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Nova Era De Juros Altos Impacta Economia Do Brasil, Afirma Pessoa

Nova Era De Juros Altos Impacta Economia Do Brasil, Afirma Pessoa

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Mundo inicia nova era de juros elevados, e impacto pode atingir o Brasil, alerta Pessoa

O economista Samuel Pessoa, vinculado à Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ao BTG Pactual, afirma que o custo do capital no cenário global está passando por uma alta estrutural, fator especialmente prejudicial a nações que dependem de capitais externos, como o Brasil.

Apesar do recente corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) no Brasil e da decisão do Federal Reserve (Fed) de manter as taxas de juros nos Estados Unidos inalteradas, Pessoa interpreta esses movimentos como indicativos de uma fase marcada por juros significativamente mais altos do que antes da pandemia de Covid-19.

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Segundo ele, a taxa real neutra pós-pandemia – ou seja, o nível de juros que sustenta o equilíbrio econômico – tende a ser cerca de 1,5 ponto percentual maior que os patamares observados anteriormente.

Juros elevados e redefinição do papel do Tesouro dos EUA

Para os Estados Unidos, Pessoa estima que a taxa neutra real ficará próximas de 1,5%, implicando em uma taxa básica nominal por volta de 3,5%, considerando uma meta de inflação de 2%.

Outro ponto destacado pelo especialista é a redução do “privilégio exorbitante” que os títulos do Tesouro americano vinham desfrutando historicamente, tornando-os o investimento mais seguro do planeta. Em crises, investidores tradicionalmente buscavam esses papéis, baixando o custo da dívida do governo norte-americano mesmo diante de altos níveis de endividamento.

Entretanto, essa vantagem está diminuindo, o que deve refletir em taxas de juros mais altas, sobretudo para títulos com prazos mais longos, em uma elevação do prêmio pago para atrair recursos ao financiar o déficit público dos EUA.

Contexto fiscal e perspectivas globais

Essa transformação é atribuída a uma conjunção de fatores: inflação persistente nos serviços, mercado de trabalho aquecido e o agravamento crescente do cenário fiscal nos EUA.

Com a elevação da dívida e a perda do privilégio dos títulos americanos, Pessoa prevê a necessidade de um ajuste fiscal mais rigoroso nos Estados Unidos em um futuro próximo, embora ressalte que o país ainda disponha de espaço tributário considerável em comparação com outras economias desenvolvidas, como as europeias e o próprio Brasil.

O impacto global é inevitável, pois os juros americanos servem de referência para o custo do dinheiro mundial. Qualquer alta estrutural nos EUA tende a repercutir nos demais mercados, o que afeta, em especial, as economias emergentes.

Assim, países como o Brasil, que dependem da entrada de poupança externa para financiar seus investimentos, enfrentarão custos maiores para captar recursos.

Desafios para os juros no Brasil

No contexto doméstico, o breve corte da Selic parece ter marcado o fim do ciclo de redução no curto prazo, segundo Pessoa.

A projeção anterior, que indicava uma taxa terminal da Selic em torno de 3 pontos percentuais menor, foi revista para um cenário mais difícil, especialmente em razão da revisão do índice inflacionário para 2026, que subiu de 4,1% para 5,3%.

Parte do aumento inflacionário é explicada por choques externos como alta no petróleo e fenômenos climáticos, mas há também fatores internos, como o aumento dos gastos governamentais e a ampliação de políticas de crédito que elevam a demanda.

De acordo com o economista, diante da economia brasileira operando perto da capacidade máxima, o choque de demanda gera mais impacto sobre a inflação do que sobre o crescimento econômico.

Ele ainda acredita que o Banco Central manterá uma postura de espera até que os resultados eleitorais e o regime de política econômica do próximo governo fiquem mais claros.

Fonte

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