Por que quase metade dos brasileiros avalia que a economia piorou?
Uma recente pesquisa realizada pela Quaest revelou que 47% dos brasileiros percebem uma piora na economia do país nos últimos doze meses, enquanto apenas 24% acreditam que houve melhora nesse período. Este sentimento negativo aparece mesmo diante de indicadores oficiais que apontam para a menor taxa de desemprego da série histórica e níveis recordes de renda média.
Especialistas em economia consultados destacam que o aumento da taxa básica de juros desempenhou papel fundamental nesse cenário, pois desacelera o crescimento econômico e eleva os índices de inadimplência, afetando a confiança tanto dos consumidores quanto das empresas.
O economista André Perfeito explica que, embora os salários aparentem estar subindo e a renda evoluindo, o alto endividamento das famílias faz com que o dinheiro recebido não se traduza em maior poder de compra. Da mesma forma, ele ressalta que os lucros empresariais têm sido corroídos pelo pagamento de juros, prejudicando o otimismo no meio empresarial.
A economista Zeina Latif complementa afirmando que os efeitos negativos da alta dos juros se refletem diretamente nos dados relacionados ao consumo das famílias, que apresentam perda de dinamismo. Segundo ela, não há sinais claros de melhoria: “A classe média enfrenta uma situação que não é ruim, mas também não há avanços positivos acontecendo.” Além disso, Latif observa que a inflação dos alimentos tem um impacto desproporcional, reduzindo significativamente a confiança e afetando a avaliação do governo sempre que os preços sobem.
Resultados da pesquisa Quaest
Quando questionados sobre a avaliação da economia nos últimos doze meses, os entrevistados responderam:
- 43% afirmaram que a economia piorou;
- 24% disseram que melhorou;
- 30% acreditam que se manteve igual;
- 3% não souberam ou não quiseram responder.
Quanto à expectativa para os próximos doze meses, as respostas foram:
- 43% esperam melhora;
- 29% acreditam que piorará;
- 24% acham que permanecerá estável;
- 4% não souberam responder.
O levantamento foi realizado entre os dias 5 e 9 de fevereiro, com 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, e possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Percepções sobre preços e poder de compra
Ao perguntar sobre o preço dos alimentos nos supermercados e feiras, 56% dos entrevistados disseram que aumentaram, enquanto 18% notaram queda e 24% acreditam que os valores ficaram estáveis. Essa percepção manteve-se semelhante à pesquisa anterior realizada em janeiro.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial, subiu 0,33% em janeiro, um pouco acima das expectativas dos economistas que previam 0,32%. Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada foi de 4,44%, ligeiramente maior que as projeções.
Sobre o poder de compra, 61% dos entrevistados afirmaram que conseguem comprar menos do que há um ano, enquanto 15% disseram adquirir mais, e 23% sentem que compram a mesma quantidade. Esses números são estáveis em relação à pesquisa anterior.
Dificuldade para encontrar emprego
Quando indagados sobre a facilidade de conseguir emprego nos últimos 12 meses, 49% responderam que está mais difícil, enquanto 39% consideram que está mais fácil; 5% dizem que a situação permanece igual.
Apesar dessa percepção, o Brasil fechou 2025 com uma taxa média anual de desemprego de 5,6%, o menor índice desde 2012, com queda de um ponto percentual em relação a 2024 e redução significativa comparada a 2019, antes da pandemia.



