Impacto dos ataques dos EUA e Israel ao Irã no preço do petróleo
Os recentes ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã levantam preocupações econômicas, pois um conflito na região do Oriente Médio pode influenciar diretamente o valor do petróleo no mercado mundial.
Esse território é um importante polo produtor de petróleo, responsável por cerca de 30% do abastecimento global em 2024, conforme dados da Agência Internacional de Energia (IEA).
O efeito desses confrontos sobre os preços ainda é incerto e dependerá dos desdobramentos e da intensidade das ações. Os EUA anunciaram uma operação ampla com o intuito de derrubar o regime iraniano, iniciando uma série de ataques no sábado pela manhã. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra Israel e bases americanas situadas em países como Qatar e Bahrein.
Na última sexta-feira, o barril do tipo Brent estava cotado a US$ 72, acumulando uma alta de 14,35% nos últimos três meses. Com os ataques ocorrendo no sábado, é esperado que as maiores oscilações nos preços aconteçam a partir da segunda-feira.
Anteriormente, a última alta significativa do petróleo ocorreu em 2022, com a guerra na Ucrânia, quando o preço do barril ultrapassou US$ 100. A Rússia, grande produtora, passou a sofrer sanções que limitaram suas vendas para EUA e Europa.
Segundo Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, existe a possibilidade de aumento imediato no preço do petróleo devido ao impacto geopolítico e à incerteza, mas em um cenário de pacificação e maior integração do Irã ao mercado internacional, a oferta global poderia crescer no segundo semestre, pressionando os preços para baixo.
Embora os ataques ainda não tenham atingido diretamente pontos de extração, a situação pode dificultar o transporte do petróleo. O Estreito de Hormuz, principal rota para navios petroleiros que dirigem às regiões da Europa e Ásia, está em risco, embora ele tenha sido palco de diversos confrontos nos últimos meses sem causar efeitos duradouros nos valores.
Produção e reservas petrolíferas do Irã
O Irã detém uma das maiores reservas de hidrocarbonetos do planeta, com aproximadamente 10% das reservas globais de petróleo e 15% das de gás natural. O setor de petróleo representa até 30% do PIB iraniano direta ou indiretamente, além de ser fundamental para receitas de exportação e arrecadação estatal.
Em 2017, durante um período de sanções severas, o país produzia cerca de 4,1 milhões de barris diários. Em 2026, a produção caiu para cerca de 3,2 milhões de barris por dia, cerca de um milhão a menos.
De acordo com Gustavo Cruz, ao contrário da Venezuela, cuja infraestrutura petrolífera sofreu bastante dano, a estrutura do Irã permanece funcional, o que significa que se as condições políticas melhorarem e as sanções forem reduzidas, o país pode rapidamente aumentar a produção para níveis acima de 4 milhões de barris diários.
Oferta mundial supera demanda
Um aumento na produção iraniana, contudo, entraria em um mercado que já apresenta excesso de oferta. Dados da IEA de 2025 indicam que foram produzidos 106 milhões de barris de petróleo globalmente, enquanto a demanda ficou em 103,9 milhões.
A redução no consumo está associada ao desaquecimento econômico de diversos países e à crescente adoção da mobilidade elétrica. Os principais combustíveis derivados do petróleo, como diesel, gasolina e querosene de aviação, que representam cerca de 60% do consumo global, só agora retomam níveis próximos aos pré-pandemia, enquanto a eficiência veicular e eletrificação representam desafios para o crescimento do consumo.
Ao mesmo tempo, a produção aumentou em nações como Estados Unidos e Argentina, graças à tecnologia de fracking. Novos campos explorados em alto mar, em países como Brasil e Guiana, também elevaram a oferta, reduzindo a dependência global do Oriente Médio.
A pesquisadora sênior Luiza Cerioli, da Universidade de Kassel na Alemanha, destaca que as novas formas de produção de energia fóssil mudaram o cenário geopolítico. A antiga preocupação existente desde os anos 1970, de controlar os países do Oriente Médio para manter o fluxo econômico mundial, não é mais a mesma diante das transformações atuais.



