Irã fecha Estreito de Ormuz e petróleo atinge máxima de 19 meses
Na segunda-feira (3), o Irã anunciou o bloqueio total do Estreito de Ormuz, conforme comunicado feito por um oficial da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Esse representante enfatizou que qualquer embarcação que tentar atravessar a região poderá ser alvo de ataques, marcando a primeira declaração oficial de fechamento completo desse importante canal marítimo. A medida elevou rapidamente o nível de alerta nos mercados mundiais, agravando as tensões geopolíticas num já conturbado contexto no Oriente Médio e aumentando a volatilidade dos ativos financeiros globais.
No Brasil, o Ibovespa apresentou queda superior a 3%, enquanto o dólar subiu quase 2% ao final do pregão, evidenciando o medo dos investidores e a procura por ativos mais seguros. Simultaneamente, os contratos futuros de energia e outras commodities passaram por fortes valorizações, com especialistas revisando as previsões de oferta e demanda diante do agravamento da situação na região.
O anúncio do bloqueio ocorreu apenas dois dias após ataques militares coordenados pelos Estados Unidos e Israel contra alvos estratégicos do Irã. Teerã respondeu com disparos de mísseis e drones contra Israel e instalações militares americanas, intensificando o conflito e gerando maior incerteza quanto à segurança da navegação em uma das rotas mais fundamentais para o comércio de energia mundial.
Em resposta a essa escalada, o preço do petróleo Brent alcançou seu maior patamar dos últimos 19 meses, refletindo a forte sensibilidade dos mercados diante de possíveis interrupções na oferta. Essa nova discrepância afeta diretamente as cadeias globais de suprimentos, eleva os custos de transporte e pode potencialmente provocar aumentos inflacionários em diversas economias pelo mundo.
O que representa o Estreito de Ormuz?
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estratégica que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia. Seu ponto mais estreito é de apenas 33 quilômetros entre Omã e o Irã, que controla a margem norte do estreito, concedendo a Teerã significativo controle sobre esse corredor vital para o escoamento de petróleo e gás natural.
Diariamente, cerca de 20% do consumo mundial de petróleo transita por essa rota. No primeiro semestre de 2023, o fluxo diário foi de aproximadamente 20 milhões de barris, segundo dados da EIA, representando um comércio energético anual que se aproxima de 600 bilhões de dólares.
Essa passagem é essencial para as exportações dos países membros da Opep, em especial Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, além do gás natural liquefeito proveniente do Catar. Qualquer interrupção no Estreito de Ormuz limita o fornecimento global de energia, pressiona os preços do petróleo para cima e impacta significativamente índices inflacionários, moedas e mercados acionários pelo mundo. Dessa forma, o bloqueio desse canal é considerado um dos eventos mais graves para a segurança energética internacional.



