IPCA De Março: Alta Comida, Combustível E Guerra Impactam Preço

IPCA De Março: Alta Comida, Combustível E Guerra Impactam Preço

IPCA de março deve acelerar com pressão de alimentos, combustíveis e guerra

Projeções indicam inflação entre 0,70% e 0,76% com influência do conflito e alta nos preços

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador oficial da inflação no Brasil, deve registrar uma alta entre 0,70% e 0,76% em março, representando uma aceleração em comparação a fevereiro. Essa elevação deve levar a taxa acumulada em 12 meses para próximo de 4%, conforme projeções feitas por bancos e instituições de análise econômica.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o resultado oficial na sexta-feira, 10 de abril de 2026.

Alimentos, combustíveis e serviços pressionam inflação

As previsões indicam uma inflação mais acentuada para o mês, principalmente puxada por alimentos, combustíveis e o setor de serviços, ainda que haja sinais variados entre os diferentes grupos de consumo.

De acordo com o Banco Daycoval, a inflação do mês deve atingir 0,70%, baseada principalmente nas altas dos preços de alimentos, passagens aéreas e combustíveis. A instituição avalia que o conflito no Oriente Médio tem potencial para impactar negativamente os custos da energia no curto prazo, pressionando o índice.

De forma semelhante, a Warren Investimentos projeta um crescimento do IPCA em 0,76%, com uma elevação da inflação acumulada em 12 meses para 4,02%. A instituição destaca que os alimentos consumidos em casa devem aumentar em torno de 1,50%, com considerável pressão especialmente sobre produtos in natura, carnes e laticínios.

No segmento de Transportes, a Warren prevê uma alta de 4,5% no preço da gasolina e uma possível elevação de até 12% no preço do diesel, refletindo o aumento do preço do petróleo no mercado internacional. O Daycoval também projeta um aumento significativo nos preços dos combustíveis, evidenciando o impacto do cenário global.

O BTG Pactual, do mesmo grupo controlador da EXAME, aponta em relatório elaborado por Álvaro Frasson, Arthur Mota e Victor Esteves do Amaral que o IPCA pode chegar a 0,75% em março. O banco chama atenção para a aceleração dos alimentos no domicílio após meses de elevação mais moderada, além de observar algum alívio em bens industriais, especialmente produtos de higiene pessoal.

Além de alimentos e combustíveis, a inflação apresenta uma composição heterogênea. A Warren prevê desaceleração no setor de educação, após reajustes verificados em fevereiro, com alívio também em saúde e cuidados pessoais. Entretanto, o vestuário deve apresentar retomada na alta devido à sazonalidade.

Em relação aos serviços, as instituições concordam que a pressão permanece elevada. O Daycoval ressalta que serviços intensivos em mão de obra, como cabeleireiros, restaurantes e cuidados pessoais, continuam com preços elevados. A Warren estima que os serviços subjacentes — que excluem itens voláteis e refletem tendências persistentes — permanecem elevados em termos anuais, enquanto o BTG destaca impactos vindos dos serviços bancários e do mercado de trabalho aquecido.

Inflação continua acima da meta e núcleos elevados sinalizam riscos

As três instituições enfatizam que, apesar de possíveis alívios pontuais, a inflação permanece disseminada pela economia. A Warren ressalta que cerca de 15% da cesta de consumo, composta por itens mais sensíveis a choques externos, tende a acelerar significativamente em março.

O Daycoval aponta que os núcleos inflacionários ligados a serviços continuam sendo um dos principais desafios enfrentados pelo Banco Central, enquanto o BTG reforça o comportamento desfavorável desse segmento.

No médio e longo prazo, as projeções seguem acima da meta oficial. O Daycoval calcula que a inflação anual para 2026 ficará em 4,2%, a Warren projetou 4,5% e o BTG estima um índice de 4,7%, com riscos associados tanto ao cenário internacional quanto às condições climáticas.

Essas avaliações são corroboradas pelos dados do Boletim Focus, que indicou uma elevação na expectativa para o IPCA de 2026, de 4,31% para 4,36%, marcando o quarto aumento consecutivo. Para 2027, a projeção subiu para 3,85%, enquanto para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,60% e 3,50%, respectivamente. No começo do ano, antes do agravamento da tensão entre Irã, Estados Unidos e Iraque, o mercado previa inflação próxima a 3,5%.

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