Ouro recua pela terceira semana consecutiva influenciado por postura rígida do Fed
O metal precioso encerrou o pregão desta sexta-feira (19) em baixa, registrando o terceiro período semanal seguido de queda, pressionado pelo fortalecimento do dólar e pelas novas expectativas relativas à política monetária dos Estados Unidos após o encontro do Federal Reserve (Fed).
O ouro à vista teve retração de 0,6%, comercializado a US$ 4.184,33 por onça-troy. No acumulado dessa semana, a desvalorização alcançou 0,9%. Paralelamente, os contratos futuros para agosto negociados na Comex recuaram 1%, fechando a US$ 4.202,10 por onça.
Esse movimento refletiu a decisão do banco central americano de manter as taxas de juros estáveis na quarta-feira, mas adotando sinalizações mais firmes no combate à inflação.
O Federal Reserve apresentou projeções apontando que nove dos 19 diretores já consideram provável a necessidade de elevação dos juros ainda este ano. Além disso, a ferramenta FedWatch da CME indica que o mercado passou a atribuir uma chance de 87% para um aumento da taxa em dezembro, valor que era de 61% antes da reunião.
Essa perspectiva de juros mais altos impulsionou a valorização do dólar, que se manteve próximo aos patamares mais elevados registrados em um ano. Como o ouro é cotado em dólares e não gera rendimentos, tende a perder atratividade diante de cenários de aperto monetário e moeda americana valorizada.
Além disso, a queda nos preços do ouro também se relaciona à diminuição das tensões geopolíticas, após os EUA anunciarem o fim do bloqueio ao Irã e a retomada do tráfego normal de petroleiros no Estreito de Ormuz, reduzindo o prêmio de risco que havia sustentado parte da recente valorização do metal.
Mesmo diante da sequência de perdas recentes, o banco Goldman Sachs mantém a expectativa de alta para o ouro nos próximos meses. A instituição estima que o preço do metal terá cotação em torno de US$ 4.900 por onça até o fim do ano, embora tenha revisado para baixo sua projeção anterior de US$ 5.400, em função da desistência da expectativa de cortes de juros pelo Fed em 2026.


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