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Porto Avalia Aporte De R$ 1 Bilhão Na Oncoclínicas

Porto Avalia Aporte De R$ 1 Bilhão Na Oncoclínicas

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Porto avalia investimento de R$ 1 bilhão na Oncoclínicas em um cenário de cautela

A Porto, através de sua subsidiária de planos de saúde, está considerando realizar um aporte financeiro de aproximadamente R$ 1 bilhão na Oncoclínicas, sua parceira principal no atendimento oncológico, conforme apurado pelo InvestNews e antecipado pelo Brazil Journal. O projeto envolveria a criação de uma nova subsidiária que integraria exclusivamente as clínicas voltadas para o tratamento do câncer, excluindo hospitais e operações internacionais, como as na Arábia Saudita.

De acordo com as informações divulgadas, as duas empresas firmaram um memorando de entendimento, que foi aprovado no conselho da Oncoclínicas por cinco votos favoráveis e dois contrários. Em comunicado ao mercado, a Porto informou que analisa continuamente possibilidades de investimentos em diferentes segmentos, incluindo alguns negócios explorados pela Oncoclínicas, mas ressaltou que até o momento não há nenhum acordo vinculante firmado.

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O aporte planejado estaria dividido em dois componentes: R$ 500 milhões em aporte de capital (equity) e mais R$ 500 milhões em dívida conversível em ações. No entanto, a concretização da operação depende da conclusão de uma análise detalhada (due diligence) dos ativos envolvidos.

Contexto financeiro e desafios na negociação

O mercado acompanha a expectativa de que, preliminarmente, a Oncoclínicas realize negociações com seus credores para o reperfilamento da dívida, que atingiu R$ 4 bilhões ao final do terceiro trimestre, representando 4,2 vezes o EBITDA da empresa. A relação da Oncoclínicas com o Master, em especial a perda reconhecida de R$ 217 milhões em CDBs, contribui para a complexidade das tratativas.

Fontes próximas ao processo explicam que a definição de uma proposta clara para este investimento ainda enfrenta muitos desafios e que a situação ainda está longe de ser resolvida. Um participante familiarizado com as negociações destacou dúvidas sobre a disposição dos credores em aceitar os termos, questionando especificamente a quem ficariam os hospitais na nova estrutura societária. Conforme informações do Brazil Journal, após a renegociação, os credores teriam a opção de converter seus créditos em participação na nova subsidiária formada pelas clínicas oncológicas.

Um gestor acionista da Porto manifestou ceticismo sobre a viabilidade do negócio, apontando a necessidade do cumprimento de várias condições para que o investimento se concretize. Para ele, a operação só avançaria se a Oncoclínicas conseguisse deixar nesta nova subsidiária apenas os ativos considerados “bons”.

Histórico e estrutura da Oncoclínicas

Fundada em 2010, a Oncoclínicas iniciou suas operações focada em clínicas independentes da rede hospitalar. Com o crescimento, a empresa passou a investir em “cancer centers”, hospitais dedicados exclusivamente ao tratamento do câncer, o que elevou o grau de complexidade operacional. Atualmente, esses hospitais, juntamente com as operações na Arábia Saudita, apresentam resultados negativos.

Relação da Porto Saúde com a Oncoclínicas e impacto financeiro

A Porto Saúde possui uma dependência significativa dos serviços da Oncoclínicas, pagando cerca de R$ 500 milhões anualmente à rede especializada em oncologia. Os gastos com tratamentos oncológicos representam uma parcela importante dos custos dos planos de saúde. Um relatório do BTG Pactual de setembro de 2025 indicou que os serviços de oncologia — especialmente infusões sem procedimentos cirúrgicos e tratamentos correlatos — corresponderam a aproximadamente 15% do gasto total na saúde suplementar em 2024.

Além disso, a tendência é de aumento desses custos, dado que a Organização Mundial da Saúde projeta que, até 2050, serão diagnosticados globalmente cerca de 35 milhões de novos casos de câncer, o que corresponde a um aumento de 77% em relação a 2022.

A Oncoclínicas possui aproximadamente 15% do mercado nacional, oferecendo tratamentos com custos inferiores a alguns concorrentes, como a Rede D’Or, por exemplo, cuja média de preço para infusões de quimioterapia é maior. A empresa concentra ainda cerca de 18% dos oncologistas atuantes no país.

Até o fechamento desta reportagem, tanto a Oncoclínicas quanto a Porto não haviam respondido aos pedidos de posicionamento.

Fonte

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