Mercedes-AMG GT 63 S: a experiência de pilotar um superesportivo com essência de Fórmula 1
Equipado com um sistema híbrido que entrega 816 cavalos, o Mercedes-AMG GT 63 S E Performance acelera de 0 a 100 km/h em menos de três segundos. Os valores do modelo variam entre R$ 1,6 milhão e R$ 2,3 milhões, dependendo da versão escolhida.
Por André Fogaça, g1 — Elias Fausto (SP)
Publicado em 18/01/2026 às 06h00, atualizado há 23 minutos
Este é o híbrido mais potente oferecido pela Mercedes no Brasil. Disponível nas carrocerias sedã quatro portas e cupê duas portas, ambas apresentam diferenças sutis de potência, compensando o peso extra do sedã para manter o desempenho esportivo e o conforto para os ocupantes.
O g1 testou a versão cupê no Circuito Panamericano, pista oficial de testes da Pirelli, onde foi possível explorar plenamente o poder e a tecnologia deste superesportivo híbrido.
Enquanto em muitos híbridos a bateria serve para melhorar consumo e reduzir emissões, neste modelo a prioridade é maximizar o desempenho. A bateria de 6,1 kWh possui um sistema de refrigeração líquida que circula entre as 560 células para manter a temperatura estável em 45 °C, ideal para liberar o máximo de energia durante a aceleração, sem perda de performance.
Operando em arquitetura elétrica de 400 volts, o sistema entrega grande quantidade de energia para as rodas, levando o velocímetro a ultrapassar facilmente os 250 km/h em uma reta de 740 metros da pista.
O ronco do motor V8 biturbo, gerando 612 cv, é claramente audível dentro da cabine, mesmo com o funcionamento silencioso do motor elétrico de 204 cv presente no conjunto, que sozinho já oferece uma potência equivalente a de um BMW X1 no mercado nacional. O som do motor a combustão complementa a experiência e não deixa dúvidas sobre o caráter esportivo do carro.
O sistema híbrido combina um motor V8 a um elétrico, para uma potência total de 816 cv e 144,7 kgfm de torque.
Durante os testes em pista, o veículo permaneceu o tempo inteiro no modo esportivo mais agressivo, que permite maior liberdade ao acelerador ao mesmo tempo em que mantém sistemas de segurança ativos. Existem três modos esportivos disponíveis, sendo que o eleito para o teste é especialmente desenhado para uso em circuito e possui alertas para não ser utilizado em vias públicas.
Outro componente inspirado diretamente na Fórmula 1 é o aerofólio traseiro móvel, que ajusta sua posição conforme a velocidade para ampliar a aderência do carro ao solo. Este recurso cumpriu sua função com excelência, permitindo realizar curvas em alta velocidade com total controle, ainda reforçado pela tração nas quatro rodas.
Além disso, difusores ativos na parte inferior e nas laterais adaptam-se à velocidade, contribuindo para que o carro se aproximasse dos 300 km/h na reta mais longa da pista, sem apresentar sinais de instabilidade, transmitindo plena segurança e controle ao piloto.
O isolamento acústico e o desenho aerodinâmico do Mercedes permitiram que apenas o som do motor V8 fosse percebido no interior, mesmo com o ar-condicionado ligado para amenizar o calor tropical acima dos 30 °C.
Para garantir o controle do conjunto extremamente potente, os freios contam com discos de carbono e cerâmica, capazes de suportar elevadas temperaturas e esforços intensos demonstrados durante frenagens bruscas de alta velocidade para curvas fechadas.
Após várias voltas, o aroma característico de borracha queimada permaneceu no ar, adicionando ainda mais emoção para os entusiastas da velocidade, sinalizando o desempenho extraordinário do modelo.
Conforto e desempenho equilibrados para o uso urbano
Mesmo no modo esportivo, que traz suspensão rígida, pedais sensíveis e direção com resposta rápida, o AMG GT 63 S E Performance surpreende pelo conforto, superando até modelos como o Honda Civic Type R, graças ao acabamento primoroso, bancos de couro e detalhes em tecido aveludado.
Os bancos dianteiros oferecem função de massagem e ajuste tipo concha que pode ser personalizado para envolver o motorista e o passageiro da frente, aumentando o conforto nas viagens, especialmente longas.
Desconsiderando o modo esportivo, o sistema de propulsão reduz a ativação de todos os cilindros do motor V8, o que diminui sensivelmente o ruído interno e melhora o consumo de combustível, mesmo que tais aspectos sejam pouco prioritários para os compradores deste tipo de carro.
Embora não completamente silencioso, o modelo mantém um nível de ruído interno baixo, tornando-se apto para viagens estendidas onde o som constante do motor poderia se tornar incômodo.
Ao acelerar com vigor, o conjunto volta a exibir toda sua potência bruta, embora haja um pequeno retardo na resposta do acelerador, estratégia para garantir segurança ao se lidar com mais de 800 cv em áreas urbanas.
O interior também conta com uma central multimídia vertical de 11,9 polegadas e um painel digital de instrumentos com 12,2 polegadas. Equipamentos adicionais oferecem visão 360 graus, assistente de estacionamento e piloto automático adaptativo, capaz de manter o veículo no centro da faixa.
Apesar da presença do piloto automático, durante o teste em pista foi desligado, preservando a essência esportiva do carro, digna de uma experiência próxima à de um carro de Fórmula 1.
O porta-malas tem capacidade reduzida, com apenas 203 litros, consequência direta da instalação das baterias logo acima do eixo traseiro.
Concorrentes e mercado
O Mercedes-AMG GT 63 S E Performance figura quase sem rivais no segmento. Seu principal concorrente é o Porsche Panamera Turbo S E-Hybrid, que inicia a R$ 1,72 milhão no Brasil e disputa diretamente com a versão sedã do AMG.
No nicho de cupês esportivos de dois lugares, o rival mais próximo é o Porsche 911 GT3 com motor exclusivamente a combustão, 510 cv de potência e aceleração de 0 a 100 km/h em 3,4 segundos — abaixo do desempenho de 2,8 segundos do AMG, que custa a partir de R$ 1,62 milhão.



