Investimentos isentos de IR podem apresentar retornos superiores ao que aparentam: entenda o cálculo do ‘gross up’
Existe um método que permite transformar o rendimento líquido obtido em investimentos isentos de Imposto de Renda (IR) para uma base bruta, comum nos investimentos sujeitos à tributação. Isso facilita a comparação entre diferentes tipos de aplicação financeira.
Diferença de rendimento entre investimentos isentos e tributados
Um questionamento comum é identificar qual opção oferece maior retorno: um título isento rendendo 95% do CDI ou um título tributado pagando 110% do CDI. Apesar da aparente vantagem nominal do segundo, o investimento isento geralmente é mais vantajoso devido à ausência do imposto.
Produtos como certificados de recebíveis imobiliários (CRI), do agronegócio (CRA), debêntures incentivadas e letras de crédito imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA) são exemplos de investimentos que não cobram Imposto de Renda. Nesses casos, a rentabilidade contratada corresponde exatamente ao rendimento líquido recebido pelo investidor no resgate.
Para comparar rentabilidades de aplicações com e sem incidência de IR, utiliza-se o conceito conhecido como “gross up”. Esse procedimento transforma o retorno líquido dos ativos isentos em um patamar bruto, permitindo um confronto direto com os investimentos tributados.
Comparando rentabilidades considerando o tempo e a alíquota do IR
Por exemplo, um título isento que remunere 78% do CDI pode ser equivalente a outro que renda 100% do CDI e esteja sujeito à tributação, quando retirado antes de seis meses. Isso ocorre porque as alíquotas do IR na renda fixa são regressivas, variando conforme o prazo da aplicação: alíquotas começam em 22,5% para aplicações de menos de seis meses e caem para 15% quando o investimento ultrapassa dois anos (720 dias).
Assim, o retorno real para o investidor deve sempre considerar o impacto do imposto sobre os ganhos, que depende do tempo que o dinheiro permanece investido.
Utilizando o ‘gross up’ para avaliar equivalências de rendimento
Com base em diferentes alíquotas do IR, é possível determinar qual taxa de retorno um título tributado precisa oferecer para igualar a rentabilidade líquida de um investimento isento. Por exemplo, um CDB que pague 110% do CDI e sofra tributação de 17,5% rende, na prática, cerca de 90% do CDI líquida de imposto, o que seria comparável a uma LCI que paga entre 90% e 95% do CDI, porém isenta do imposto.
Outro caso ilustra que uma aplicação isenta pagando 95% do CDI equivale a um título tributado com retorno de 115% do CDI, assumindo o mesmo imposto de 17,5%. Esse tipo de cálculo torna possível uma análise mais precisa entre diferentes alternativas.
Para facilitar essa comparação, o investidor pode recorrer a ferramentas específicas, como calculadoras que realizam o cálculo do “gross up” em renda fixa.



