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Petróleo em Disparada: Impactos na Inflação e Juros Brasileiros

Petróleo em Disparada: Impactos na Inflação e Juros Brasileiros

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Petróleo em alta: impactos na inflação e nos juros no Brasil

A valorização do barril de petróleo, que chegou próximo a US$ 120 em 9 de março devido ao conflito envolvendo o Irã, tem gerado apreensão entre economistas sobre suas consequências para a inflação no Brasil e as decisões do Banco Central em relação à taxa Selic.

Após uma fase de intensa volatilidade, declarações do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que o conflito poderia acabar em breve, amenizaram temporariamente os mercados. Assim, o preço do barril Brent, referência global, fechou em US$ 98,96 em 9 de março e cedeu para US$ 87,80 no dia seguinte.

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Cenários de inflação com diferentes preços do petróleo

O BTG Pactual elaborou projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) considerando diversas cotações do petróleo. Na hipótese base, com o preço em US$ 65 por barril, a inflação para 2026 ficaria em 4,1%, caindo para 3,8% em 2027, mantendo-se próxima da meta oficial.

Se o petróleo subir para US$ 80, o IPCA subirá para 4,7% em 2026, refletindo principalmente o encarecimento dos combustíveis e transporte, com inflação de 3,9% em 2027. Já no cenário mais severo, com barril a US$ 100, a inflação anualizada para 2026 poderia atingir 5,4%, mantendo-se elevada em 4,2% no ano seguinte.

Preço Brent (US$/barril) Balança Comercial (variação em US$ bi) Primário Gov. Central (variação em R$ bi / % PIB) Primário SPC (variação em R$ bi / % PIB) IPCA 2026 (%) IPCA 2027 (%) Projeção BC IPCA 2T27 (%)
65 (base) 4,1 3,8 3,1*
80 8,5 23,0 / 0,2% 41,9 / 0,3% 4,7 3,9 3,3
90 14,4 38,3 / 0,3% 69,8 / 0,5% 5,0 4,1 3,6
100 20,3 53,6 / 0,4% 97,7 / 0,7% 5,4 4,2 4,1

Fonte: BTG Pactual. *Valor considerando barril a US$ 70.

Essas previsões assumem que os preços do petróleo se manterão elevados por um período prolongado. Conforme Samuel Pessôa, pesquisador do BTG e do FGV IBRE, a principal incerteza está relacionada à duração e amplitude do conflito, e não apenas aos números atuais.

Economista sênior da consultoria Tendências, Silvio Campos Neto, compartilha a visão de incerteza quanto à duração da guerra, ressaltando que mudanças no regime iraniano podem indicar que o conflito não terá uma resolução rápida.

Repasse dos custos pela Petrobras e impacto na inflação

Outro fator que gera dúvidas é o quanto a Petrobras irá repassar o aumento do preço do petróleo para os preços finais da gasolina e do diesel. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) apontou que o preço do diesel praticado pela estatal está defasado em 85% em relação ao valor internacional, sinalizando um potencial reajuste de R$ 2,74 por litro, jogo que não ocorre há mais de 300 dias.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, informou que não há mudanças na política de preços, mas alertou que, caso o aumento do petróleo se mantenha ou se intensifique, haverá necessidade de resposta rápida da empresa.

Conforme avaliou Silvio Campos Neto, a Petrobras tem absorvido parte da volatilidade e repassado mais para a gasolina do que para o diesel nos últimos anos. Considerando barril a US$ 100 e dólar a R$ 5,30, a Tendências estima um impacto de 0,9 ponto percentual no IPCA, sem considerar possíveis efeitos a montante na economia decorrentes do aumento do diesel.

Por ora, a consultoria prevê inflação de 4,1% para este ano, mas a análise está em pausa por causa do cenário internacional recente e pode ser revista conforme a evolução dos eventos.

Campos Neto acrescenta que uma eventual reversão do conflito iraniano nos próximos meses levaria à redução no preço do petróleo, minimizando o impacto inflacionário para o Brasil.

Projeções para a taxa Selic diante do cenário atual

Mesmo diante do choque provocado na oferta internacional, o BTG mantém sua previsão para o início do corte da Selic em março, em 0,5 ponto percentual, estimando taxa final de 12% ao fim de 2026. A continuidade dos cortes dependerá dos dados que indiquem uma trajetória confortável da inflação ao longo do horizonte da política monetária.

Considerando um cenário com Selic conforme o Boletim Focus, câmbio a R$ 5,25 e petróleo a US$ 80, a inflação projetada para o terceiro trimestre de 2027 seria de 3,4%, um pouco acima da previsão de 3,2% feita em janeiro. Com trajetória de preços do petróleo mais moderada, essa taxa poderia cair para 3,25%.

Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, avalia que a inflação anualizada deve se situar em torno de 4,5% a 5%, complicando a atuação do Banco Central. Ele destaca que o IPCA-15 de fevereiro exibiu aumento da inflação de serviços, o que reforça a necessidade do BC agir com cautela, provavelmente mantendo a Selic nos 15% na próxima decisão.

Vale avalia que o Banco Central adotar uma postura conservadora é a perspectiva predominante, e somente quando houver maior clareza sobre o desfecho do conflito poderá haver mudanças na taxa de juros.

Silvio Campos Neto indica ainda a possibilidade de uma diminuição mais modesta na Selic, inclusive com chance maior de corte de 0,25 ponto percentual, em função da persistente incerteza inflacionária. Ele lembra que as comunicações do Comitê de Política Monetária (Copom) enfatizam a importância de avaliar o ritmo e a magnitude dos cortes conforme a evolução dos dados econômicos, especialmente a inflação.

Fonte

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