CPFL Energia reporta lucro líquido de R$ 1,9 bilhão no primeiro trimestre de 2026, com crescimento anual de 18,2%
A CPFL Energia (CPFE3) divulgou que alcançou um lucro líquido consolidado de R$ 1,909 bilhão no primeiro trimestre de 2026, representando um avanço de 18,2% na comparação com os R$ 1,615 bilhão registrados no mesmo período do ano anterior.
Esse resultado positivo foi impulsionado sobretudo por fatores financeiros e fiscais favoráveis. A empresa foi beneficiada pela valorização a mercado de suas captações, além do reconhecimento de créditos de ICMS relacionados ao PIS/Cofins, que também contribuíram para o desempenho financeiro do trimestre.
Desempenho operacional apresenta estabilidade
Apesar do saldo financeiro robusto, o desempenho operacional da companhia manteve-se praticamente estável. O Ebitda (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) alcançou R$ 3,86 bilhões entre janeiro e março de 2026, registrando leve aumento de 0,2% em relação aos R$ 3,852 bilhões do mesmo período no ano anterior.
A receita operacional líquida somou R$ 11,342 bilhões no trimestre, o que representa uma alta de 6,4% quando comparada ao primeiro trimestre de 2025. Segundo a CPFL, essa variação reflete comportamentos distintos entre seus segmentos de atuação, com pressão na área de distribuição parcialmente compensada por melhores resultados nos segmentos de geração e gestão de energia.
Segmento de distribuição e geração
No segmento de distribuição, o Ebitda foi de R$ 2,53 bilhões, tendo sofrido uma queda anual de 2,3%. Esse recuo está principalmente associado a ajustes contábeis referentes à atualização de ativos regulatórios, efeito que deve ser eliminado com a recente assinatura dos contratos de concessão, conforme explicou o presidente da empresa, Gustavo Estrella.
Em relação ao consumo de energia nas distribuidoras do grupo, houve uma leve queda de 0,7% no período. Em contrapartida, a demanda na área de concessão apresentou aumento de 4,5%.
No segmento de geração e gestão de energia, o Ebitda monitorado cresceu 10,2% na comparação anual, atingindo R$ 921 milhões, impulsionado por reajustes contratuais favoráveis e por uma melhor composição do portfólio, mesmo com o aumento das restrições à geração (curtailment) e menor intensidade dos ventos, que reduziram a produção.
A geração eólica sofreu redução de 12,3%, sendo cerca de 4% devido ao curtailment e 8% ocasionados por ventos mais fracos. Contudo, a tarifa positiva impactou o resultado porque os parques do Ceará, que têm contratos pelo Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), foram menos afetados, compensando a queda na geração total.
Resultados na transmissão e endividamento
No setor de transmissão, o Ebitda regulatório registrou R$ 231 milhões, montante 16,9% superior ao registrado no primeiro trimestre de 2025, refletindo reajustes anuais da receita permitida e eficaz controle de custos.
Quanto à estrutura de dívida, a CPFL encerrou março com uma dívida líquida de R$ 30,6 bilhões, apresentando aumento de 15,4% em relação a março do ano anterior. Contudo, esse valor ficou praticamente estável frente ao saldo de R$ 30,53 bilhões ao final de 2025. A alavancagem, medida pela relação Dívida Líquida/Ebitda, subiu para 2,31 vezes, ante 2,3 vezes em dezembro do ano passado e 2,04 vezes no mesmo trimestre do ano anterior.
Gustavo Estrella destacou que a empresa realizou captações antecipadas de R$ 4,4 bilhões no trimestre, a custos atraentes de CDI menos 0,62% e prazo médio superior a cinco anos, estratégia destinada a evitar concentração de vencimentos no curto prazo.



