‘Melhor rali de ações do mundo’ impulsiona fluxo de investidores estrangeiros no Brasil
Até o dia 21 de janeiro de 2026, investidores estrangeiros já haviam ingressado com mais de R$ 12 bilhões no mercado de ações brasileiro, configurando o maior volume mensal desde dezembro de 2023. Este movimento elevou o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, a níveis recordes, destacando o Brasil como o mercado de ações com melhor desempenho global recente.
Reportagem publicada pela Bloomberg evidencia que o Ibovespa apresentou uma valorização de 9,7% em dólares somente nesta semana, o que o coloca à frente dos principais mercados acionários mundiais. A entrada contínua de capital externo tem impulsionado uma sequência de máximas históricas do índice brasileiro. Esse fenômeno ocorre num contexto em que investidores internacionais buscam diversificar seus portfólios, reduzindo a exposição aos Estados Unidos e a outras economias desenvolvidas diante das incertezas econômicas e do clima de tensão no comércio mundial.
Conforme informações de especialistas, o apetite global por riscos tem favorecido particularmente os mercados emergentes, com o Brasil se beneficiando por oferecer avaliações descontadas, taxas de juros competitivas e relativa liquidez em comparação a outros países latino-americanos. Raphael Figueredo, estrategista de ações da XP Inc, comenta que o Brasil é um dos maiores beneficiados nesse cenário.
Outro aspecto que torna a América Latina atraente é a alta dos preços das commodities, que guarda forte correlação com o desempenho dos índices acionários da região. O ETF brasileiro EWZ, que reúne empresas de média e grande capitalização representativas de cerca de 85% do mercado brasileiro, está a caminho de registrar o maior fluxo mensal de recursos desde setembro de 2014, com sua quantidade de cotas circulantes próxima a um patamar histórico.
O índice MSCI América Latina também registrou um avanço significativo de 7,1% na última semana, atingindo seu maior nível desde 2018. Esse resultado superou o desempenho do índice mais amplo dos mercados emergentes, que cresceu 1% no mesmo período.
Para o futuro próximo, analistas apontam que alguns eventos podem influenciar a dinâmica do mercado brasileiro, entre eles, o possível início de uma fase de flexibilização monetária pelo Banco Central, além das eleições municipais que ocorrem no final do ano. De acordo com dados de mercado compilados pela Bloomberg, espera-se que o Banco Central inicie a redução da taxa básica de juros em março, com um corte previsto de 25 pontos-base.
Nesse sentido, Davi Khattar, gestor de ações da gestora brasileira Atlas One, ressalta que o início desse ciclo de afrouxamento monetário deve continuar a atrair fluxos de investimentos no curto prazo, mesmo em meio à incerteza do cenário eleitoral.
Este cenário coloca o Brasil em destaque no ambiente global de investimentos, evidenciando um momento positivo para o mercado acionário local e a crescente confiança dos investidores estrangeiros.



