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Pix, Minerais Críticos E Tarifas: Bolsonaro Debate Economia Com Trump

Pix, Minerais Críticos E Tarifas: Bolsonaro Debate Economia Com Trump

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PIX, minerais estratégicos e tarifas: os temas econômicos que o governo Lula quer abordar com Trump

Durante uma visita oficial a Washington, a delegação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende tratar de assuntos centrais na relação econômica bilateral, incluindo o sistema de pagamentos instantâneos Pix, a negociação para eliminar tarifas remanescentes e o futuro dos investimentos norte-americanos em minerais críticos estratégicos.

Contexto da visita e agenda preliminar

Marcada de forma repentina, a viagem de Lula para encontrar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ocorrerá provavelmente na quinta-feira, 7 de maio de 2026. Esta será a segunda viagem de Lula a Washington em seu terceiro mandato, mas a primeira visita oficial ao atual presidente americano. A reunião acontece num momento em que já circulava nos bastidores a possibilidade de distanciamento entre os dois líderes, apesar da “boa química” afirmada por ambos após encontros no ano anterior.

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Embora o governo brasileiro mantenha sigilo sobre os temas oficiais a serem tratados, fontes próximas à equipe econômica indicam que o encontro tem como foco principal três tópicos:

  • As investigações conduzidas pelo governo Trump relativas ao Pix;
  • A negociação para encerrar as tarifas comerciais remanescentes impostas aos produtos brasileiros;
  • Os investimentos em minerais críticos de interesse estratégico.

Essa pauta vem sendo organizada há meses por representantes dos ministérios da Fazenda, Justiça e Segurança Pública, Relações Exteriores e Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A definição final dos temas será feita pouco antes da ida de Lula, dependendo da receptividade da Casa Branca. Até o momento, a administração americana não comentou oficialmente a visita.

Pix sob escrutínio dos EUA

O sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, o Pix, tem sido um ponto delicado nas relações comerciais. Técnicos do governo brasileiro se dedicaram nos últimos meses a argumentar com as autoridades americanas para que não imponham medidas comerciais contra o Brasil com base no uso do Pix.

Em julho de 2025, na fase mais aguda da guerra tarifária, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) iniciou uma investigação amparada pela seção 301 da Lei de Comércio americana, incluindo o Pix como possível prática comercial desleal. A alegação dos EUA é que o Pix, operado e regulado pelo Banco Central do Brasil, favoreceria sua plataforma e geraria desvantagem para empresas americanas que atuam no setor de meios de pagamento.

O Brasil respondeu em agosto de 2025, negando qualquer discriminação contra empresas dos EUA e ressaltando inclusive que organizações americanas, como o Google, utilizam o Pix.

No relatório do USTR divulgado em março de 2026, o Pix aparece mencionado repetidas vezes entre as barreiras comerciais que os Estados Unidos reconhecem em mais de 60 países.

Apesar das suspeitas e questionamentos americanos, especialistas em comércio exterior esclarecem que os EUA não possuem jurisdição direta para interferir no Pix, que é regulado internamente pelo Banco Central do Brasil. A retaliação potencial está dentro da esfera comercial, com o possível uso do corte de benefícios ou suspensão de acordos comerciais e imposição de restrições a produtos brasileiros, conforme prevê a legislação comercial americana de 1974.

Na esfera política, o governo brasileiro tem adotado uma postura de defesa enfática do Pix, considerando a manutenção do sistema uma questão de soberania nacional. O presidente Lula tem dado declarações públicas reafirmando essa posição, destacando o valor do Pix para a sociedade brasileira.

Busca pelo fim da guerra tarifária

Embora os Estados Unidos tenham flexibilizado algumas das tarifas impostas sobre produtos brasileiros, os técnicos brasileiros planejam usar a visita para tentar reduzir ou eliminar as tarifas adicionais que ainda incidem sobre cerca de 29% das exportações do Brasil para os EUA, segundo estimativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Em 2025, o governo Trump aplicou inicialmente uma tarifa global de 10% e, em julho, uma sobretaxa de 40% específica para vários produtos brasileiros, numa resposta ao processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi considerado pelo governo americano uma “caça às bruxas”.

Esse episódio provocou um forte desentendimento diplomático, mas a partir de setembro de 2025 a relação começou a melhorar, com encontros presenciais e conversas entre Lula e Trump, culminando na retirada parcial das tarifas em novembro do mesmo ano.

Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou ilegal parte das sobretaxas e determinou o cancelamento das cobranças, beneficiando exportadores brasileiros. Em seguida, foi adotada uma tarifa linear de 15% para importações de todos os países.

Ainda assim, o governo brasileiro está interessado em convencer os Estados Unidos a eliminar as tarifas restantes, em especial sobre setores que o Brasil considera estratégicos como máquinas industriais e revestimentos. Dados da Câmara Americana de Comércio para o Brasil indicam uma queda na participação das exportações brasileiras para o mercado norte-americano, que passaram a representar 9,5% do total no primeiro trimestre de 2026, o menor índice desde 1997.

Minerais críticos na pauta de negociações

Outro destaque na agenda entre Brasil e Estados Unidos são os minerais estratégicos, em especial as chamadas terras raras, essenciais para tecnologia e defesa.

O vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, afirmou que há amplo espaço para discutir temas relacionados às grandes empresas de tecnologia, terras raras e minerais estratégicos.

Os EUA buscam facilitar o acesso a projetos de mineração e defenderam a redução de barreiras para investimentos estrangeiros e agilização de processos ambientais. Em contrapartida, o governo brasileiro defende um maior controle estatal e políticas que promovam o beneficiamento desses minerais internamente, evitando a exportação apenas da matéria-prima.

Minerais como lítio, cobalto e nióbio, usados em baterias, turbinas e equipamentos eletrônicos e militares, são considerados fundamentais. O Brasil possui as segundas maiores reservas mundiais de terras raras, atrás apenas da China, que domina 60% das reservas e 90% do refino, situação que motiva os americanos a buscar diversificação.

Embora os Estados Unidos tenham enviado uma proposta de memorando de entendimento para o Brasil, o governo brasileiro ainda não respondeu oficialmente, demonstrando cautela em aderir a acordos que imponham restrições à política comercial do país.

Por outro lado, os EUA já começaram investimentos significativos, incluindo a compra da mineira Serra Verde, única produtora de terras raras fora da Ásia, por US$ 2,8 bilhões pela empresa USA Rare Earths, além de aporte de US$ 565 milhões da Corporação Internacional de Desenvolvimento dos EUA.

Politicamente, os americanos têm buscado acordos com governos estaduais brasileiros, como o recente firmado com Goiás, que é visto por interlocutores do governo federal como uma possível interferência indevida na formulação de políticas nacionais sobre minerais estratégicos.

Fonte

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