,66%, respectivamente.



