Payroll: EUA Perdem 92 Mil Vagas de Trabalho em Fevereiro

Payroll: EUA Perdem 92 Mil Vagas de Trabalho em Fevereiro

Estados Unidos registram queda de 92 mil empregos em fevereiro

O mercado de trabalho dos Estados Unidos demonstrou uma desaceleração em fevereiro, com uma redução de 92 mil vagas fora do setor agrícola. Os dados foram divulgados pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), órgão governamental responsável pelas estatísticas trabalhistas no país.

Essa queda superou as expectativas negativas, já que os economistas consultados pela Bloomberg previam um crescimento de 55 mil novos empregos para o período. Em janeiro, a criação de empregos havia alcançado 126 mil posições.

Taxa de desemprego e número de desempregados

A taxa de desemprego ficou em 4,4%, um pouco acima do esperado de 4,3%, com o número total de desempregados mantendo-se praticamente inalterado em torno de 7,6 milhões de pessoas.

Setores com maior desaceleração

O setor de saúde apresentou a maior queda, com a perda de 28 mil postos de trabalho, resultado que refletiu atividades grevistas, especialmente com 37 mil demissões em consultórios médicos, parcialmente compensadas pela contratação de 12 mil trabalhadores em hospitais.

O segmento de informação também sofreu com a eliminação de 11 mil empregos, ao passo que o governo federal realizou cortes que retiraram 10 mil vagas durante o mês. Desde outubro de 2024, o emprego no setor federal diminuiu 330 mil pessoas, representando uma queda de 11%.

Salários e participação na força de trabalho

Por outro lado, os salários apresentaram desempenho acima do esperado, com um aumento médio de 0,4% no ganho por hora, atingindo US$ 37,32, contra a projeção de 0,3%. Em termos anuais, o crescimento salarial foi de 3,8%.

A taxa de participação na força de trabalho recuou de 62,5% para 62%, enquanto revisões nos dados referentes a dezembro e janeiro reduziram 69 mil empregos das estimativas anteriores.

Impactos e perspectivas para a política monetária dos EUA

A surpresa na queda dos empregos reacendeu debates sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed) em relação à política de juros. Lindsay Rosner, economista do Goldman Sachs, interpretou os dados como um sinal de fragilidade no mercado de trabalho, aumentando a pressão sobre o banco central.

Rosner ressaltou que essa vulnerabilidade pode representar um custo para o Fed pelo adiamento dos cortes na taxa de juros, embora as decisões de curto prazo ainda sejam influenciadas pelos conflitos atuais no Oriente Médio. Ela acredita que o banco central deverá concluir os dois cortes restantes para normalizar os juros, apesar da incerteza quanto ao momento exato dessa ação.

Ellen Zentner, economista do Morgan Stanley, destacou que o cenário coloca o Fed em situação delicada, devido ao risco de que preços elevados do petróleo por um período prolongado possam causar nova pressão inflacionária, podendo motivar o Fed a manter uma postura de espera.

Fonte

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