Como um incêndio durante o carnaval originou um supermercado bilionário no Rio Grande do Norte
Nordestão lidera o mercado varejista potiguar com quase 40% do faturamento das principais redes e expande atuação para a Paraíba para evitar saturação local
O setor de varejo alimentar no Rio Grande do Norte é um dos mais estruturados no Nordeste, sendo dominado por cadeias regionais que mantêm forte presença em mercados de bairro e demonstram habilidade para se adaptar ao crescimento do formato atacarejo, que concilia atacado e varejo.
À frente dessa liderança está o Supermercado Nordestão, que alcançou um faturamento de 2,5 bilhões de reais em 2025 e figura na 45ª posição do Ranking ABRAS 2026. Esse valor representa quase 40% do faturamento total das oito maiores redes do estado, que juntas faturaram 6,6 bilhões de reais.
Em janeiro de 2026, o Nordestão lançou uma loja conceito localizada na Rota do Sol, em Natal, e tem planos para inaugurar até 10 novas unidades até 2027. Esse movimento estratégico envolve não apenas a ocupação de espaços ainda disponíveis em Natal, mas também uma expansão para a Paraíba e para o litoral sul potiguar.
O futuro da empresa depende da combinação entre expansão territorial e continuidade da gestão familiar: a terceira geração dos Medeiros já está ativa nas decisões, com conhecimento em governança corporativa e negócios familiares. Atualmente, a rede conta com 13 lojas no estado, sendo nove de varejo e quatro no formato atacarejo, e emprega aproximadamente 4.000 colaboradores.
Os oito maiores supermercados do Rio Grande do Norte
- Supermercado Nordestão Ltda.: R$ 2,5 bilhões de faturamento
- Supermercado Queiroz Ltda.: R$ 1,8 bilhão de faturamento
- Nosso Atacarejo Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda.: R$ 1 bilhão de faturamento
- Comercial Praias Belas Ltda.: R$ 500 milhões de faturamento
- J.L. de Medeiros & Araújo Ltda.: R$ 336 milhões de faturamento
- Geraldo Paiva dos Santos Junior Eireli: R$ 129 milhões de faturamento
- G.A. Gois Supermercados Ltda.: R$ 119 milhões de faturamento
- Supermercado Montealegrense Ltda.: R$ 99 milhões de faturamento
Origem e evolução do Nordestão, líder potiguar
A trajetória da rede teve início em 1958, quando Leôncio Etelvino de Medeiros, agricultor e comerciante, saiu de Cruzeta, no Seridó, para Natal. Ele adquiriu cinco pontos comerciais no antigo Mercado Público da capital e iniciou atividade como atacadista.
Em 1967, um incêndio consumiu o mercado público de Natal. Em resposta, a família mudou a operação para a própria residência e manteve as vendas, demonstrando resiliência.
O estabelecimento Nordestão como supermercado foi inaugurado em 15 de setembro de 1972, no bairro Alecrim. O nome surgiu a partir de uma pesquisa feita com a população local, que buscava uma palavra representativa para o “Nordeste vitorioso”. No mesmo endereço, funcionavam atacado e varejo simultaneamente — modelo que antecedeu o chamado atacarejo, popularizado posteriormente no país.
Durante as décadas de 1970 e 1980, a rede expandiu-se com lojas em bairros como Petrópolis (1975), Lagoa Nova (1976), Cidade Jardim (1978) e Santa Catarina (1981). Tornou-se uma das maiores redes do Nordeste e, segundo dados da Nielsen de 2014, dominava 62% das vendas do setor no estado.
Em 2012, o grupo inaugurou sua primeira loja de atacarejo com a bandeira SuperFácil, sendo a pioneira no Rio Grande do Norte. O avanço decisivo ocorreu em 2021, com a abertura da primeira unidade SuperFácil fora do estado, em João Pessoa, Paraíba — marcando a primeira expansão do grupo para além do território potiguar em quase cinco décadas.



