Jogadoras da WNBA garantem aumento salarial de quase 400% com ajuda de vencedora do Nobel
A economista de Harvard e ganhadora do Prêmio Nobel, Claudia Goldin, desempenhou papel fundamental para que as atletas da WNBA (Women’s National Basketball Association) conquistassem um reajuste salarial próximo a 400%. A partir da temporada atual, a remuneração média das jogadoras superará US$ 580 mil.
Após se tornar a primeira mulher a receber sozinha o Nobel de Economia em 2023, Goldin recebeu muitas propostas, mas aceitou apenas três. Uma delas foi para servir como consultora do sindicato das jogadoras da WNBA nas negociações de um novo acordo trabalhista com a liga.
Segundo Terri Carmichael Jackson, diretora-executiva do sindicato, ao receber um e-mail de Goldin, ela ficou emocionada e lembra ter “gritado de alegria”. A economista estabeleceu como condição não receber pagamento algum pelo trabalho.
Em um acordo coletivo fechado este mês, a WNBA concedeu um reajuste salarial de quase 400% às jogadoras. Com isso, os vencimentos médios para a temporada atual devem ultrapassar US$ 580 mil, cifra recorde não apenas para a liga, mas considerada o maior aumento salarial negociado por um sindicato em todo o mundo, conforme afirmou Goldin.
Mike Bass, porta-voz que representa tanto a NBA quanto a WNBA, qualificou o acordo como “transformador”. Ele afirmou que a comunidade da WNBA celebra “um momento histórico de crescimento, investimento e avanço para as atletas, torcedores e o futuro do esporte”.
Especialista em remuneração feminina e pioneira acadêmica
Embora Claudia Goldin não tenha praticado esportes durante sua infância no Bronx nos anos 1950, ela é uma autoridade no estudo sobre a remuneração das mulheres. Sua longa carreira acadêmica envolveu análises de registros e dados para compreender a evolução da participação feminina no mercado de trabalho e como a discriminação afetou as desigualdades salariais.
Goldin recebeu o Nobel por ter ampliado significativamente o entendimento sobre os resultados laborais das mulheres. Ela concluiu seu doutorado em Economia na Universidade de Chicago em 1972, período em que havia poucas mulheres nessa área, e foi a primeira a obter a titularidade no departamento de Economia de Harvard.
Detalhes das negociações salariais da WNBA
No início de 2024, quando foi contatada por Jackson, Goldin constatou que, enquanto a média salarial de uma jogadora da NBA era de cerca de US$ 12 milhões, a da WNBA era de apenas US$ 118 mil — menos de um centavo por dólar em comparação com a NBA, conforme destacou a economista.
Ela considerou não só salários, mas também benefícios como moradia e a duração típica da carreira das atletas. Usando dados desde a fundação da WNBA, em 1997, Goldin e sua assistente elaboraram uma “tabela de vida”, técnica utilizada por atuários, para estimar o tempo médio de atuação das jogadoras, que é de duas a três temporadas.
O contrato de mídia, principal fonte de receita da liga, tem duração de 11 anos e foi fechado no verão de 2024, prevendo o pagamento de US$ 2,2 bilhões à WNBA. Em comparação, o acordo da NBA com os mesmos parceiros alcança cerca de US$ 75 bilhões.
Goldin defendeu que o valor para a WNBA deveria ser maior, devido ao aumento da audiência e do público. O representante da liga discordou dessa avaliação.
Durante as negociações, a economista manteve o foco na proporção da receita da liga destinada ao pagamento dos salários e benefícios das jogadoras. Seu trabalho contribuiu para acalmar as atletas — sempre que elas se frustravam, Goldin reforçava que “é apenas uma questão de matemática”, recorda Jackson.
Outras atividades após o Nobel
Ainda além desse envolvimento, Goldin aceitou apenas mais dois convites após receber o Nobel: participar do programa “Wait Wait…Don’t Tell Me!”, da NPR, e realizar o arremesso inaugural de uma partida do Red Sox — mesmo sendo torcedora do rival Yankees. Ela treinou durante semanas e impressionou a plateia com um lançamento perfeito.
Goldin comentou que estar diante de milhares de pessoas torcendo é uma emoção maior do que ganhar o Nobel.



